// Estar com Deus

sábado, 17 de maio de 2014

BATISMO INFANTIL! DEVEMOS OU NÃO REALIZÁ-LO?

Sem dúvida, este é um tema muito debatido na teologia.
Num lado, o catolicismo, luteranismo e outras congregações afirmam que sim, devemos batizar nossos pequenos irmãos. No outro lado, os protestantes, que durante a Reforma no século XV desenvolveram a tese de que o Batismo não pode ser ministrado às crianças. Esta novidade foi introduzida pelos Anabatistas. Note que os primeiros protestantes (Luteranos, Presbiterianos, Calvinista e Anglicanos), guardam até hoje o batismo de crianças. Os protestantes afirmam que crianças jã são herdeiras dos céus por causa da sua inocência quando crianças.
Abaixo eu retiro alguns textos de um apologeta, que explana o porque ou não do Batismo.
Cabe aqui salientar que no campo teológico, isto é um debate para muitas análises, exegéticas, hermenêuticas e históricas, não devendo ficar apenas na Sola Scriptura (somente palavra escrita). Lendo este texto, vemos refletir e pedir a direção correta para Deus para com os nossos pequeninos!

Começamos com Mateus 19.
14. Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.

Lendo esse pequeno versículo nós podemos concluir que: Jesus Cristo jamais impediu que as crianças participassem da graça Divina, sendo assim, aqueles que impedem ou não permitem que as crianças participem da graça Divina estão cometendo um sacrilégio contra Jesus Cristo.

Devemos nos ater aos sofistas, filhos da rebelião de Lutero que não permitiam que as crianças participassem da graça Divina do Batismo, ou seja, os protestantes estavam na contra mão das Leis Divinas.

Os argumentos usados pelos protestantes para justificar esse não batismo, são:
  • Uma criança não possui consciência para aceitar Jesus Cristo e receber seu Batismo.
  • Uma criança não possui pecados para serem redimidos e por isso não podem ser Batizadas.
  • A Bíblia não mostra nenhum tipo de Batismo infantil.
Aqui estamos nos atendo somente a Sola Scriptura, mas vamos começar pelo primeiro argumento, onde podemos notar um certo preconceito, se percebe que nesta ideologia protestante, Deus faz acepção de pessoas, ou seja, Deus classifica e separa aqueles que possuem o direito de receber o seu Batismo e aqueles que não possuem qualidade para recebê-lo; o que contraria todas as Escrituras Sagradas.

Eclesiástico 35
15. Nada esperes de um sacrifício injusto, porque o Senhor é teu juiz, e ele não faz distinção de pessoas.
16. O Senhor não faz acepção de pessoa em detrimento do pobre, e ouve a oração do ofendido.
17. Não despreza a oração do órfão, nem os gemidos da viúva.


Agora observem as Palavras Divinas para aqueles que fazem a acepção de pessoas.

Malaquias 2
9. Por isso, eu vos tornei desprezíveis e abjetos aos olhos de todo o povo, porque não guardastes os meus mandamentos e fizestes acepção de pessoas na aplicação da lei.

Não podemos deixar de colocar as palavras de Paulo.

Romanos 2
11. Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas.

Também Tiago Bispo de Jerusalém nos adverte sobre esse sacrilégio.

Tiago 2
9. Mas se vos deixais levar por distinção de pessoas, cometeis uma falta e sereis condenados pela lei como transgressores.


Será mesmo que Deus faz essa distinção ou acepção de pessoas “adultos e crianças” para receber o seu Batismo? Não se pode crer nisto, pois pode ser uma uma total contradição entre os preceitos Divinos.

Bem, esse digamos assim: "sacrilégio protestante" é cometido justamente por uma interpretação das Sagradas Escrituras. Uma das maiores defesas protestantes está embasada em um único versículo totalmente isolado.

Marcos 16
16. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.

Segundo os exegetas protestantes, esse versículo isolado justifica a proibição do Batismo infantil, pois nesse versículo diz: “Quem crer e depois quem for Batizado será salvo”. Então o fato do “Crer” aparecer antes do “Batismo” ninguém poderá receber o Batismo sem Crer no nome de Jesus Cristo, ou seja, na visão humana e material protestante uma criança em sua inocência não possui capacidade de “Crer” por isso está privado de seu Batismo; está ai a caracterização da "acepção de pessoas".

Vamos imaginar se Jesus Cristo tivesse dito assim: “Aquele que comer arroz, feijão e fazer exercícios terá uma boa saúde”. Nesta mesma analogia, ninguém mais poderia fazer exercícios sem antes comer arroz e feijão, até parece loucura, mas é exatamente esse tipo de interpretação que alguns desses exegetas fazem distorcendo as Escrituras Sagradas.

Então vamos levar em consideração a interpretação e mostrar que, mesmo dentro dessa interpretação algo está errado com relação as palavras de Jesus Cristo. Segundo a visão humana e materialista dos protestantes, uma criança não possui em sua inocência a qualificação necessária para crença Divina, então vamos tentar colocar a visão Espiritual dentro das Sagradas Escrituras. Observem as Palavras de Jesus Cristo sobre as “Crianças de Peito”.

Mateus 21
16. Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente, respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor (Sl 8,3)?


Aqui existe uma forte oposição que tenta contrapor com qualquer justificação protestante contra o Batismo infantil. Jesus Cristo foi bem claro ao dizer: “Das Crianças de peito tirastes o vosso louvor”. Em outra tradução está escrito assim: “Das Crianças de peito tirastes o perfeito louvor”.

Olhando do ponto de vista material e humana protestante, uma criança não possui consciência para crença Divina, porém na visão Divina, uma criança de peito possui o perfeito louvor.

Terminando o primeiro argumento concluímos então que podem existir dois erros:
  • Primeiro eles fazem acepção de pessoas (preconceito).
  • Segundo eles retiram o perfeito louvor da inocência das crianças.
No Segundo argumento, uma criança está impedida de receber o seu Batismo por não possuir pecados. Vamos analisar: Um pai e uma mãe chegando para algum pastor protestante e pedindo para esse pastor conceder a Graça do Batismo ao seu filho querido e esse pastor pregando que essa Criança teria que cometer um pecado primeiro, se não ela não teria o direito de ser Batizada?

Neste caso, deveríamos pensar em duas perguntas: Qual pecado Jesus Cristo cometeu para ser batizado? E se meu filho não cometer nenhum pecado em sua vida terrena estará privado do Batismo e da Salvação?

Cria-se uma certa intolerância dentro da sã doutrina poder imaginar Deus querendo que alguém cometa pecados para participar da Graça Divina (Batismo). Quem gosta do pecado se chama Lúcifer e não Jesus Cristo.

Vamos voltar à introdução do tópico de Mateus 19
14. Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.
Temos que observar duas coisas nesse pequeno versículo; primeiro Jesus Cristo pede para não impedir que as crianças cheguem até a ele, sabendo que o Espírito Santo é o consolador (Presença Divina) até a volta de Jesus Cristo, não podemos impedir que uma criança chegue até o Espírito Santo de Deus, isso é bem lógico. Segundo, Jesus Cristo diz que o Reino dos Céus é para aqueles que se “assemelham a uma criança”, ou seja, não é uma criança que precisa se tornar um adulto para receber o seu Batismo e sim um adulto que precisa se tornar como uma criança para assim receber o seu Batismo.

Um adulto, que em sua infância não pode receber o seu Batismo, porque não existia o Batismo como era o caso dos primeiro Cristãos, precisam voltar a possuir a inocência e a pureza de uma criança para receber o seu Batismo, ou seja, precisas se arrepender de seus pecados.

Uma criança que já nasceu dentro do berço Cristão e por consequência da sua inocência já possui a pureza em seu coração junto de seus perfeitos louvores. Logo, ela tem todo o direito de receber o seu Batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; assim da mesma forma que Jesus Cristo pediu para deixar ir a ele as crianças também devemos deixá-las irem até o Espírito Santo de Deus que nos consola até a volta de Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo.

Observem as palavras de Pedro:

Atos 2
38. Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.

Nesse texto Pedro rebate fortemente a teoria protestante.

Primeiro ele pede para que os pais se arrependam e sejam Batizados.

Segundo ele diz que a promessa do Batismo é para os pais e seus filhos e todos aqueles que são chamados, ou seja, é para um pai de família se arrepender e voltar ter a pureza de uma criança, se Batizar, e depois Batizarem seus filhos também, pois a promessa não foi feita apenas para os adultos, a promessa foi feita para os adultos e para as crianças que também foram chamadas por Jesus Cristo.

Não podemos deixar de relatar outras grandes importâncias do Batismo, pois além de ser uma Graça Divina o Batismo é um selo da Nova Aliança, ou seja, quem é Batizado está selado como membro da Nova Aliança assim como era a circuncisão no (AT). Paulo deixa bem claro que o Batismo veio para substituir a circuncisão. 

Colossenses 2
11. Nele também fostes circuncidados com circuncisão não feita por mão de homem,mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento do nosso ser carnal.
12. Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos.


