// Estar com Deus

domingo, 16 de outubro de 2016

AFINAL, DEUS ME AMA?

Quando comecei a fazer teologia sempre existia um vazio em minha alma. Uma pergunta que sempre incomodava: afinal o que é Deus: Porque ele existe? O que de Fato Deus quer para as nossas vidas?

Meu querido amigo e professor, padre Danilo, sempre me dizia: “Everton, estude muito, medite bastante na palavra e nas coisas de Deus, pois estou ansioso para ver você fazendo a teologia”.

Fazer a teologia, o que significava isto, o que era fazer a teologia.
"Tira as sandálias de teus pés, porque este lugar em que estás é uma terra santa" (Ex. 3:5) soa aos ouvidos de quem pensa aproximar-se do estudo da teologia. Só nessa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar o mundo da teologia. Nisso ela difere grandemente das outras ciências. O Círculo brilhoso (halo) sagrado envolve-a, e, se ele se desfaz, termina-se por praticar teologia secularizada. E esta, por sua vez, acaba passando atestado de óbito. 

O estudo da teologia hoje navega por mares bravios, mas fascinantes. Talvez pudesse ter sido mais fácil estudar teologia em outras épocas, em que o barco da Igreja quase parara nas calmarias da cristandade ou neocristandade. Depois que os ventos da modernidade e pós modernidade açoitam o pensamento religioso, ora ferindo-o em sua raiz, ora espalhando suas sementes por todas as partes, a teologia, ao mesmo tempo, viu-se postergada à condição de produto supérfluo da sociedade industrial burguesa e sumamente desejada por novo mercado religioso. 

Com o passar do tempo, meu amadurecimento nas coisas de Deus se tornou mais amplo e os anos de meditação e estudos filosóficos, históricos e teológicos, me fizeram entender o que é fazer teologia. Fazer teologia é entender Deus nas nossas vidas, como ele se movimenta através de seu povo, como ele nos ama de fato. Ela extrapola o dogma, confronta o mesmo para tentar elucidar a equação de Deus em nossas vidas. Ela é vida, amor ao próximo, paz e justiça.

Existe uma enorme dúvida no ser Humano. “Afinal Deus me ama? ” Se nossa vida religiosa parece um vazio e se não temos certeza do amor de Deus nos momentos em que mais precisamos, está na hora de entendermos o significado do amor divino – um amor profundo, libertador, sem limites e imposições.

Muitas pessoas acreditam que precisam viver de acordo com as Leis de Deus para receberem Seu amor. Então seguem em uma busca desesperada pela perfeição, impondo-se metas inalcançáveis, que as deixa frustradas e sem esperanças.

Outras levam para a vida religiosa a regra da “troca de favores” que aprendemos desde a infância. Ou seja, esforçam-se para agradar a Deus, acreditando que assim terão suas preces atendidas. E, quando alguma coisa não dá certo, acham que não se emprenharam o suficiente. 

E há ainda aquelas que se dedicam a atividades religiosas e à pratica do bem apenas para tentar se livrar do sentimento de culpa.

Precisamos evitar estas atitudes equivocadas e entender o que realmente Deus espera de nós.
Não é fácil, pois como tentar entender de fato o que Deus quer para nossas vidas. Somente tempo, meditação na palavra e muito estudo e discernimento. Resumindo, muita vida com Deus.

Além da palavra de Deus (Bíblia), muitos documentos e livros me ajudaram a entrar neste processo. “Existe Deus? – De Alfredo Maria Mazzei”, invoca o raciocínio que: Se cristo é divino, se Cristo é filho de Deus, então isto quer dizer que Deus existe. A admissão da divindade de Cristo levou o autor em linha reta à admissão da existência de Deus, sem necessidade de recorrer ao estudo das provas metafísicas: as provas de Santo Anselmo e Tomás de Aquino. Neste livro, o formidável problema da existência de Deus é tratado sob todos os pontos de vista, do filosófico ao científico.

“Introdução à Teologia - Perfil, Enfoques, Tarefas – De J. B. Libanio e Afonso Murad”, demonstra que todo saber tem seu mistério. E no mistério deve-se ser iniciado. O saber teológico vê-se envolvido, mais que qualquer outro, por véu misterioso, por tratar-se, em última análise, de conhecimento a respeito do mistério dos mistérios: Deus. 

