// Estar com Deus

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O NATAL EM NOSSAS VIDAS

Hoje é véspera de Natal, Ano de 2018.

Neste dia, proponho um exercício: Tentem responder questões como estas?

1 – Que significado tem para nós o Natal e tudo o que o envolve: Cartões, votos de “Um feliz Natal”, presentes, a festa.

2 – Que dizem para nós os enfeites que colocamos em casa, na igreja, nas lojas, arvores, presépios, papai Noel, as músicas natalinas?

3 – Que conteúdo e que implicações existenciais traz consigo a celebração do Natal para nós e para os nossos e para a sociedade?

O Natal está enraizado na vida de nosso povo. É um momento magico que impulsiona nosso coração a salientar os mais caros valores morais e espirituais que acreditamos serem inteligentes indispensáveis para a felicidade de qualquer pessoa neste mundo.

Nos cartões, e-mails, redes sociais, cartas, telefonemas e nos encontros pessoais, nossa saudação se transforma em oração: “Feliz Natal”; “Desejo-lhe um Feliz Natal”; “Que o Natal lhe traga saúde e paz”. Por toda parte são estimulados gestos concretos de solidariedade, que levem consigo, simbolicamente, o mais importante: nosso desejo de que o mundo seja habitado pela Fraternidade, justiça e paz.

E até mesmo o mundo do consumo, por mais interessado que esteja no lucro, trabalha muito em cima da importância simbólica da troca de presentes e da ceia de Natal, favorecendo o estreitar dos laços mais preciosos no ser humano: os da família e da amizade. Natal é festa de família, nova esperança permanente de um mundo novo, justo, solidário, carregado de amor e paz. 

O Natal de Jesus Cristo, conforme o relato dos evangelistas Mateus e Lucas, é rico de fatos e nos apresentam: a anunciação de Maria, a visita de Maria a sua prima Isabel, o nascimento de Jesus numa gruta em Belém, a presença da estrela, a adoração dos pastores e dos sábios do oriente, a apresentação de Jesus no Templo, a perseguição de Herodes e a fuga para o Egito.

Mais tarde à tradição Cristã, por influências várias, foram acrescentados elementos que hoje são indispensáveis na comemoração e na decoração da festa de Natal, dando-lhe uma identidade única. Deturpados ou não pela sociedade secularizada e dominada pelo mercado, eles constituem o eco do maior evento da história: a encarnação do Filho de Deus.

Cabe aos que que Creem em Cristo, relembrar continuamente que essa festa e os ingredientes que a identificam nasceram da fé apontam para a fé, se concretizam em demonstrações amor, solidariedade para com os mais necessitados e luta por uma vida mais digna para todos, e principalmente a paz. 

Os que tem o dom da fé devem alertar, por todos os meios possíveis que: Natal tem a ver é com Jesus de Nazaré, com a referência histórica do nascimento de Jesus Cristo: Afinal é a celebração de seu aniversário!

Fazemos festa porque, como diz o profeta Isaías, “um menino nos foi dado”. O Natal celebra o nascimento de Cristo, e nesta festa adquire-se um novo sentido, no nascimento de qualquer pessoa, surge uma nova vida para o mundo.

É por isso que no Natal cresce em todos a consciência de que todo atentado contra a vida é uma agressão ao próprio Deus.

Para aqueles que Creem, o Natal implica em nascimento em dois níveis: o da comunhão com o evento histórico do nascimento de Jesus e o da decisão atual de renascer, de modo renovado, para a vida nova em Cristo.

Essa vida nova, no contexto de hoje, explode necessariamente na luta por um equilíbrio pessoal nas dimensões da vida humana: a relação harmoniosa consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com Deus e, também, do modo incisivo de se engajar na luta pelo direito à vida, à vida digna e de qualidade para todos. 

Desejo a todos um Feliz Natal e que deixem seus corações livres e abertos para aceitar Cristo que está em vocês. Vocês podem não concordar ou entender, mas ele está aí, pronto para nos dar vida.