Nesse texto Paulo deixa bem claro que o Batismo no (NT) e o selo da Nova Aliança assim como era a circuncisão no (AT). Sendo assim, jamais poderemos negar o Batismo a uma criança, pois a circuncisão era concedida aos filhos dos Judeus no oitavo dia de seu nascimento.

Outra grande importância é a purificação do “pecado original ou pecado de morte de Adão”, Paulo no livro de Romanos explica que todo o gênero humano herda o pecado original de Adão no momento de seu nascimento.

Romanos 5
12. Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram...

Toda a Criança nasce pagã e herda essa mancha de pecado, isso é fato, no entanto todo o gênero humano necessita da salvação desse pecado e Paulo no próximo capitulo do mesmo livro nos ensina a como imputar esse “pecado original”.

Romanos 6
3. Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?
4. Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova.
5. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição.
6. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado.


Concluído, Paulo nesses dois textos explica que todo o homem nasce manchado pelo “pecado original”, ou seja, todo o homem nasce ADÃO privado do paraíso. Através do “Batismo” esse homem, que nasceu com a mancha de Adão e privado do paraíso, morre e renasce um novo homem, agora o homem reconciliado com Deus e não mais privado do paraíso, sem a mancha do pecado original e totalmente puro para entrar no mundo segundo a Graça Divina.

Sendo assim, uma criança sem Batismo é:
  • Uma criança manchada pelo pecado original.
  • Sem o selo da Nova Aliança.
  • Privada do paraíso.
  • Não reconciliada com Deus.
Alerta-se aqui para que o pai e a mãe pela ignorância adquirida, negam o Batismo a seus filhos. Na Bíblia Sagrada há uma condenação para esse tipo de sacrilégio e essa condenação é:

Prestem a atenção nas palavras de Jesus Cristo.

Mateus 18
6. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim,melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.

Observem: o homem que faz uma criança cair no pecado, é melhor morrer afogado e agonizando no fundo do mar. Você pode até me perguntar: o que isso tem a ver com o Batismo? Eu respondo: o pai e a mãe que privam seus filhos do Batismo e os deixam no “pecado original” um pecado não cometido, porém é um pecado contraído, pagarão por isso; negar a Graça Divina do Batismo a seus filhos é deixá-los permanecer com esse pecado e sendo seus pais os responsáveis por seus filhos, serão os pais que receberão o castigo caso aconteça algo com seus filhos.

É exatamente por causa do “pecado original” (pecado esse que priva o homem do paraíso), que Jesus Cristo diz a Nicodemos:

João 3
3. Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.
4. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?
5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
6. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
7. Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.


Jesus Cristo foi bem claro, quem não nascer de novo (Água e Espírito) não poderá entrar no Reino de Deus, ou seja, está privado do paraíso. (Ele não faz aqui distinção de adultos e crianças).

Por que estará privado do Reino de Deus? Simples: por que todo o gênero humano nasce manchado pelo pecado original ou pecado de Adão.

E como renascer na Água e no Espírito? Simples: através do Batismo.

Para entrar no Reino de Deus é necessário nascer de novo, seja uma criança ou um adulto.

O terceiro argumento, os protestantes alegam que não Batizam as crianças simplesmente por que nas Escrituras Bíblicas não aparece explicitamente uma criança sendo Batizada, então eles concluíram que os Apóstolos negavam o Batismo as crianças, neste caso, mais uma vez, ficamos na Sola Scriptura (leitura morta, apenas leitura) então os protestantes não podem mais ler as suas bíblias e devem deixar de usa-las, pois não existe um versículo onde um Apostolo diz usar uma Bíblia, ou deixarão de acreditar que o Discípulo Amado era João, pois não existe um só versículo que afirme ser João o Discípulo Amado.

Bem, voltando ao assunto, para entender os Escritos Bíblicos, temos que levar em consideração a época e a cultura em que esses livros foram escritos, os Escritos Bíblicos contam a historia Apostólica até 70 D.C, é lógico que uma Igreja nascente entre 30 a 40 anos de vivencia poucas pessoas já eram Batizadas, por isso a grande quantidade de relatos dos adultos sendo Batizados, a Igreja estava nascendo, era normal que os primeiros Batizados fossem os adultos principalmente o “pai” que era a coluna da família.  Historicamente e logicamente falando, jamais os Apóstolos iriam Batizar uma criança no qual seus pais não eram convertidos e não eram Batizados, por esse motivo os primeiro relatos Bíblicos dão ênfase ao Batismo dos pais e como diz Pedro em (Atos 2-,38,39) ele pede para que os pais se Batizem e depois Batizem os seus filhos.

Outra consideração a fazer é a questão cultural no qual os livros Bíblicos foram escritos. Dentro da cultura Hebraica o “pai” era o alicerce da casa, A palavra "casa" ("domus", em latim; "oikos", em grego) designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças. Ou seja, o ênfase da família geralmente era em torno do “pai” (figura masculina) é só observar a genealogia de Jesus Cristo e ver que Mateus o fez levando em consideração a descendência dos pais (figura masculina) o mesmo se da em torno do Batismo, podemos não ler claramente na Bíblia uma criança sendo Batizada, porém encontramos nos livros Bíblicos vários textos onde diz que: “O pai foi batizado e depois TODA a sua família”.

Por ex: temos o famoso caso do carcereiro da Macedônia.

Atos 16
31. Disseram-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.
32. Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa.
33. Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas.Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.

Foi Batizado ele (o carcereiro) e TODA a sua família, meus irmãos, temos que entender melhor o significado dessa palavra (TODA).

Vamos pegar o verso 33 no grego (versão: The Greek New Testament according to the Byzantine Textform, edited by Maurice A. Robinson and William G. Pierpont, 2000 edition)

"33 και παραλαβων αυτους εν εκεινη τη ωρα της νυκτος ελουσεν απο των πληγων και εβαπτισθη αυτος και οι αυτου παντες παραχρημα".

O verbo παντες (PAS que incluí todas as formas de declinação; TDNT - 5:886,795; adj
1) individualmente 
1a) cada, todo, algum, tudo, o todo, qualquer um, todas as coisas, qualquer coisa
2) coletivamente 
2a) algo de todos os tipos
... “todos o seguiam” Todos seguiam a Cristo? “Então, saíam a ter com ele Jerusalém e toda a Judéia”. Foi toda a Judéia ou toda a Jerusalém batizada no Jordão? “Filhinhos, vós sois de Deus”. “O mundo inteiro jaz no Maligno”. O mundo inteiro aqui significa todos? As palavras “mundo” e “todo” são usadas em vários sentidos na Escritura, e raramente a palavra “todos” significa todas as pessoas, tomadas individualmente. As palavras são geralmente usadas para significar que Cristo redimiu alguns de todas as classes — alguns judeus, alguns gentis, alguns ricos, alguns pobres, e não restringiu sua redenção a judeus ou gentios ... (C.H. Spurgeon de um sermão sobre a Redenção Particular)

Reforça que TODOS, são todas as pessoas que estavam ali, naquele lugar.

Vamos pensar um pouco. Se eu possuo 20 copos e entre eles existem alguns que são grandes, outros médios e outros pequenos e digo: “TODOS os copos estão cheios de água”, é porque todos eles sem exceção estão cheios de água, é simples, tanto os grandes quando os pequenos receberam a sua quantidade de água até estarem completamente cheios; o mesmo acontece com o texto Bíblico citado, se no texto diz que TODA a família do carcereiro foi Batizada é porque todos sem exceção foram Batizados, seja adultos, crianças ou recém nascidos.

Se o Batismo infantil fosse proibido com certeza haveria alguma citação Bíblica relatando tal proibição, no texto citado, Lucas teria feito a exceção dizendo: “Foi Batizado ele e todos os adultos de sua família”.

Agora vamos aqui colocar alguns escritos dos Pais da Igreja Primitiva.

Orígenes (185-255).

Escreve: “A igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos”. (Epist. ad Rom. Livro 5,9).

Cipriano (258 d.C).

Escreve: “Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças “. (Carta a Fido)


Para conclusão final, notamos que este tema é muito debatido entre vários: cristãos de doutrinas diferentes, teólogos, exegetas, hermeneutas, ateus e outros. Mas devemos nos ater a certos fatos.
Vamos sempre analisar as escrituras no contexto histórico e hermenêutico, pois estas escrituras, conforme texto acima foram escritas há muito tempo atrás e depois de Cristo.
Não podemos apenas pegar um livro e dizer: "ESTÁ ESCRITO ASSIM E PRONTO". Isto ou é relativismo ou fundamentalismo em demasia. O que devemos fazer é sempre questionar o correto das escrituras, saber realizar uma boa interpretação da mesma. Não entrar na batalha do dogma e principalmente, deixar Deus falar aos nossos corações.

Christo Nihil Praeponere.

sábado, 3 de maio de 2014

PEDIR O AUXÍLIO DE DEUS NA CERTEZA DE RECOBRAR A GRAÇA.