E o simples e elucidativo livro de “Jung Mo Sung – DEUS: Ilusão ou realidade? ” Reconhece, ao invés de negar, os questionamentos sobre a existência de Deus e a impossibilidade que muitos sentem de experiência-lo. Falando sobre as injustiças humanas, sobre a desumanização provocada pela sociedade de consumo, o Autor chama a atenção do jovem para a necessidade de uma imagem de Deus feita de amor e solidariedade, para uma religiosidade mais consciente e aberta ao próximo.

Por vezes, ficamos tentando pedir a Deus o que julgamos mais conveniente. Mas devemos entender que, somente confiando em sua Sabedoria e deixando que Ele decida o que é melhor para nossas vidas, encontraremos o caminho para viver na plenitude de seu amor.


Christo nihil praeponere

sábado, 26 de dezembro de 2015

BEM VINDO 2016!

O ano de 2015 está passando. Coisas boas e ruins aconteceram para todos. Alguns perderam, outros ganharam, enfim, mais um ano que passa!

Entra ano, sai ano, o homem conquista cada vez mais novas tecnologias, novos comportamentos e cada vez mais se pergunta: Qual o seu verdadeiro significado nesta terra?

Todos nós, homens e mulheres deste século, fazemos parte e absorvemos resultados de experiências de uma sociedade marcada pela violência, discriminação, preconceito, crise social, política, religiosa e com isto sempre vem a pergunta: O que está de fato acontecendo? Como resolver esta situação?

Cada pessoa busca a solução que lhe parece mais acertada. Alguns correm atrás da tecnologia, outros buscam no dinheiro a saída para as dificuldades, outros procuram a solução num Deus "mágico" que age através de milagres da forma mais rápida possível.

Para muitos, e enquadra-se também os cristãos, a Palavra de Deus é hoje, apenas mais uma "palavra" e não raro, nem sequer tão pertinente como outras que disputam a atenção, o compromisso e a fé dos homens e mulheres deste tempo.

Neste dia a dia racional, o homem se esquece que é "capaz" de Deus.
O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso.

Precisamos Buscar a paz e desejar a perfeição. Poderíamos ter muita paz, se não nos quiséssemos ocupar do que os outros dizem ou fazem e que nada tem a ver conosco, que não pertencem ao nosso cuidado. Como pode ficar em paz por muito tempo aquele que se intromete em negócios alheios, que busca relações exteriores, que raras vezes e mal se recolhe interiormente? Bem-aventurados os simples, porque hão de ter muita paz!

Nós, porém, nos ocupamos demasiadamente das próprias paixões e cuidados com excesso das coisas transitórias. A falta de perdão, a cobiça, a soberba, a necessidade de poder, a rejeição do próximo o sentimento de ficar inferior perante uma pessoa, o saber dizer "não sei" são problemas sérios que possuímos hoje enraizado nas nossas vidas. É raro vencermos um vício perfeitamente; não nos inflamamos no desejo de progredir cada dia; daí a frieza e a tristeza que adquirimos.

Se estivéssemos perfeitamente mortos a nós mesmos e interiormente desimpedidos, poderíamos criar gosto pelas coisas divinas e algo experimentar das doçuras da celeste contemplação. O que principalmente e mais nos impede é o não estarmos ainda livres das nossas paixões e concupi
scências, nem nos esforçamos por trilhar o caminho perfeito dos santos. Basta um pequeno contratempo para nos deixarmos abater e voltarmos a procurar consolações humanas.


Se nos esforçássemos por ficar firmes no combate, como soldados valentes, o auxílio de Deus não nos faltaria. Ele está sempre pronto a auxiliar e procura nos oferecer ocasiões de vitória e por isso está sempre preparado a ajudar aqueles que realmente confiam na sua graça.

Pois dar somente atenção às práticas exteriores não leva ninguém muito longe. Este tipo de fervor, dura muito pouco. Metamos, pois, o machado à raiz, para que fiquemos purificados das coisas que não nos levam a nada e usufruamos a paz interior. Se cada ano extirpássemos um só vício em breve seríamos perfeitos. 

Mas agora, pelo contrário, muitas vezes experimentamos que éramos melhores, e nossa vida mais pura, no princípio da nossa conversão que depois de muitos anos de profissão.

O nosso fervor e aproveitamento deveriam crescer, cada dia; mas, agora, considera-se grande coisa poder alguém conservar parte do primitivo fervor. Se no princípio fizéramos algum esforço, tudo poderíamos, em seguida, fazer com facilidade e gosto. 

Custoso é deixar nossos costumes; mais custoso, porém, contrariar a própria vontade. Mas se não vencermos obstáculos pequenos e leves, como venceremos os maiores?