O verbo se fez um de nós para trazer vida e vida em abundância – Livro de São João Capitulo 1:1-18.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

SERÁ QUE É NECESSÁRIO INTERPRETAR A BÍBLIA?

Ao começar o próprio estudo da hermenêutica, devemos nos perguntar se é realmente necessário interpretar a Bíblia. Algumas pessoas afirmam que não. Alguns acham que a Bíblia já foi escrita numa linguagem pura e simples de entender. Afinal, a Bíblia não é a Palavra de Deus para o povo de Deus? Deus nos mandaria uma mensagem difícil de entender?
Estas mesmas pessoas às vezes dizem “A Bíblia diz o que significa e significa o que diz.” Ou seja, não há necessidade de interpretar a Bíblia porque ela é clara. Segundo este raciocínio a mensagem da Bíblia não precisa ser explicada. Existe até medo de que no próprio processo de interpretar a Bíblia pensamentos humanos poderiam contaminar a mensagem original.
Vale a pena notar que as pessoas que afirmam que a Bíblia não precisa ser interpretada às vezes estão afirmando isso por causa de preocupações sinceras. Vamos examinar três destas preocupações.
  1. Alguns tem a preocupação de que alguém poderia tentar se tornar intermediador oficial da Palavra de Deus.
Uma preocupação que algumas pessoas tem é por causa do medo de que alguém possa tentar se posicionar entre o Cristão e Deus como intermediador na forma de um intérprete oficial. Efetivamente, isto já aconteceu entre certas denominações nos primeiros séculos depois de Cristo. Até hoje, há grupos em que uma interpretação “oficial” é dada por alguns líderes e é esperado que todos os membros aceitem esta interpretação “oficial”.
Segundo esta preocupação, dizer que a Bíblia precisa ser interpretada é praticamente igual a dizer que o homem comum não tem acesso por meio da Bíblia a Deus Pai. Mas este raciocínio teria razão apenas se disséssemos que nenhuma parte da Bíblia poderia ser compreendida sem a ajuda da interpretação. São poucos os interpretes hoje em dia que ousaria tal afirmação.
A verdade é que o que é de mais importante na Bíblia, o evangelho puro e simples, é tão simples que pode ser compreendida por qualquer pessoa com as condições básicas de lógica e raciocínio. O evangelho foi divulgado no começo apenas verbalmente e até hoje continua sendo a mesma história simples e poderosa. Mas, isto não muda o fato de que há partes da Bíblia que são difíceis mesmo de compreender. Nestes casos, sim, precisamos de pessoas treinadas e preparadas para interpretar aquela mensagem.
O próprio apóstolo Pedro afirma isto em relação às cartas do apóstolo Paulo quando ele diz, falando de Paulo: “… como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas cousas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam…” (2 Pedro 3:15b – 16 ARA).
Aqui vemos Pedro afirmando três verdades importantes:
  1. Nem tudo nas cartas de Paulo era complicado, mas –
  2. Há certas coisas “difíceis de entender” nas cartas dele.
  3. Sempre existe a possibilidade de alguém “deturpar” a Palavra de Deus (ou seja, corromper ou perverter). Se a Palavra de Deus fosse inteiramente simples e clara para compreender, jamais seria possível alguém deturpá-la.
Se o próprio apóstolo Pedro, com todo seu conhecimento e experiência, poderia dizer que havia coisas nas cartas de Paulo que até ele admitia serem difíceis de entender, então é para ser esperado que um Cristão leigo e sem treinamento hoje teria também dificuldade em entender estas e outras coisas. Devemos lembrar aqui, que Pedro, diferente de nós hoje, não tinha que lidar com as mesmas diferenças de cultura ou língua quando ele lia as cartas de Paulo.
Estas barreiras que dificultam a compreensão de qualquer obra escrita são enfrentadas por todo Cristão que lê a Bíblia hoje em dia. Se o apóstolo Pedro tinha dificuldade em entender Paulo quando falava numa língua conhecida por ele, na sua própria cultura nativa, quanto mais difícil será para um Cristão dois mil anos depois numa outra língua e cultura muito distante daquela?
Também, devemos lembrar que sempre que um evangelista, missionário ou pastor prega uma mensagem para a igreja, ele já passou por um processo de interpretar a mensagem de Deus para daí formular o conteúdo da sua pregação. A única maneira de evitar qualquer interpretação seria se o pregador apenas lesse alguma passagem sem comentários. Na verdade, nem isso seria totalmente sem interpretação, porque o próprio ato da ênfase verbal é passível, por mais sutil que seja, de uma forma de interpretação.
Lendo a seguinte frase do Salmo 23 com a ênfase nas palavras em itálica podemos notar uma diferença de interpretação devido esta ênfase.
            – O Senhor é o meu pastor e nada me faltará.
            – O Senhor é o meu pastor e nada me faltará.
            – O Senhor é o meu pastor e nada me faltará
Também, lembramos que, mesmo lendo o texto com o mínimo de ênfase nosso pregador ainda não escaparia do processo de interpretação desde que ele esteja lendo uma versão da Bíblia que fora uma tradução. Vamos examinar isto em mais detalhes um pouco mais adiante, mas é válido notar aqui, que toda e qualquer tradução passou por um processo de interpretação por parte dos tradutores e portanto aquele que lê a Bíblia fora o hebraico e grego original, quer queira, quer não, está sujeito àquele processo de interpretação.
Exemplos de traduções infelizes:
1 Cor 6:10:
NVI
“nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.”
ARA
“nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.”
Heb 13:17
NVI
Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles….
ARA
Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles;…
(A palavra traduzida “autoridade” na NVI não consta no original.)
Podemos ver como as traduções necessariamente interpretam a Palavra e podem levar os leitores a uma conclusão equivocada. Não podemos deixar de usar traduções. Mas, não devemos confiar em nenhuma tradução como completamente perfeita. É por isso que há necessidade de quem interpreta a Palavra. É por isso que é necessário reconhecer que, mesmo usando apenas a Bíblia, estamos sendo influenciado por decisões de interpretação, pois toda tradução é o fruto do processo de interpretação. Então, não há como escapar da necessidade de interpretação.
Sendo assim, é melhor o Cristão se preparar para lidar com a necessidade de interpretação. Podemos concluir também que, apesar de haver a necessidade de interpretação, não precisamos e nem devemos admitir que alguém se torne o intérprete oficial. A melhor proteção contra isso é o Cristão se preparando para examinar e confirmar as traduções e interpretações que ele certamente vai ouvir. Sendo assim, como os Bereanos que vamos avaliar tudo que ouvimos e verificar se o ensino e a doutrina que estamos recebendo é de fato a plena verdade de Deus.
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