Dias atrás, eu estava muito preocupado com certos acontecimentos em minha vida pessoal e profissional.
Coisas do dia a dia que abalam o ser humano. Como bom cristão, que crê que Deus está no comando, espero sempre algo do criador, afinal somos filhos do todo poderoso, do Deus da graça, da misericórdia, sabedoria e principalmente de nossas vidas.
Com isto fui meditar num livro que gosto muito e aconselho a todos que o tenham em sua biblioteca para de vez em quando passarem os olhos nele e receberem a palavra forte de Deus com enorme embasamento Bíblico. O Livro chama-se Imitação de Cristo de Tomás de Kempis. 
A imitação de Cristo é um dos livros mais expressivos da espiritualidade cristã. Escrito por Tomás Hemerken, conhecido como Tomás à Kempis (1379-1471), monge holandês dos irmãos da via comum, na região de Zwolle, Holanda, esteve presente nas mãos de vários cristãos até a metade do século passado.

A palavra me passado foi esta que compartilho com vocês agora.

1. Filho, eu sou o Senhor, refúgio nas horas mais difíceis (Naum 1,7).
Vem a mim, se não te sentes bem.
Não recorrer imediatamente à oração é um dos maiores obstáculos à consolação divina.
Na verdade, só oras depois de ter ido procurar apoio em outras pessoas ou coisas exteriores.
Mas com pouco proveito, enquanto não percebes que sou eu quem liberto os que em mim esperam e que fora de mim não há conselho válido ou útil nem remédio que cure para sempre.
Depois da tempestade, porém, desde que volta o espírito, convalesces sob a ação de minha misericórdia, pois estou sempre pronto a restaurar íntegra, abundante e completamente todas as coisas, diz o Senhor.

2. Existe alguma coisa difícil para mim? (Jr 32,27), serei daqueles que falam mas não fazem?
Onde está a tua fé?
Sê firme e perseverante!
Magnânimo e forte! A consolação virá a seu tempo.
Conta comigo, espera.
Virei te curar.
Teu mal estar é tentação e é vão o temor que te assalta.
De quem serem as preocupações a respeito do futuro incerto, senão para te trazer tristeza em cima de tristeza?
A cada dia basta o seu mal (Mt 6,34).
Que sentido tem sofrer ou se alegrar com um futuro que talvez nem aconteça?

3. É humano iludir-se com vãs expectativas, mas é também sinal de debilidade de quem se deixa facilmente enganar pela sugestão do inimigo.
É procurar discernir a verdade da ilusão enganosa e adorar mais as coisas presentes do que as eternas.
Não se perturbe, nem se atemorize o teu coração (Jo 14,27).
Crê em mim e confia na minha misericórdia.
Muitas vezes pensas que estou longe, mas estou muito perto de ti.
Pensas que tudo está perdido, no momento preciso de merecer o prêmio.
Na adversidade, nem tudo está perdido.
Não julgues segundo o teu sentimento presente, nem atribuas peso absoluto ao que te acontece ou é por ti acolhido, como se não houvesse mais nenhuma esperança de mérito.

4. Não te julgues abandonado de todo, por eu ter permitido que passes por alguma tribulação.
É assim que sevai ao reino dos céus.
Mais te convém, como aos meus outros servos, exercer-te nas adversidades em lugar de viver sempre segundo tua própria vontade.
Sei o que se passa no intimo de cada um. Para sua salvação é melhor que caminhes, às vezes sem nada sentir, para que não te glories com o próprio sucesso nem te satisfaças com o que de fato não és.
Sou livre de turar e depois restituir tudo que dei.
Dou o que é meu e não tiro do teu, pois é meu todo dom precioso e toda a dádiva perfeita (Tg 1,17).

5. Sete envio algum sofrimento ou tribulação não te impacientes nem desanime teu coração, pois posso sempre retirá-los e transformar em alegria todo sofrimento.
De todo modo, sou justo e digno de toda consideração quando te trato dessa forma.

6.  Se fores reto e tiveres sempre me mente a verdade, não haverá porque te entristecer com a adversidade, mas antes, alegra-te e agradece. A única alegria verdadeira, aliás, é estar comigo na aflição e na dor.
- Como o pai me ama, assim também eu vos amo (Jo 15,9), disse a meus diletos discípulos, os quais enviei não para alegrias terrenas, mas para grandes combates; não em busca da honra, mas do desprezo; não para o lazer, mas para o trabalho; não para a tranquilidade, mas paratudo suportar com paciência.
Lembra-te sempre, filho, dessas palavras.

Christo Nihil Praeonere.

INTERPRETAR A VIDA A PARTIR DA SAGRADA ESCRITURA

Para Base do texto, usamos as seguintes leituras: Atos 2,14a.22-33; 1Pedro 1,17-21; Lucas 24,13-35.

Existem acontecimentos que varrem para longe de nós a fé, enterram a nossa esperança e apagam o fervor do nosso coração. Existem acontecimentos que parecem destruir dentro de nós a imagem que temos de Deus, de que Ele é um Pai amoroso e misericordioso, que cuida de nós e que se importa conosco. Existem acontecimentos que nos tiram de Jerusalém e nos fazem caminhar para Emaús, isto é, que nos fazem abandonar nossos ideais e nossos sonhos, porque a presença da cruz acaba nos convencendo de que não adianta esperar por grandes mudanças ou grandes transformações em nossa vida.

Mas aquilo que apaga a nossa fé, sepulta a nossa esperança e torna frio o nosso coração não é este ou aquele acontecimento ruim, e sim a forma como nós o interpretamos. O que fez os dois discípulos deixarem Jerusalém e caminharem para Emaús foi o fato de eles não conseguirem encontrar uma explicação para o que aconteceu com Jesus. Certamente, há muitas coisas para as quais você ainda não encontrou explicação na sua vida, coisas que vão precisar de tempo para serem entendidas e assimiladas por você. Mas também é verdade que há coisas para as quais você não quer encontrar explicação porque isso acabaria revelando a sua parcela de responsabilidade no que aconteceu. 

Justamente porque a dor não é causada pelo sofrimento em si, mas pela forma como nós o interpretamos e como lidamos com ele, Jesus ressuscitado entrou na dor dos dois discípulos e os ajudou a interpretá-la à luz da Sagrada Escritura (cf. Lc 24,27). Pedro fez a mesma coisa no dia de Pentecostes: recorreu às Escrituras – especificamente ao salmo 16 – para falar da morte e da ressurreição de Jesus (cf. At 2,23-31). Qual é o seu contato com a Bíblia? Com que frequência você a lê? Existe algum aplicativo no seu celular ou no seu tablet que coloca você em contato com a Palavra de Deus? Quantos de nós precisamos daquele puxão de orelhas que Paulo deu à comunidade de Corinto, quando disse: “Alguns dentre vós tudo ignoram a respeito de Deus” (1Cor 15,34)?

A Sagrada Escritura não nos oferece respostas prontas para todas as nossas perguntas. Ela nos ajuda a interpretar os acontecimentos à luz do plano que Deus tem para cada um de nós, de forma que nós possamos dizer com o salmista: “Meu destino está seguro em vossas mãos... Vós me ensinais vosso caminho para a vida...” (Sl 16,5.11). Foi relembrando aos discípulos trechos da Bíblia que Jesus esclareceu que Ele devia sofrer o que sofreu para entrar na sua glória (cf. Lc 24,26). Portanto, sempre que você estiver na desolação, recorra à Palavra de Deus, para que ela o(a) ajude a interpretar corretamente o seu sofrimento e lhe dar a verdadeira consolação que vem de Deus.

O diálogo de Jesus com aqueles dois discípulos lhes devolveu o ânimo, a fé e a esperança, traduzidos nessas palavras: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32). Há muitas cinzas no coração de cada um de nós, cinzas de sonhos e de esperanças que foram aparentemente queimados, destruídos, pela forma como interpretamos o que nos aconteceu e pela forma como lidamos com aquele sofrimento. Deixemos com que o sopro do Espírito Santo, que inspirou cada profecia da Sagrada Escritura (cf. 2Pd 1,21), varra para longe as cinzas que encobrem as brasas que ardem no mais profundo de nós, para que recobremos a fé, a esperança, a alegria e o sentido de viver e de caminhar com Cristo. Hoje, o nosso pedido ao Senhor ressuscitado é o mesmo dos discípulos de Emaús: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” (Lc 24,29). Fica conosco, Senhor Jesus, quando caminhamos na vida como que cegos, sem enxergar a Tua presença junto a nós! Fica conosco, e com a luz da Tua palavra, ajuda-nos a interpretar corretamente os acontecimentos que nos atingem. Fica conosco, pois a noite se estende sobre a humanidade: a noite das guerras, dos conflitos e da violência; a noite do desemprego, da fome e da miséria; a noite da migração forçada, da inimizade e da separação das famílias. Fica conosco, Senhor Jesus, e devolva o ardor da fé ao nosso coração!