Precisamos resistir o brotar das coisas ruins que querem estar conosco para evitarmos que as dificuldades cresçam cada vez mais. Mas como resolver este problema? Como ter a verdadeira Paz, perdoar as pessoas que me fizeram algo que eu não gostei, pedir perdão as pessoas que eu sem querer ou propositadamente magoei, como mudar isto?

Eu aposto e creio nesta solução: acolher e viver verdadeiramente a Palavra de Deus que é o caminho para recolocar no lugar próprio, o centro da vida do cristão. A palavra de Deus não é um depósito inerte, é uma palavra "viva", eficaz e mais penetrante que uma lâmina de uma espada, ou um projétil de uma arma.

A Palavra é um veículo de comunicação do próprio Deus que:
  • Fala e revela um designo de salvação;
  • É uma força que desperta e alimenta a nossa fé;
  • Transforma o coração daqueles que a acolhem e crem;
  • Orienta o agir humano, porque é "adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na Justiça".

A palavra de Deus é criadora de comunhão. Ela é na verdade, o próprio Cristo, Palavra encarnada como fala em (Jo 1,14). "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.". Através da Bíblia, livro da revelação, encontramos a luz para caminhar com serenidade, assumindo os compromissos que nos são propostos diante dos apelos de nossa realidade. Com certeza, a leitura atenta da Palavra de Deus, nos posicionará na trilha certa para atingirmos a meta para qual Deus nos chama. 


O sonho de Deus para a humanidade que ser revelado através desta palavra. Ela foi vivida e transmitida por gerações. Sendo assim, lendo e meditando nesta palavra, teremos a sabedoria e a força para transformarmos nossas vidas, a vida das comunidades e a vida da sociedade, uma vez que esta palavra, quando lida e meditada trazendo-a aos fatos e problemas da realidade em que vivemos, tem o dom de projetar sabedoria e luz nas situações mais adversas além de indicar caminhos para esclarecer e fazer surgir a solução dos problemas que passamos em nossas vidas.

Com isto veríamos a paz e a alegria que causaríamos aos outros se seguíssemos aos ensinamentos de Jesus e procurando sempre andar nos seus caminhos. Eu creio que nos empenharíamos muito mais para o crescimento espiritual.

Que o ano de 2016 seja um ano de muita PAZ, que as pessoas sintam o amor de Deus em suas vidas e propaguem este amor aos outros. 2016 será um ano próspero, muito melhor do que foi o ano de 2015.

Adeus ano velho, Feliz ano novo, são os meus votos e de minha Família a todos.

"Christo nihil praeponere - a nada dar mais valor que a Cristo"

sábado, 19 de dezembro de 2015

O que pensar dos dias difíceis, nas vésperas da chegada do Natal?

Prezados em Cristo.
Recebi recentemente uma carta de um Padre, o Pe. Rodrigo Hurtado que faz parte dos Legionários de Cristo.

Eu estava muito abatido com as coisas que estavam acontecendo esta semana comigo, inclusive minha arritmia cardíaca voltou novamente. É o meu termômetro que algo está ficando errado e eu preciso descansar urgente!

Realizei uma resenha de sua carta, pois achei interessante a sua mensagem, e vi que Cristo como sempre, estava no comando das coisas e que eu tinha que ficar tranquilo, pois ele não havia me abandonado. Então estou compartilhando com vocês.

Ele começa questionando se alguma vez, a gente teve um desses dias e que tudo deu errado? Ao contrário do que você tinha planejado? Um desses dias quando você pensa: “deveria ter ficado na cama”? Eu tive um desses dias, mais especificamente esta semana.
Ele relata que passou por muitos problemas neste dia, tais como multas de transito, ficou mal por causa de alguma coisa que comeu no almoço, seu carro quebrou, enfim um daqueles dias.
Então ele chega na sua casa pela noite e o mesmo só queria ter um momento tranquilo e não falar com mais ninguém.

Como reagimos quando as coisas que não terminam do jeito que queríamos? Inclusive, poderia ser mais que um dia ruim. Como reagimos quando nossos planos de vida mudam totalmente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

10 mandamentos do Bom Teólogo

Todo bom teólogo seguirá e entenderá esses mandamentos à risca.


1. Não tente explicar o inexplicável (Há questões que são para somente crer, não para explicar.)

2. Evite concentrar-se em especulações ou discussões em questões secundárias que não levam ninguém ao céu ou impedem de ir ao inferno (Isso é perda de tempo precioso que poderia estar sendo investido em outras questões edificantes para a Igreja, e mais, muitos por causa dessas discussões teológicas infindáveis perderam amigos e fizeram inimigos.)

