// Estar com Deus: Outubro 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

AFINAL, DEUS ME AMA?

Quando comecei a fazer teologia sempre existia um vazio em minha alma. Uma pergunta que sempre incomodava: afinal o que é Deus: Porque ele existe? O que de Fato Deus quer para as nossas vidas?

Meu querido amigo e professor, padre Danilo, sempre me dizia: “Everton, estude muito, medite bastante na palavra e nas coisas de Deus, pois estou ansioso para ver você fazendo a teologia”.

Fazer a teologia, o que significava isto, o que era fazer a teologia.
"Tira as sandálias de teus pés, porque este lugar em que estás é uma terra santa" (Ex. 3:5) soa aos ouvidos de quem pensa aproximar-se do estudo da teologia. Só nessa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar o mundo da teologia. Nisso ela difere grandemente das outras ciências. O Círculo brilhoso (halo) sagrado envolve-a, e, se ele se desfaz, termina-se por praticar teologia secularizada. E esta, por sua vez, acaba passando atestado de óbito. 

O estudo da teologia hoje navega por mares bravios, mas fascinantes. Talvez pudesse ter sido mais fácil estudar teologia em outras épocas, em que o barco da Igreja quase parara nas calmarias da cristandade ou neocristandade. Depois que os ventos da modernidade e pós modernidade açoitam o pensamento religioso, ora ferindo-o em sua raiz, ora espalhando suas sementes por todas as partes, a teologia, ao mesmo tempo, viu-se postergada à condição de produto supérfluo da sociedade industrial burguesa e sumamente desejada por novo mercado religioso. 

Com o passar do tempo, meu amadurecimento nas coisas de Deus se tornou mais amplo e os anos de meditação e estudos filosóficos, históricos e teológicos, me fizeram entender o que é fazer teologia. Fazer teologia é entender Deus nas nossas vidas, como ele se movimenta através de seu povo, como ele nos ama de fato. Ela extrapola o dogma, confronta o mesmo para tentar elucidar a equação de Deus em nossas vidas. Ela é vida, amor ao próximo, paz e justiça.

Existe uma enorme dúvida no ser Humano. “Afinal Deus me ama? ” Se nossa vida religiosa parece um vazio e se não temos certeza do amor de Deus nos momentos em que mais precisamos, está na hora de entendermos o significado do amor divino – um amor profundo, libertador, sem limites e imposições.

Muitas pessoas acreditam que precisam viver de acordo com as Leis de Deus para receberem Seu amor. Então seguem em uma busca desesperada pela perfeição, impondo-se metas inalcançáveis, que as deixa frustradas e sem esperanças.

Outras levam para a vida religiosa a regra da “troca de favores” que aprendemos desde a infância. Ou seja, esforçam-se para agradar a Deus, acreditando que assim terão suas preces atendidas. E, quando alguma coisa não dá certo, acham que não se emprenharam o suficiente. 

E há ainda aquelas que se dedicam a atividades religiosas e à pratica do bem apenas para tentar se livrar do sentimento de culpa.

Precisamos evitar estas atitudes equivocadas e entender o que realmente Deus espera de nós.
Não é fácil, pois como tentar entender de fato o que Deus quer para nossas vidas. Somente tempo, meditação na palavra e muito estudo e discernimento. Resumindo, muita vida com Deus.

Além da palavra de Deus (Bíblia), muitos documentos e livros me ajudaram a entrar neste processo. “Existe Deus? – De Alfredo Maria Mazzei”, invoca o raciocínio que: Se cristo é divino, se Cristo é filho de Deus, então isto quer dizer que Deus existe. A admissão da divindade de Cristo levou o autor em linha reta à admissão da existência de Deus, sem necessidade de recorrer ao estudo das provas metafísicas: as provas de Santo Anselmo e Tomás de Aquino. Neste livro, o formidável problema da existência de Deus é tratado sob todos os pontos de vista, do filosófico ao científico.

“Introdução à Teologia - Perfil, Enfoques, Tarefas – De J. B. Libanio e Afonso Murad”, demonstra que todo saber tem seu mistério. E no mistério deve-se ser iniciado. O saber teológico vê-se envolvido, mais que qualquer outro, por véu misterioso, por tratar-se, em última análise, de conhecimento a respeito do mistério dos mistérios: Deus. 

E o simples e elucidativo livro de “Jung Mo Sung – DEUS: Ilusão ou realidade? ” Reconhece, ao invés de negar, os questionamentos sobre a existência de Deus e a impossibilidade que muitos sentem de experiência-lo. Falando sobre as injustiças humanas, sobre a desumanização provocada pela sociedade de consumo, o Autor chama a atenção do jovem para a necessidade de uma imagem de Deus feita de amor e solidariedade, para uma religiosidade mais consciente e aberta ao próximo.

Por vezes, ficamos tentando pedir a Deus o que julgamos mais conveniente. Mas devemos entender que, somente confiando em sua Sabedoria e deixando que Ele decida o que é melhor para nossas vidas, encontraremos o caminho para viver na plenitude de seu amor.


Christo nihil praeponere
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