“Jesus entrou para ficar com eles”, e quando, sentado à mesa, “tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía... os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles” (Lc 24,29-31). Os mesmos discípulos, que estavam como que cegos e não reconheceram Jesus que caminhava com eles, voltaram para Jerusalém e disseram aos outros discípulos “como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão” (Lc 24,35). Nós reconhecemos Jesus na Eucaristia, ou ela se tornou um rito tão repetitivo e tão monótono, que precisamos que Jesus se manifeste de outras formas para que possamos reconhecê-Lo?

Para terminar, é urgente refletir sobre essa atitude de Jesus ser reconhecido “ao partir o pão” também a partir do ponto de vista social: “O mundo de hoje reconhece o Cristo quando os cristãos sabem verdadeiramente ‘partir o pão’, (o que significa assumir)... um compromisso de justiça, de solidariedade, de defesa daqueles cujo pão é roubado pelas injustiças dos homens e dos sistemas sociais errados”

Uma adaptação do texto do Pe. Paulo Cesar Mazzi.
Fonte: http://padrepaulomazzi.blogspot.com.br/

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Para meditarmos!

Vivemos num ciclo.

Este ciclo se comporta de acordo com a sociedade e com a sua vida monótona, com as coisas do dia a dia.

Passamos por fases na nossa vida, Infância, Adolescência, e por fim nos tornamos adultos.

Neste processo, fazemos coisas rotineiras, tipo, quando crianças, nos acordamos cedo, tomamos nosso café e vamos para a escola. De volta, ao nosso horário de almoço, fazemos as nossas refeições descansamos, estudamos e assim seguimos os nossos dias.

Quando adultos instruídos e formados, sabemos que precisamos trabalhar, crescer profissionalmente, assumir as nossas responsabilidades e dentre outras coisas, nos divertir.

Neste processo todo, criamos em nós um senso crítico, uma espécie de termômetro e relógio que começa a nos orientar para as coisas que devemos fazer.

Então, fechamos um ciclo, um ciclo que se não tomarmos cuidado, pode ser vicioso.

Acordamos, trabalhamos, interagimos, almoçamos, interagimos, trabalhamos, e por fim, interagimos e nos divertimos. No final, no outro dia recomeçarmos tudo novamente.

Como em uma indústria, cria-se um modelo de produção, totalmente viciado e metódico, passando assim por anos e anos.
Porém, cabe aqui salientar que a nossa educação, o nosso conhecimento, nos cria portas para mudarmos estes conceitos.

Somos seres livres, pensantes, criaturas de Deus, que tem afinidades, dons e pensamentos.

Não podemos nos ater a educação massiva de hoje, que começa a inflar em nós, e principalmente em nossos jovens, bobagens e imagens que simplesmente trocam todos os valores morais e sociais.

Precisamos de cultura, precisamos de educação.

Poderíamos muito bem, trazer programas educativos, que adicionam alguma coisa ao nosso intelecto. Programas educacionais, do tipo tele-curso segundo grau, para horários nobres, e não as primeiras horas da manhã onde ninguém esta assistindo, a não ser aquele trabalhador que tem que madrugar para poder chegar ao seu trabalho e necessita verdadeiramente daquela informação para aumentar o seu status em sua escalada de vida, ou as pessoas, desempregadas, desiludidas ou desamparadas, que ficam acordadas a noite, completamente sem nexo, esperando que aconteça alguma coisa em suas vidas.

Poderíamos colocar programas mais educativos em nossos meios de comunicação, ao invés de programas loucos que falam sobre fofocas de celebridades, destruição de sociedades, guerras, massacres, etc.

Devemos trocar estes programas sem conteúdo, que incitam sexo, roubo, são difamadores, produzem noticias sensacionalistas que geram dúvidas e críticas da opinião pública e se preocupam apenas com uma coisa, gerar IBOPE, por programas mais inteligentes.

A maioria dos programas de hoje, demonstram apenas as coisas ruins do dia a dia, noticias drásticas e cruéis para os olhos de uma sociedade.

Com isto, a sociedade pensa cada vez mais em vingança, se esquece de analisar o contexto social, político e humano o que está acontecendo verdadeiramente.

É mais fácil condenar alguém para a morte do que pensar realmente o que está acontecendo com a nossa sociedade.

O Brasil, por se tratar de um país com baixo índice de educação, estes falsos programas iludem as pessoas e criam fantasias nas mesmas, tirando os seus sonhos reais, criando fantasias inalcançáveis, e principalmente, destruindo as conquistas das nossas realizações.

Precisamos mudar, precisamos crescer, precisamos ter certeza de que o nosso ciclo vai mudar. Na hora do trabalho, trabalho árduo, justo, compensador e saudável. Na hora do divertimento, divertimento saudável, e na hora de aprendermos, educação e cultura sadia. Enfim aprimorar a política de qualidade de vida, tratando as pessoas como elas devem ser tratadas.

Por último, precisamos também, repensar a pressão social moderna do individualismo e do crescimento próprio, que cria a exclusão dos menos afortunados, resultando aos mesmos, indignação, responsabilidade social afetada, e inferioridade na sociedade.
Precisamos mudar este quadro, precisamos de educação e de discernimento do que realmente estamos fazendo nesta nossa sociedade.


Talvez, em próximo artigo, eu fale mais sobre as causas do individualismo moderno, de onde podemos tirar que o espetáculo não pode parar!

sábado, 7 de dezembro de 2013

O QUE SÃO FRANCISCO DIRIA AOS JOVENS DE HOJE

Meus queridos jovens, irmãos e irmãs.

Alegro-me que o Papa Francisco que leva meu nome entrá entre vocês.
Ele quer propor a toda Igreja o sonho que eu vivi em Assis há mais de 800 anos com meus companheiros e minha querida amiga Clara: uma vida segundo o evangelho de Jesus, na simplicidade, na pobreza voluntária, na sobriedade compartida, amando a todos, especialmente os mais pobres, e considerando a todos os seres da natureza como meus irmãos e irmãs.

Deixem-me que me transporte para o vosso tempo e lhes diga o que o Espírito de Deus me inspirar.

Amar e cuidar da Mãe Terra.
Em primeiro lugar lhes suplico: amem e cuidem da irmã e Mãe Terra. Ela está doente e com febre. Já há muito tempo que a estamos superexplorando. Para repor o que lhe tiramos num ano ela precisa de um ano e meio. Para vocês do Brasil a Terra lhes entregou talvez a herança mais preciosa: A Floresta amazônica, a abundancia de água doce, a diversidade dos seres vivos e a grandes extensos solos férteis. Guardai essa herança para vossos filhos e filhas e toda a humanidade.

Devemos urgentemente fazer uma aliança global e cuidar da Terra e uns dos outros, caso não quisermos conhecer grandes dizimações que afetarão toda a comunidade de vida. Corremos, portanto, grande risco. Mas se assumirmos uma responsabilidade solidária em um comportamento de cuidado com tudo o que existe, poderemos escapar desta tragédia. E vamos escapar.

Estar do lado dos pobres e oprimidos.
Muitos filhos e filhas da Mãe Terra, irmãs e irmãos de vocês, são pobres e passam fome. Milhões foram tirados da pobreza e podem ter uma vida minimamente digna. Mesmo assim, há tantos caídos nas estradas, por causa das doenças, das drogas, da falta de um teto. Sejam o bom samaritano que se curvou diante deles e os ajudou a se levantar. Jesus continua crucificado nos crucificados deste mundo. Precisamos baixá-lo da cruz e faze-lo ressuscitar.

Resgatar os direitos do coração.
Há uma coisa que me vem do fundo do meu coração e que preciso dizer-lhes: temos que mudar a nossa mente e o nosso coração.

Mudar a mente para olhar a realidade com outros olhos. Os estudiosos hoje nos comprovam que a Terra é viva e não apenas algo morto e sem propósito, uma espécie de baú de recursos ilimitados que podemos usar como queremos. Eles são limitados, como a energia fóssil do carvão e do petróleo, a fertilidade dos solos e as sementes. Precisamos poupar estes bens e serviços para que sejam suficientes para nós e para as futuras gerações.

Os astronautas, lá da lua ou de suas naves espaciais, nos testemunharam: Terra e Humanidade são inseparáveis; formam uma unica entidade, indivisível e complexa. Por isso, nós seres humanos, somos aquela porção da Terra que sente, que pensa, que ama e que venera. Somos Terra e tirados da Terra como nos dizem as primeiras páginas da Bíblia. Mas recebemos uma missão unica, a de cuidar e guardar todas as bondades naturais. Somos os guardiães da herança que Deus e o universo nos confiaram para que possam durar e atender as nossas necessidades e as de nossos filhos e netos.

Além da mente devemos mudar também o nosso coração. O coração é o lugar do sentimento profundo, do afeto caloroso e do amor sincero. O coração é o nicho de onde crescem todos os valores. Precisamos resgatar os direitos do coração.