3. Aprenda a dizer: “Não Sei”. (Se você não sabe, não enrole.)

4. Domine o vocabulário teológico, leia muitos livros teológicos, continue fazendo cursos, se aperfeiçoando, estude, estude, estude.

5. Não esqueça de seu momento com Deus, ore muito, leia muito a Bíblia

6. Duvide de suas dúvidas (seja um pesquisador constante, vá atrás, não se contente com as dúvidas)

7. Lembre-se que os motivos que unem os crentes são maiores do que os que os afastam (Enfatize as harmonias, as semelhanças e não os conflitos. Com exceção da apologética cristã que é útil e bíblica e milita contra heresias e seitas pseudo cristãs, não fique a criticar essa ou aquela denominação cristã por que seguem uma linha teológica diferente da sua. Seja sábio, teologia não é pra isso.)

8. Lembre que o teu conhecimento teológico deve servir para levar a salvação aos perdidos e a edificação aos salvos e não para constranger ou humilhar teus irmãos (Você estudou para ser um melhor servo, não para ser senhor da razão. Às vezes, mesmo estando certo, o melhor é ficar calado para em uma oportunidade mais edificante argumentar e até mesmo, abençoar os opositores)

9. Pregue e ensine com fervor e autoridade suas certezas e convicções e jamais as suas dúvidas (quando prega ou ensina uma questão ou tema que não possui convicção ou opinião formada, apenas causa confusão em quem o ouve)

10. Não use a teologia como vaidade ou engrandecimento pessoal, use-a para edificação do Corpo de Cristo (lembre-se que deve servir e não ser servido).

Simples assim.

O bom teólogo entende bem isso. O mau teólogo considera isso um ultraje.

O que voce pensa disso?

Deus o abençoe.

Pr. Magdiel Anselmo

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Reflexão do Livro de São Mateus; Cap. 13, Versos 1 até 9

Hoje, vamos refletir sobre Mateus 13, 1-9.

Jesus começa a ensinar por meio de parábolas.

Então perguntamos: o que de fato é necessário para que possamos entender as parábolas de Jesus? Para respondermos a esta pergunta, precisamos fazer outra: Por que Jesus ensina em parábolas?

Respondendo a esta pergunta entendemos o significado da ação de Jesus em ensinar em parábolas.

A parábola parte de uma situação da vida para mostrar os valores do Evangelho e isso nos mostra que os valores evangélicos são para serem vividos e não simplesmente entendidos.

Portanto, não é quem teoriza a fé que entende as parábolas, mas quem vive a fé.

O que é necessário para entender as parábolas de Jesus? A resposta é: unir a fé à vida.

sábado, 25 de julho de 2015

PAULO O APÓSTOLO - SUA PREOCUPAÇÃO COM O CORPO DE CRISTO

Na comunidade de Corinto, era costume reunir-se regularmente para a Ceia do Senhor: "De maneira que, cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha" (1Cor 11,26). É impossível dizer com que frequência a comunidade se reunia com este propósito .

Os problemas surgidos nos sugerem que devia ser com bastante frequência. Certamente não se pode excluir que se tratava de reuniões semanais. deste modo, a comunidade de Corinto haveria se acomodado aos costumes familiares dos habitantes da cidade. Muitos que se faziam discípulos de Jesus Cristo haviam sido anteriormente membro das associações religiosas, nas quais também consideravam importantes as reuniões par celebrar o alimento comunitário. Não há dúvida de que é necessário distinguir entre a "prática eucarística" de Corinto e a alimentação ordinária que, segundo Atos dos Apóstolos, eram características do ambiente da comunidade cristã primitiva de Jerusalém: "Diariamente frequentavam o templo em grupo; partiam o pão nas casas e comiam juntos, louvando a Deus com alegria e de todo o coração" (At 2,46).