Junto com a razão intelectual que vocês tanto exercitam na escola, no trabalho e na condução da vida, existe a inteligencia cordial e sensível. Só com a razão intelectual sem a razão cordial não vamos sentir o grito dos pobres, da Terra, das florestas e das águas. Sem a razão cordial não nos movemos para ir ao encontro dos que gritam e sofrem para socorre-los, oferecer-lhes um ombro e salva-los.

Por isso, meus queridos jovens, vocês que naturalmente são sensíveis para os grandes sonhos e para o voo da águia na direção das alturas, cultivem um coração que sente, que se comove, que não tem vergonha de chorar diante do demasiado sofrimento de muitos irmãos e irmãs.

Aprender a habitar de maneira diferente a Terra.
Mais uma coisa gostaria de dizer-lhes confiadamente: importa inaugurarmos uma nova maneira de habitar o planeta Terra. assim como estamos, não podemos continuar. Até agora habitávamos dominando com o punho fechado e submetendo tudo ao nosso interesse. Sonhávamos comum progresso ilimitado. Hoje estamos conscientes de que a Terra, pequena e limitada, não aguenta um projeto ilimitado. Encostamos nos seus limites. Porque continuamos a forçar estes limites, a Terra responde com tufões, enchentes, secas, terremotos e tsunamis. Temos que mudar, se quisermos sobreviver.

No lugar do punho fechado devemos ter a mão aberta para o cuidado essencial, para o entrelaçamento dos dedos numa aliança de valores e princípios que poderão sustentar um novo ensaio civilizatório. Nele, o centro será ocupado pela vida da natureza, pela vida humana e pela vida da terra. A economia e a política estarão a serviço mais da vida do que do mercado e do lucro.

A mudança começa por vocês.
Caros jovens: sejam vocês mesmo a mudança que querem para os outros. Comecem vocês mesmos a viver o novo, respeitando cada um dos seres da natureza, cada planta, cada animal, cada paisagem, porque eles possuem um valor em si mesmo, independente do uso racional que fizermos deles, São nossos irmãos e irmãs. Com eles fundaremos uma convivência de respeito, de reciprocidade e de mutua ajuda para que todos possam continuar vivos neste planeta, também os mais vulneráveis para os quais devotaremos mais cuidado e amor.

Resistam à cultura da acumulação e do consumo. Vivam uma sobriedade compartida; façam a experiência de que com menos poderão ser mais, livres e felizes.

Mantenham sempre viva dentro de vocês a chama sagrada.
Por fim, caros jovens, irmãos e irmãs meus queridos: nada disso tudo que refletimos terá eficácia, se não misturarmos Deus em todos os nossos empreendimentos. Dentro de cada um de vocês queima uma brasa viva e arde uma chama sagrada: é a presença misteriosa e amorosa de Deus. Ele emerge de forma sensível no fenômeno do entusiasmo, tão forte na idade de vocês. Entusiasmo significa ter um Deus dentro: é o Deus interior, Deus companheiro e amigo, Deus de amor incondicional.

Reservem cada dia um momento para pensar nele, conversar com ele, queixar-se com ele e chorar diante dele e dirigir-lhe uma súplica. Às vezes não digam nada. Coloquem-se apenas em silêncio diante dele. Ele poderá lhes falar e lhes suscitar bons sentimentos e luminosas intuições. Nuca abandonem Deus, porque Ele nuca os abadona e abandonará. Vivam como quem se sente na palma de sua mão.

Deus é o "soberano amante da vida" e o nosso grande aliado.
Desde que o Filho de Deus por Jesus assumiu a nossa humanidade, ele assumiu também uma parte do cosmos, da Terra e dos elementos do universo. Portanto, estes já foram divinizados e eternizados. Nunca mais serão ameaçados. Mas nós podemos colocá-los em risco de extinção. Consolam-nos, entretanto, as palavras da revelação que nos dizem que Ele, Deus, é "o soberano amante da vida" (Sab, 11,24). Ele sempre ama tudo o que um dia criou. Não se esquece de nenhuma criatura que nasceu do seu coração. Por isso, confiemos todos, que Ele vai aliviar a vida dos pobres, atender o grito da nossa querida Mãe Terra e garantir o futuro da vida que é o futuro de vocês todos.

Não desperdicem o tempo, porque ele é urgente. Desta vez não podemos chegar atrasados nem cometer erros, pois corremos o risco de não termos volta nem forma de correção dos erros cometidos. Mas não percam o entusiasmo nem esmoreça a alegria do coração. A vida sempre triunfa porque Deus é vivo e nos enviou Jesus que disse: "Eu vim para trazer vida e vida em abundancia".

Era o que queria, do fundo de meu coração, lhes falar.

Por fim, faço-lhes um pedido muito especial: rezem, apoiem, colaborem com o Papa que leva o meu nome, Francisco. Ele vai restaurar a Igreja de hoje como eu tentei restaurar a Igreja do meu tempo. Sem a ajuda de vocês, se sentirá fraco e terá grades dificuldades. Mas com o entusiasmo e o apoio de vocês, nos seus grupos e movimentos, ele vai cumprir a missão que Jesus lhe confiou: de confirmar a todos na fé e na esperança e de conferir um rosto confiável a nossa Igreja. Com vocês ele será forte e irá conseguir.

Agora, antes de nos despedirmos, lhes darei a benção que um dia dei ao meu intimo amigo Frei Leão, a ovelhinha de Deus:

Que Deus vos abençoe e vos guarde.
Que Ele mostre a sua face e se compadeça de vós.
Que devolva o seu rosto para vós e vos dê a paz.
Que Deus vos abençoe.
Paz e Bem.

Francisco,
O Poverello e Fratello de Assis.

Leonardo Boff *
C.P. 92144
25750-970 Petrópolis, RJ
e-mail: lboff@leonardoboff.com


* Por muitos anos o Autor foi professor de teologia na atual Faculdade de Teologia do Instituto Teológico Franciscano, de Petrópolis, e é autor de: Francisco de Assis: ternura e vigor (Vozes-CEFEPAL/1981) e Francisco de Assis e Francisco de Roma (Mar de Ideias/2013), de onde foi tirado este texto.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ainda vale a pena ler "A Imitação de Cristo"?

O livro "A Imitação de Cristo" foi um dos mais traduzidos no mundo. Alguns dizem que entre os livros religiosos, depois da Bíblia, ele foi o mais traduzido. Escrito antes da invenção da imprensa, é de surpreender que milhares de cópias estavam espalhadas pelas bibliotecas da Europa.

Apesar de sua popularidade, não se tinha conhecimento de quem o escrevera, de seu autor. Não é de se admirar, pois no Capítulo II lê-se: "estima ser ignorado e tido em nenhuma conta" ou no original em latim: "ama nesciri et pro nihilo reputari". O Capítulo V adverte os leitores a não procurar quem disse, mas a prestarem atenção ao que foi dito: "non quaeras quis hoc dixerit: sed quid dicatur attende", ou seja, não importa quem escreveu "A Imitação de Cristo", mas tão somente a sua mensagem.

Todavia, como a pergunta é se ainda vale a pena lê-lo, saber quem o escreveu pode ser de alguma valia. Conforme os estudos dão conta, foi escrito pelo padre Thomas Hemerken, nascido na cidade alemã de Kempen que, ao ser colocada na forma latina torna-se Kempis, assim diz-se que o livro foi escrito por "Thomas de Kempis".

Kempen ou Kempis estava localizada na região da fronteira com a Bélgica e a Alemanha atuais, na área de cultura conhecida como flamenga, ou seja, holandesa. Naquela área surgiu o movimento denominado devotio moderna para contrapor a devotio antiqua em voga. A devotio antiqua era praticada por um clero decadente, o qual não punha mais o próprio coração nas celebrações litúrgicas e nas práticas devocionais. Lembrando que se trata do século XV, pouco antes da Revolução Protestante. Além disso, apresentava uma mística intelectualizada, mais preocupada com questões abstratas que com as dificuldades cotidianas. Ela era praticada sobretudo na região do Rio Reno e seu representante mais ilustre foi o dominicano Mestre Eckhart, mais tarde acusado como herege e que teve parte de seus escritos condenados. Por fim, ela apresentava uma ascese inalcançável. As pessoas se propunham penitências dificílimas, iam em busca de heroísmo ascéticos tão terríveis que se tornava impossível cumpri-las.

Nesse cenário, surgiu a devotio moderna propondo que sacerdotes e religiosos empenhassem o coração no culto a Deus, saindo do automatismo. Para fugir da intelectualidade exacerbada, centralizaram a devoção em Cristo. Ela rapidamente se tornou popular, pois, além de cristocêntrica, oferecia a todos práticas de penitência e de mortificação mais acessíveis.

Assim, Thomas de Kempis encontrou campo fértil para escrever a belíssima obra "A Imitação de Cristo" que traz orientações práticas para a vida do fiel. O livro é divido em capítulos (ou fichas) independentes, ou seja, cada um possui começo, meio e fim, portanto, pode ser lido de modo autônomo. Isso justifica o tradicional costume de se fazer uma oração e abrir o livro aleatoriamente. Sua característica é colocar o fiel em contato com Cristo, ajudando-o em seu processo de conversão, o qual exige uma ruptura com o mundo. Justamente nesse ponto a obra é criticada, pois a separação do mundo que ele sugere faz com que seja tachado de individualista, ou seja, com uma espiritualidade desencarnada, fora do mundo real.

No entanto, é possível superar esse obstáculo, esse efeito colateral de tão excelente remédio, recordando que o livro foi escrito para monges, ou seja, pessoas que já viviam apartadas do mundo. Para tanto, basta adaptá-lo ao dia a dia. Apesar disso, não deixa de ser um livro de extraordinária importância, posto que nesses tempos atuais em que muitos na própria Igreja abraça a mentalidade mundana, "A Imitação de Cristo" coloca as coisas em perspectiva cristocêntrica. A centralidade em Nosso Senhor Jesus Cristo, a ruptura com o mundo e com o pecado, numa espiritualidade que engaja a pessoa pelo coração e faz com que viva para o que realmente importa: o Céu.

No Brasil, existem várias edições disponíveis, inclusive na internet. A Editora Paulus possui uma excelente tradução da obra, num português bastante refinado e requintado, feita pelo Padre Cabral. Depois de cada capítulo, breves reflexões acerca daquele conteúdo, escritas por um padre francês. Contudo, para quem tem dificuldade com o português talvez não seja a edição mais indicada. Uma versão mais fácil e tão fiel quanto pode escolher a edição da Editora Paulinas, cuja tradução foi feita por Francisco Catão, o qual conseguiu adaptar o texto para para uma linguagem mais corrente. Finalmente, a edição da Vozes que traz além de um português requintado, comentários de São Francisco de Sales. Ela é interessante pois coloca em língua portuguesa, um trabalho feito em 1989, por um padre francês que, ao estudar a obra daquele grande santo, relacionou-as aos temas abordados em "A Imitação de Cristo".

O livro está dividido em quatro grandes seções, sendo as duas primeiras introdução do leitor à vida espiritual. A terceira parte é um diálogo entre Cristo e a alma. Trata-se da parte devocional, meditativa. A quarta parte refere-se à Eucaristia, ensinando como recebê-la, adorá-la e a como aproximar-se dela de maneira adequada.

"A Imitação de Cristo" deveria ser o livro de cabeceira de todo católico. Trata-se de uma espiritualidade válida, especialmente nesse tempo em que a Igreja, em vez de ser missionária e evangelizar o mundo, está sendo justamente "evangelizada" por ele. "A Imitação de Cristo" poderá, sem dúvida, ajudar a impedir a mundanização da Igreja e de cada um.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Batismo das Crianças

Ai vai um tema que cria muitos debates teológicos e cismas entre Católicos e Protestantes. Neste texto podemos ver que o fundamento é mais concreto e histórico não se atendo apenas a Sola Scriptura. A fonte é o site VS (Veritatis Esplendor) - www.veritatis.com.br , de autoria de Alessandro Lima - O autor é arquiteto de software, professor, escritor, articulista e fundador do Apostolado Veritatis Splendor.

A Sagrada Escritura

A Sagrada Escritura cita vários exemplos de pagãos que professaram a fé cristã e que foram batizados "com toda a sua casa". A palavra "casa" ("domus", em latim; "oikos", em grego) designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças:
"Disse-lhes Pedro: 'Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo. A promessa diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos que estão longe - a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar'." (Atos 2,38-39)
"E uma certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa rogou-nos dizendo: 'Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali'. E nos constrangeu a isso." (At 16,14-15)
"Tomando-os o carcereiro consigo naquela mesma noite, lavou-lhes os vergões; então logo foi batizado, ele e todos os seus." (At 16,33)
"Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados." (At 18,8)
"Batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro." (1Cor 1,16)

Argumentos Protestantes

Os protestantes costumam argumentar dizendo que Jesus foi apresentado no tempo quando criança e somente foi batizado na idade adulta, e por isto eles apresentam suas crianças no altar e batizam os adultos. Só que se esquecem que o Batismo faz parte do ministério de Jesus, que se iniciou com 30 anos. Como Jesus poderia ser batizado quando criança se ainda seu ministério nem havia iniciado? Os ritos da lei mosaica só deixariam de valer após a ressurreição de Cristo (cf. Mt 26,61). Por isto, Jesus foi apresentado no tempo quando criança, pois a lei mosaica ainda valia e o batismo ainda não.

A circuncisão que era o sinal da iniciação do Judeu na vida religiosa, era realizado também nas crianças. A circuncisão (sinal da Antiga Aliança), foi substituída pela Batismo (Sinal da Nova Aliança). Desta forma o batismo também pode ser ministrado às crianças:

"Nele também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados com ele no batismo, nele também ressurgistes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos." (Col 2,11-12)

Através do batismo o Espírito Santo nos dá um novo nascimento, nos regenerando. Por isto, as crianças também devem ser batizadas, pois já nascem pecadores. "Todos pecaram" em razão do pecado de Adão, inclusive as crianças:
"Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3,23)
"Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram." (Rm 5,12)
"Certamente em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe." (Sl 51,5)

Outro argumento protestante é que as crianças não podem crer, e que o batismo deve ser um ato consciente de quem está sendo batizado. Como já dissemos em artigo anterior, o batismo regenera o homem. Por acaso se um filho de um protestante estiver doente, seu pai vai esperar que ele cresça para escolher tomar a vacina, ou vai lhe dar a vacina? Todo bom pai faria daria logo a vacina. O mesmo acontece com o batismo. Mas de qualquer forma, vamos mostrar pela Sagrada Escritura que as crianças podem crer:
"E quem escandalizar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado ao mar" (Mc 9,42)
"Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo. Exclamou ela em alta voz: 'Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Ao chegar-me aos ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.'" (Lc 1,41-44)
"Contudo, tu me tiraste do ventre; tu me preservaste, estando eu ainda aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre da minha mãe." (Sl 22,9-10)

Testemunhos Primitivos

Nosso Senhor Jesus Cristo garantiu que a Igreja nunca pregaria o erro (cf. Mt 16,18), e garantiu a Sua Assistência Divina à Igreja todos os dias até o final dos tempos (cf. Mt 28,20). Para desmentir o que os protestantes pregam, dizendo que a Igreja modificou a doutrina, ou apostatou, transcreveremos abaixo alguns dos testemunhos primitivos, que provam que a Igreja ensina hoje o mesmo que ensinava nos tempos mais remotos do cristianismo:

"Ele (Jesus) veio para salvar a todos através dele mesmo, isto é, a todos que através dele são renascidos em Deus: bebês, crianças, jovens e adultos. Portanto, ele passa através de toda idade, torna-se um bebê para um bebê, santificando os bebês; uma criança para as crianças, santificando-as nessa idade...(e assim por diante); ele pode ser o mestre perfeito em todas as coisas, perfeito não somente manifestando a verdade, perfeito também com respeito a cada idade" (Santo Irineu, ano 189 - Contra Heresias II,22,4).

"Onde não há escassez de água, a água corrente deve passar pela fonte batismal ou ser derramada por cima; mas se a água é escassa, seja em situação constante, seja em determinadas ocasiões, então se use qualquer água disponível. Dispa-se-lhes de suas roupas, batize-se primeiro as crianças, e se elas podem falar, deixe-as falar. Se não, que seus pais ou outros parentes falem por elas" (Hipólito, ano 215 - Tradição Apostólica 21,16).

"A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar Batismo mesmo às crianças. Os apóstolos, aos quais foi dado os segredos dos divinos sacramentos sabiam que havia em cada pessoa inclinações inatas do pecado (original), que deviam ser lavadas pela água e pelo Espírito" (Orígenes, ano 248 - Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5:9)

"Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (São Cipriano, ano 248 - Carta a Fido).

Conclusão

O batismo é uma graça regenerativa para a vida humana. Ninguém deve ser privado desta graça. O batismo deve ser principalmente ministrado para as crianças. E esta sempre foi a prática da Igreja.

Somente o Papa possui a autoridade para ligar e desligar (na terra e no céu, cf. Mt 16,19). Fora isto, ninguém tem o direito de negar esta graça às crianças. É através do batismo que temos nossa primeira experiência com Jesus. Creio que Jesus está fazendo o seguinte apelo aos protestantes: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais" (Lc 18,16).




A Sagrada Tradição e os Protestantes

Boa Noite.

Pessoal, como vão as coisas, tudo bem! Então parei um pouco de escrever ou publicar por causa do nascimento de meu filhinho Lorenzo. Mas agora ele deu uma folga e estou postando novamente.
Voltando a área de Apologética, aqui está um assunto muito interessante cuja a fonte é o site VS (Veritatis Esplendor) - www.veritatis.com.br , de autoria de Alessandro Lima - O autor é arquiteto de software, professor, escritor, articulista e fundador do Apostolado Veritatis Splendor.