A princípio, Paulo não estabelecia comparações nem formulava juízos. O  que o preocupava, acima de tudo, era que os coríntios tomassem consciência do que estava fazendo quando ocupavam seus lugares na mesa do Senhor: "Por conseguinte, o que come o pão ou bebe do cálice do Senhor sem dar o devido valor terá que responder pelo corpo e pelo sangue do Senhor. Examine-se cada um a si mesmo antes de comer do pão e beber do cálice, porque o que come e bebe sem apreciar o corpo, come e bebe sua própria condenação" (1Cor 11,27-19). No decorrer da historia da Igreja, estas palavras se desconectaram de seu contexto específico, na comunidade de Corinto, e chegaram a adquirir um significado independente. Durante séculos, especialmente no âmbito do protestantismo reformado, elas funcionaram como uma séria advertência, e em alguns círculos ainda são entendidas dessa maneira. Eram muitos os que não se atreviam a aproximar-se da Ceia do Senhor e, desse modo, terminavam por evitar a mesma. Preferiam estar seguros em vez de sofrer a insegurança de não saber se estavam bebendo sua própria condenação. As palavras de Paulo foram adquirindo, pouco a pouco, um tom sombrio, ameaçador e macabro, e ficaram "gravadas" na memória de muitas gerações: "Porque o que como e bebe sem apreciar o corpo, come e bebe sua própria condenação" (1Cor 11,29).

Será que Paulo quis dizer algo parecido com isto? A questão merece uma resposta muito imediata. O rumo que tomou o protestantismo reformado teria assombrado Paulo. Porém, isto não significa que, para ele, "comer a Ceia do Senhor" não trouxesse algum risco. Certamente, as frases citadas tinham, em sua intenção, o valor de uma advertência, mas também é verdade que, em seu sentido, o ponto de referencia essencial não era a vida de fé interior e pessoal, mas sim a prática cotidiana dos fiéis da comunidade e o fato de que alguns viviam prosperamente, enquanto outros passavam necessidades. Nesta passagem, a imagem do "corpo" tem um significado ambíguo. Novamente, reconhecemos que Paulo era um pensador original. O corpo de Cristo, o pão e o vinho, está sobre a mesa do Senhor, porém a comunidade cristã está reunida ao redor dessa mesma mesa, como corpo do Senhor. A demanda de Paulo de "dar seu valor ao corpo" não se refere unicamente ao que há sobre a mesa, mas faz referência a algo mais, ao corpo reunido ao redor da mesa. Esta "ambiguidade" era essencial ao pensamento de Paulo. Isso é deduzido uma vez mais de uma sentença que nos parece claríssima: "É por isso que muitos de voces estão doentes e fracos, e alguns já morreram" (1Cor 11,30). Não sabemos como esse verso acusatório foi recebido na comunidade de Corinto. Podemos supor que essa observação de Paulo não pareceu agradável e que até mesmo possa ter sido uma das causas das dificuldades que não demorariam a surgir.

Para completar essa discussão sobre os problemas surgidos por causa da celebração da Ceia do Senhor, Paulo formulou o seguinte aviso: " Portanto, meus irmãos, quando voces se reunirem para comer, esperem uns pelos outros. E, se alguem estiver com fome, que coma em casa para que Deus não castigue voces por causa dessas reuniões. Os outros assuntos, eu resolverei quando chegar ai" (1Cor 11,33-34). Depois de tanta tensão, o tom se torna surpreendentemente sereno. Definitivamente, Paulo procurava não intensificar o conflito que parecia pior do que temia. No entanto, dessa correspondencia com a comunidade, deduz-se que seus esforços em prol da reconciliação terminaram por provocar novoa agravos, por causa das diferenças de opinião. Até a própria celebração da Ceia do Senhor via-se obscurecida pelas grandes diferenças sociais entre ricos e pobres, que não desapareciam de cena quando a comunidade de reunia (1Cor 11,17-22).