Os protestantes que se dizem voltar ao cristianismo primitivo, que se dizem conhecedores da Palavra de Deus e seus fiéis seguidores, renegam duas parcelas importantíssimas da Palavra de Deus: A Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério.
O escopo de nosso artigo está na Sagrada Tradição, em outra oportunidade trataremos do Sagrado Magistério.

A Ordem Apostólica

Os adeptos da "Sola Scriptura" (Somente as Escrituras), na verdade são adeptos da "Sola alguns versículos da Scriptura". Negam verdades bem explícitas da Sagrada Escritura como a real presença do Senhor no pão e no vinho da Eucaristia (cf. Jo 6,51-56), negam também que a autoridade apostólica não se encerrou com a geração dos apóstolos, mas se perpetuou em seus legítimos sucessores (cf. At 1,15-26; 1Tm 5,1.19-20; Tt 1,5; 2,9-10.15), negam o preço que o Senhor e São Paulo possuiam pelos celibatários (cf.Mt 19,12; 1Cor 7,1.26-27) e entre outras coisas. Mas se tratando da Sagrada Tradição, fecham seus olhos para a seguinte instrução de São Paulo:

"Assim, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavra, seja por carta nossa" (2Tes 2,15).

Verter por escrito a Revelação era uma preocupação secundária

Vejam que São Paulo nos manda guardar toda doutrina apostólica, seja ela oral ou escrita. A Sagrada Tradição é maior que a Escritura, pois foi ela que deu origem à Escritura. A ordem do Senhor foi: "Ide, e pregai o Evangelho a toda criatura" (cf. Mt 28,19-20) e não "Ide e imprimi as Escrituras".

A preocupação da Igreja era anunciar o Evangelho. E fizeram isto de viva voz. Somente em circunstância especiais é que os apóstolos se viram obrigados a colocar algo por escrito. Mas de forma alguma se preocuparam em colocar tudo por escrito (cf. Jo 21,25; 1Cor 11,12; 2Jo 1,12; 3; 3Jo 1,13-14).

Veja o testemunho de Eusébio, Bispo de Cesaréia e historiador da Igreja nos tempos primitivos:

"[Os Apóstolos] Anunciaram o reino dos céus a todo orbe habitado, sem a menor preocupação de escrever livros.

Assim procediam porque lhes cabia prestar um serviço maior e sobre-humano. Até Paulo, o mais potente de todos na preparação dos discursos, o mais dotado relativamente aos conceitos, só transmitiu por escrito breves cartas, apesar de ter realidades inúmeras e inefáveis a contar [...] Outros seguidores de nosso Salvador, os primeiros apóstolos, os setenta discípulos e mil outros mais não eram inexperientes das mesmas realidades. Entretanto, dentre eles todos, somente Mateus e João deixaram memória dos entretenimentos do Salvador. E a Tradição refere que estes escreveram forçados pela necessidade. [...] Quanto a João [o Apóstolo], diz-se que sempre utilizava o anúncio oral. Por fim, também ele pôs-se a escrever pelo seguinte motivo. Quando os três evangelhos precedentes já se haviam propagado entre todos os fiéis e chegaram até ele, recebeu-os, atestando sua veracidade. Somente careciam da história das primeiras ações de Cristo e do anúncio primordial da palavra. E trata-se de verdadeiro motivo." (História Eclesiástica Livro III, 24,3-7. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C)

Pois o Cristianismo não é baseado num manual de instruções, mas sim no Magistério Vivo da Igreja. E é disto que as Sagradas Escrituras (cf. 2Cor 3,6) e os antigos deram testemunho.

Motivos que os protestantes alegam para abandonar a Sagrada Tradição

Os protestantes normalmente apresentam 3 motivos para justificar seu abandono à Sagrada Tradição:

1) O que está na Bíblia é suficiente

Normalmente citam 2Tm 3,16. Mas o referido versículo não diz que a Escritura é suficiente, diz apenas que é útil, para ensinar, e redargüir o homem para toda boa obra. Isto é claro pois na Sagrada Escritura só existe Verdade, mas nem toda Verdade está na Sagrada Escritura.

2) Que Jesus condenou o uso da Tradição

Alguns protestantes alegam que as palavras do Senhor registradas em Mc 7,9 justificam o abandono à Sagrada Tradição. Se isto fosse verdade São Paulo não nos deixaria a ordem que também guardar o ensino oral dos apóstolos. O problema que é os Fariseus ensinavam informalmente sua própria tradição em vez da Tradição que foi comunicada desde Abraão até os Profetas. É isso mesmo que o leitor leu, ensinavam informalmente sua doutrina, pois ensino formal, isto é, o ministério da Palavra era feito nas Sinagogas aos Sábados. Se os Fariseus ensinassem sua doutrina formalmente, o Senhor não teria dito ao povo que os ouvisse quando estes estivessem ensinando da Cadeira de Moisés, isto é, ensinando formalmente como legítimos sucessores de Moisés (cf. Mt 23,2).

É por isto que todo católico deve observar apenas o que a Igreja ensina oficialmente. A opinião do Padre Zezinho, do Frei Beto, do Padre Marcelo, ou até mesmo do Santo Padre João Paulo segundo, de forma alguma é norma de fé e prática para católico.

3) A Tradição pode ser muito bem deturpada com o tempo como a brincadeira do telefone-sem-fio

Outro motivo apresentado pelos protestantes para negarem a Tradição Apostólica, é de que o ensino oral pode ser deturpado com o tempo. Se São Paulo não confiasse na fidelidade da Igreja em guardar toda doutrina apostólica, seja oral ou escrita, não teria dito a Timóteo: "E o que de mim, através de muitas testemunhas ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros." (2 Tm 2,2). São Paulo disse isto pq sabia que a Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade (cf. 1Tm 3,15) e que ela guardaria fielmente a doutrina revelada (cf. Mt 16,18-19)

Fora este fato, não só protestantes, mas o que muitos católicos também não sabem, é que a Sagrada Tradição não foi conservada pela Igreja apenas oralmente, mas também foi sendo vertida por escrito pelas gerações que sucederam os santos apóstolos.

Mesmo durante a era apostólica, muitos já queriam se separar da Igreja, pregando um Evangelho diferente. Mas todas estas heresias caíram por terra, por causa do testemunho vivo dos Apóstolos. Coma morte dos Apóstolos, seus legítimos sucessores se preocuparam em escrever aquilo que os Apóstolos não deixaram por Escrito, para combater heresias nascentes, e para deixar para a posteridade a memória cristã.

Vejam os testemunhos primitivos:

"Em primeiro lugar [Inácio de Antioquia], acautelava-se a conservar firmemente a tradição dos apóstolos que, por segurança, julgou necessário fixar ainda por escrito. Estava já prestes a ser martirizado." (História Eclesiástica Livro III, 36,4. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Em teu favor, não hesitarei em aditar às minhas explanações que aprendi outrora dos presbíteros e cuja lembrança guardei fielmente, a fim de corroborar a manifestação da verdade." (Pápias Bispo de Hierápolis, - ou - 120 d.C).

"Pápias, de quem nos ocupamos agora, reconhece ter recebido as palavras dos apóstolos por meio dos que com eles conviveram; declara, além disso, ter sido ele mesmo ouvinte de Aristion e do presbítero João. De fato, cita-os com freqüência nominalmente em seus escritos, referindo as palavras que transmitiram.Não foi ocioso ter dito tais coisas. É justo acrescentar às palavras supramencionadas de Pápias umas narrações ainda de fatos extraordinários e outras que chegaram até ele por meio da tradição." (História Eclesiástica Livro III, 39,7-8. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Floresciam nesta época na Igreja [tempo do Imperador Vero, por volta de 140 d.C], Hegesipo, já conhecido pelas narrações precedentes; Dionísio, bispo de Corinto; Pintos, bispo de Creta. Além disso, Filipe, Apolinário, Melitão, Musano e Modesto, e sobretudo Ireneu. Através de todos eles, chegou até nós por escrito a ortodoxia da tradição apostólica, a verdadeira fé." (História Eclesiástica Livro IV, 21. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Ora, sob [o episcopado de] Clemente, grave divergência surgiu entre os irmãos de Corinto. A Igreja de Roma enviou aos coríntios importante carta, exortando-os à paz e procurando reavivar-lhes a fé, assim como a tradição que, há pouco tempo, ela havia recebido dos apóstolos." (História Eclesiástica Livro IV, 6,3. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Esses mestres [Policarpo, Ireneu, Pápias, Justino, Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, entre outros pois a lista é grande], que guardaram a verdadeira tradição da feliz doutrina recebida, como que transmitida de pai a filho, oriunda imediatamente dos santos Apóstolos Pedro e Tiago, João e Paulo (poucos são, contudo os filhos semelhantes aos pais), chegaram até nossos dias, por dom de Deus, a fim de lançar as sementes de seus antepassados e dos apóstolos em nossos corações" (História Eclesiástica Livro V, 11,5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Impossível enumerar nominalmente todos os que então, desde a primeira sucessão dos Apóstolos, tornaram-se pastores ou evangelistas nas Igrejas pelo mundo. Nominalmente confiamos a um escrito apenas a lembrança daqueles cujas obras ainda agora representam a tradição da doutrina apostólica" (História Eclesiástica Livro III, 37,4. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

Onde a verdadeira Tradição dos Apóstolos pode ser encontrada

Eusébio não só é testemunha que os sucessores dos apóstolos deixaram por escrito a legítima Tradição Apostólica, como dá testemunho que a genuína Tradição Apostólica só pode ser encontrada na Igreja Apostólica, isto é, na Igreja que possui sua origem na legítima sucessão dos bispos.