Paulo se incomodava com tudo aquilo, pois estava em flagrante contradição com sua idéia do que deveria ser comunidade cristã. Não era um "clube" livre nem uma associação de pessoas que pensavam da mesma forma, nem um grupo de indivíduos que não se interessavam pelo bem estar dos demais membros. Tudo parece indicar que as concepções de Paulo iam se desenvolvendo conforme ele escrevia. A celebração da Ceia do Senhor, em particular, faz com que a comunidade se reforçe como uma unidade indissolúvel: "Como há um só pão, ainda sendo muitos, formamos um só corpo , pois todos e cada um participam desse único pão" (1Cor 10,17). Segundo Paulo, pode-se dizer que este "único corpo" é o corpo de Cristo (1Cor 12,27)*.
*Há uma real divergência de opinião sobre o contexto dessa imagem na história da religião: ela seria veterotestamentária, helenística ou gnóstica? Cf., por exemplo, J.J. Meuzelaar, Der Leib des Messias. EIne exegetische Studie über den Gedanken Vom Leib Cristi in den Paulusbriefen [O Corpo de Messias. Um estudo exegético dos pensamentos nas cartas de Paulo] (Assen, 1961).
Unidade e divisão: estes são os termos que regem as concepções de Paulo em relação à comunidade: "Os Dons são variados, porém o espírito é o mesmo; as funções são variadas, ainda que o Senhor seja o mesmo; as atividades são variadas, porém é o mesmo Deus que opera tudo em todos" (1Cor 12,4-6). Paulo não era contrário às diferenças, contanto que elas não constituíssem uma ameaça à unidade da comunidade. A unidade precede a diferença, não o contrário. O apóstolo ilustrou a sua ideia de unidade que há de reger na comunidade com a ajuda da imagem do corpo, o qual tem muitas partes. E todas as partes, mesmo sendo muitas, formam um só corpo. Assim, também, todos nós, judeus e pagãos, escravos e livres, fomos batizados pelo mesmo Espírito para formar um só corpo. E a todos nós foi dado beber do mesmo Espírito. Pois o corpo não é feito de uma só parte, mas de muitas" (1Cor 12,12-14). O corpo é formado por muitos membros, mas é um único corpo. Nenhuma de suas partes pode pretender ser mais importante que as demais separadamente: "Se o corpo todo fosse olho, como poderíamos ouvir? E, se o corpo todo fosse ouvido, como poderíamos cheirar?" (1Cor 12,17-18). Evidentemente, Paulo atribuía grande importância a metáfora do corpo. Parecia-lhe difícil escapar dessa metáfora e nunca se cansava de repetir suas concepções: "De fato, existem muitas partes, mas um só corpo. Portanto, o olho não pode dizer à mão: 'Eu não preciso de voce'. E a cabeça não pode dizer aos pés: 'Não preciso de voces'. O fato é que as partes do corpo que parecem ser mais fracas são as mais necessárias, e aquelas que achamos menos honrosas são as que tratamos com mais honra. E as partes que parecem ser feias recebem um cuidado especial, que as outras mais bonitas não precisam. Foi assim que Deus fez o corpo, dando mais honra às partes menos honrosas" (1Cor 12,20-24).

Nas ultimas frases, Paulo desenvolve a imagem ao extremo, de tal modo que começa a parecer embaraçoso. Paulo não era nada humilde. Os "sábios" e distintos membros da comunidade de Corinto escutariam aquelas palavras com crescente irritação e é de se supor que entenderiam a insinuação. Na opinião do apóstolo, não combina com o espírito de Cristo crucificado - "segui meu exemplo, como eu sigo o de Cristo" - olhar uns aos outros com desdem e desprezar os demais por estes possuírem menos dinheiro ou influencia, ou porque possuem menos "sabedoria". O fundamento da unidade na comunidade de Cristo é o Amor. Pela maneira como estruturou 1 Coríntios 12-14, deduz-se claramente que Paulo via as coisas dessa forma. Ele interrompe abruptamente sua argumentação sobre a unidade para introduzir um surpreendente hino de louvor ao amor (1Cor 13). Segundo todos os indícios, esse hino paulino de louvor não é criação do próprio Paulo.*
*Cf. Conzelmann, Firts Corinthians (hermeneia; Philadelphia, 1975) ad locum.
O apóstolo utilizou livremente um teto que ja existia anteriormente. Fazia isto com frequência (por exemplo, 1Cor 15,3-4; Fl 2,6-11).

O hino de louvor tem um caráter "tradicional", pré-paulino. Isso explica o notável fato de que não se estabeleça conexão alguma entre o amor e Cristo, e isso é um indício de que Paulo não se inspirou em uma fonte especificamente cristã. Em virtude de seu amplo contexto cultural e religioso, Paulo estava familiarizado cm os textos nos quais se exaltava a preeminência de "virtudes" como a sabedoria e a verdade. Esses textos não apareciam unicamente nos escritos helenísticos, mas também na antiga literatura sapiencial judaica. Para ilustrá-lo, é suficiente este texto extraído do livro deuterocanônico da Sabedoria de Salomão. Ele foi composto pouco antes do começa de nossa era, em ambiente da Diáspora do judaísmo alexandrino, no Egito, que tinha um contexto helenístico;* 
*B.L. Mack, Logos und Sophia. Untersuchugen zur Weisheitstheologie im hellenistische Jüdentum [Logos e Sophia. Estudos sobre a teologia em sabedoria helenística e Judaica] (Gotinga, 1973)
"Porque é emanação do poder divino, emanação puríssima da glória do Onipotente; por isso nada imundo o contamina. É reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem de sua bondade. Sendo uma só, tudo pode; sem mudar em nada, renova o universo e, entrando nas boas almas de cada geração, vai fazendo amigos de Deus e profetas; pois Deus ama só quem convive com a sabedoria. É mais bela que o sol e que todas as constelações; comparada à luz do dia, é mais bela, pois este lhe revela a noite, enquanto a sabedoria nem o mal pode com ela. Alcança com vigor extremo  a extremo e governa o universo com acerto" (Sb 7,25-8,1).