Para combater o erro de ontem e de hoje, os antigos sempre apontavam para as Igrejas Apostólicas, isto é, para aquelas que tinham bispos legitimamente instituídos pelos Apóstolos e seus sucessores, pois segundo eles eram elas que guardavam a legítima Tradição Cristã. Para eles somente na Igreja Apostólica é se pode encontrar a Verdade.

Da mesma forma como a pregação paulina foi confiada a Timóteo (cf 2 Tm 1,13-14) e este confiou a seus sucessores, da mesma forma Tradição Apostólica foi conservada pela Igreja, através da legítima sucessão dos bispos. Veja os testemunhos primitivos:

"Mas a Igreja de Éfeso, fundada por Paulo e onde João permaneceu até o tempo de Trajano, é também testemunha genuína da tradição dos apóstolos" (Contra as Heresias, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C).

"Nesta ocasião [tempo do Imperador Vero. Meados do segundo século e início do terceiro], muitos homens da Igreja lutaram em prol da verdade com eloqüência e defenderam as proposições apostólicas e eclesiásticas. Alguns até, com seus escritos, deixaram aos pósteros uma profilaxia contra as heresias que acabamos de citar" (História Eclesiástica Livro IV, 7,5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

Depois Eusébio nos remete a uma imensa lista de autores e seus respectivos livros, pelos quais deixaram para a memória cristã a autêntica pregação Apostólica.

"A Clemente [3º sucessor de São Pedro na Cáthedra de Roma] sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre, depois, em sexto lugar desde os apóstolos, foi estabelecido Xisto; logo, Telésforo, que prestou glorioso testemunho; em seguida, Higino; após este, Pio, e depois, Aniceto. Tendo sido Sotero o sucessor de Aniceto, agora detém o múnus espiscopal Eleutério, que ocupa o duodécimo lugar na sucessão apostólica. Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós." (História Eclesiástica Livro V, 6,4-5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"E quando, por nossa vez, os levamos [os hereges] à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõe à Tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade." (Contra as Heresias, III,2,1, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C)

"Portanto, a tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta e toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolos e seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente [os hereges] vai delirando. [...] Mas visto que seria coisa bastante longa elencar numa obrar como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, que por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos." (Contra as Heresias, III,3,1-2, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C)

Acho também interessante citar a observância de Eusébio quanto à degeneração doutrinária das seitas, assim como acontece no Protestantismo:

"Extinguiram-se, pois rapidamente as maquinações dos inimigos, confundidas pela atuação da Verdade. As heresias, uma após outras, apresentavam inovações; as mais antigas continuamente desvaneciam e desvirtuavam-se, de diferentes modos, para dar lugar a idéias diversas e variadas. Ao invés, ia aumentando e crescendo o brilho da única verdadeira Igreja católica, sempre com a mesma identidade, e irradiando sobre gregos e bárbaros o que há de respeitável, puro, livre, sábio, casto em sua divina conduta e filosofia. [...] Além do mais, na época de que tratamos, a verdade podia apresentar numerosos defensores, em luta contra as heresias atéias, não somente através de refutações orais, mas também por meio de demonstrações escritas." (História Eclesiástica Livro IV, 7,13.15. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

Conclusão

Pois é esta mesma memória cristã que nós Católicos Romanos, Gregos, Russos, Orientais, Coptas, Nestorianos e Maronitas, guardamos. E é por causa dela é que apesar de separados por um cisma de 1000 anos (com exceção dos Católicos Maronitas que até hoje estão em plena comunhão com a Igreja Católica Romana), possuímos praticamente a mesma fé e doutrina. Divergimos mais em questões disciplinares. E é esta mesma memória que um dia colocou por terra as heresias do passado, é que eu nós que congregamos nas legítimas Igrejas Apostólicas (aquelas que guardam a legítima sucessão dos bispos), trazemos à luz para combater as heresias de hoje também.

E como se pode ver o Protestantismo ao se ao abandonar a Tradição Apostólica, berço das Sagradas Escrituras, comete o mesmo erro as primeiras seitas, e identificamos nele o mesmo diagnóstico delas. Acabam pregando sua própria tradição em vez da Tradição Divina, erro que Jesus condenou dos Fariseus.

Com qual o quê você vai ficar? Com a Tradição dos Apóstolos ou com a tradição de Lutero, Calvino, John Knox, Ellen White, Tasse Russel, Edir Macedo, David Miranda, etc?

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

MEDITANDO NA PALAVRA!

Leitura do Evangelho de João 1,19-28

"Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu? Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não. Disseram-lhe, pois: Declara-nos quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo? Então, ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.
Ora, os que haviam sido enviados eram de entre os fariseus. E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? Respondeu-lhes João: Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis, o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias. Estas coisas se passaram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando."

Comentário.

João desempenha um papel fundamental no plano salvífico de Deus. Ele rejeita qualquer título messiânico, Cristo, Elias ou profeta. João inaugura o batismo, sacramento de iniciação de nossa vida cristã. É o batismo da conversão à prática da Justiça, para o perdão dos pecados. Seu anúncio, a partir do deserto, entra em choque frontal com o Templo de Jerusalém.
Era neste que, segundo a Lei, se purificava os pecados, mediante ofertas preceituadas. Com o seu batismo e seu anuncio, João cumpre sua missão de "endireitar o caminho para o Senhor". Ele deixa a expectativa quando à chegada de alguém que está entre nós e nós não o conhecemos, o qual superará o próprio João.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O que é Igreja Apostólica?

Introdução


Hoje em dia está na moda as novas seitas protestantes adicionarem o adjetivo "apostólica" ao seus nomes. Como por exemplo: Igreja Nova Apostólica, Igreja Evangélica Apostólica das Águas Vivas, Igreja Apostólica Ministério Comunidade Cristã, Igreja Apostólica do Avivamento, Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Igreja Apostólica Cristã, Igreja Apostólica Ministério Resgate, Igreja Apostólica Batista Viva e etc.

Mas será que toda igreja é apostólica? Será que toda igreja tem que ser apostólica? Será toda "igreja" pode adotar para si o adjetivo "apostólica", sem detrimento de seu real significado?

O Ensinamento da Igreja Católica

O Catecismo da Igreja Católica ensina:

§861 "Para que a missão a eles [aos apóstolos] confiada fosse continuada após sua morte [de Jesus], confiaram a seus cooperadores imediatos, como que por testamento, o múnus de completar e confirmar a obra iniciada por eles, recomendando-lhes que atendessem a todo o rebanho no qual o Espírito Santo os instituíra para apascentar a Igreja de Deus. Constituíram, pois, tais varões e administraram-lhes, depois, a ordenação a fim de que, quando eles morressem outros homens íntegros assumissem seu ministério."

§862 "Assim como permanece o múnus que o Senhor concedeu singularmente a Pedro, o primeiro dos apóstolos, a ser transmitido a seus sucessores, da mesma forma permanece todos Apóstolos de apascentar a Igreja, o qual deve ser exercido para sempre pela sagrada ordem dos Bispos." Eis por que a Igreja ensina que "os bispos, por instituição divina, sucederam aos apóstolos como pastores da Igreja, de sorte quem os ouve, ouve a Cristo, e quem os despreza, despreza a (aquele por quem Cristo foi enviado".

Os protestantes em contrapartida alegam que nunca houve sucessão apostólica, e que a Igreja Apostólica é simplesmente aquela fiel á doutrina bíblica. Afirmam ainda que a reunião dos fiéis constitui a Igreja.

O que ensina a Bíblia?
A Bíblia ensina que Nosso Senhor Jesus Cristo, deu o governo da Igreja aos Santos Apóstolos: "Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou" (Lc 10, 16). Aqui vemos o testemunho da autoridade dos apóstolos sobre toda a Igreja dada pelo próprio Cristo.

A Bíblia dá testemunho de que os apóstolos claramente escolheram sucessores que, por sua vez, possuíram a mesma autoridade de ligar e desligar. A substituição de Judas Iscariotes por Matias (cf. At 1,15-26) e a transmissão da autoridade apostólica de Paulo a Timóteo e Tito (cf. 2 Tm 1,6; Tt 1,5) são exemplos de sucessão apostólica.

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