Paulo tinha um contexto religioso e cultural bem heterogêneo. Isso se deduz uma vez mais o "hino de louvor" ao amor que lhe serviu de base para sua defesa da unidade na comunidade. É tipico da perspicácia criadora do apóstolo recorrer, nesse momento da carta, a um texto que poderia soar familiar a seus leitores de Corinto, tão amantes da sabedoria. Desta vez, no entendo, o tema central não é a sabedoria oua verdade, mas o amor: "Por isso se esforcem para ter os melhores dons. Porém eu vou mostrar a voces o caminho que pe o melhor de todos" (1Cor 12,31). Hpa muitas coisas importantes na vida humana, porém uma se destaca sobre todas as outroas: "Portanto, agora existem três coisas, a fé, a esperança e o amor. Porém a mais valiosa é o Amor" (1Cor 13,13).

O hino de louvor ao amor não deixa de ter seu efeito. Ele lança uma nova luz sobre o que antecede e situa o que segue no ambito "do amor" Paulo sabia bem o que estava fazendo . As divisões prejudicam a comunidade e Paulo lutou muito para combater este problema.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

HOJE: A HORA É AGORA!

Uma adaptação do Texto de José Antonio Pagola.

Este texto tem como base o Livro de Lucas, capítulo 2, versos de 16 à 21.

Lucas conclui seu relato do nascimento de Jesus, indicando aos leitores que "Maria" conservava todas as coisas meditando-as em seu coração. "Não conserva o que aconteceu como uma recordação do passado, mas como uma experiencia que atualizará e reviverá ao longo de sua vida.

Não é uma observação gratuita. Maria é modelo de fé. Segundo este evangelista, crer em Jesus Salvador, não é recordar acontecimentos dos outros tempos, mas experimentar hoje sua força salvadora, capaz de tornar mais humana a nossa vida.

Por isso, Lucas utiliza um recurso literário muito original. Jesus não pertence ao passado. Intencionalmente, [Lucas] vai repetindo que a salvação de Jesus ressuscitado nos está sendo oferecida HOJE, agora mesmo, toda vez que nos encontramos com Ele. Vejamos alguns exemplo.

Eis como ele anuncia o nascimento de Jesus: "Hoje nasceu para vós na cidade de Davi um salvador." Hoje Jesus pode nascer para nós. Hoje ele pode entrar na nossa vida e mudá-la para sempre. Com Ele podemos nascer para uma vida nova.

Numa aldeia da Galileia, trazem até Jesus um paralítico. Jesus se comove ao vê-lo bloqueado por seu pecado e o cura, oferecendo-lhe o perdão: "Teus pecados te são perdoados." O povo reage louvando a Deus: "Hoje vimos coisas admiráveis." Também nós podemos experimentar hoje o perdão, a paz de Deus e a alegria interior, se nos deixarmos curar por Jesus.

Na cidade de Jericó, Jesus se hospeda na casa de Zaqueu, rico e poderoso arrecadador de impostos. O encontro com Jesus o transforma: devolverá o que roubou a muitos e repartirá seus bens com os pobres. Jesus lhe diz: "Hoje entrou a salvação nesta casa." Se deixarmos Jesus entrar em nossa vida, hoje mesmo podemos começar uma vida mais digna, fraterna e solidária.

Jesus está agonizando na cruz entre dois malfeitores. Um deles dirige-se a Jesus: "Jesus, lembra-te de mim quando chegares no teu reino." Jesus reage imediatamente: "Hoje estarás comigo no paraíso." Também o dia da nossa morte será um dia de salvação. Finalmente escutaremos de Jesus essas palavras tão esperadas: fique tranquilo, confia em mim, hoje estarás comigo para sempre.

Hoje, começamos um ano novo. Porém,  o que pode ser para nós algo realmente novo a bom? Quem fará nascer em nós uma alegria nova? Que psicólogo nos ensinará a ser mais humano? De pouco servem os bons desejos. O decisivo é ficar mais atentos ao melhor que desperta em nós. A salvação nos é oferecida cada dia. Não é preciso esperar nada. Hoje mesmo pode ser para mim um dia de salvação.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

QUEM FORAM OS REIS MAGOS?


Um ótimo apanhado do blog Ciência confirma a Igreja, publicado por Luis Dufaur.

Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet. O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé. Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la. 

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus. Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo. O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes. Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus. O documento levanta questões em extremo interessantes: quem foram ao certo, os Reis Magos? Foram três? Quais eram seus nomes? De onde vieram? Por quê? 

Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus: Capítulo 2, Versos 1 e subsequentes. A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé. Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.
O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra. São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos seguintes. São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. SuaHistória Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:

“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.

É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades. Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”. Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis. Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes. Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, vêem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade. Em coerência com essa visão, através da exegese podemos interpretar a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David:

“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11)

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China. Em livro – escrito a título pessoal, Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha. A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros. A reação popular suscita um amável sorriso.

O que foi depois dos Reis Magos?

De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).  A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias. Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes. As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas à capital imperial Constantinopla. Depois foram transferidas a outra capital imperial – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Por que eram "Magos"?

O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje. A eles devemos o início da ciência astronômica. Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã). 

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições. Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador. Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reinado. Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade. São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão. E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência. Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã. O Prof. Landau acredita que no “apócrifo” entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer. Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o “apócrifo” diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”. A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela. Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.






domingo, 28 de dezembro de 2014

IMITAÇÃO DE CRISTO

Conselho do Dia
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:

Jesus: Filho se puseres tua paz em alguma pessoa, por conviver contigo e ser de teu parecer, achar-te-ás inconstante e embaraçado. Mas, se recorreres à verdade sempre viva e permanente, não te entristecerás pela ausência e morte de um amigo. Em mim se há de fundar o amor do amigo, e por mim se há de amar todo aquele que nesta vida te parecer bom e amável. Sem mim não vale nada, nem durará a amizade; nem é puro e verdadeiro o amor cujos laços eu não tenha dado. De tal modo deves estar morto para semelhantes afeições dos amigos que, quanto depender de ti, desejes viver sem relações humanas. Quanto mais se chegar o homem para Deus, tanto mais se afastará de todo alívio terreno. E tanto mais alto sobe para Deus, quanto mais baixo desce na sua estimação, e mais vil se reputa. ( Como não se deve procurar a paz nos homens)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

PORQUE VOCÊ NÃO QUER MAIS IR A IGREJA

Este material, vem do espetacular livro de Wayne Jacobsen e Dave Coleman intitulado: Por que você não que mais ir a Igreja.

Trata-se de um texto, publicado na edição de maio de 2001 de BodyLife (www.lifestream.org), vem circulando pelo mundo para oferecer uma perspectiva e uma argumentação capazes de ajudar as pessoas a compreender como é possível abraçar a vida em Cristo por muitas outras formas de relacionamento além das que a tradicional vida eclesiástica costuma proporcionar. É uma resposta a todos aqueles que defendem a necessidade de pertencer a uma instituição determinada para fazer parte da Igreja.

O texto é grande, mas vale a pena lê-lo todo, Muito curioso, o mesmo pincela um trabalho de célula, que se originou na igreja primitiva. Boa leitura a todos.

Prezado irmão de fé.

Agradeço muito sua preocupação comigo e sua disposição de colocar questões que causaram essa preocupação. Você sabe que a forma como me relaciono com a Igreja é um tanto anticonvencional, e há até quem a considere temerária. Creia-me, compreendo bem sua preocupação, pois eu próprio também costumava pensar dessa maneira e cheguei mesmo a ensinar outras pessoas a fazê-lo.

Se você está satisfeito com o Status Quo da atual religião institucional talvez não goste do que vai ler aqui. Meu objetivo não é convence-lo a ver essa incrível igreja da mesma forma que eu, e sim responder as suas perguntas o mais aberta e honestamente que puder. Mesmo que acabemos não concordando, espero que entenda que nossas diferenças não distanciam necessariamente enquanto membros do corpo de Cristo.

A QUE IGREJA VOCÊ VAI?

Jamais gostei dessa pergunta, mesmo quando era capaz de responder a ela citando uma organização específica. Conheço seu significado cultural, mas ela se baseia numa falsa premissa – a de que a igreja é um lugar aonde se pode ir da mesma maneira como se vai a um evento, a uma festa ou se
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