É difícil resolver o problema dos outros.

É chegado mais um ano. 2018 está vindo com toda força, querendo nos trazer, paz, saúde e muita felicidade, um novo ciclo.

Entre o natal e a virada de ano, eu costumo realizar as minhas lições aprendidas. O que de fato eu aprendi com o ano que se passou e o que posso fazer para melhorar no próximo ano.

Neste momento, eu sempre me apoio na retrospectiva de tudo o que me aconteceu, o que eu achei importante e em Jesus Cristo, através de sua palavra.

Faz um certo tempo que meu coração me fala sobre como fazer as pessoas me entenderem, como eu poderia fazer com elas pensassem da mesma maneira que eu, como eu poderia ajudar as pessoas a crescer, como eu poderia resolver o problema delas?

Pois, sendo eu, empresário, tenho em mente que, se meu pessoal ou as pessoas que estiverem a minha volta crescerem, eu também cresço e consequentemente a empresa cresce, pois todos no mesmo foco e união, os problemas ficam mais fáceis de se resolver no dia a dia. Mas, passam-se os dias e eu fico cada vez mais frustrado, pois não consigo alcançar algumas pessoas.

Então, num determinado momento de minha meditação, eu me lembrei de um artigo que tinha lido na internet (https://thoughtcatalog.com) e lendo a Bíblia, Jesus, colocou em meu coração a palavra que está no Livro de São Marcos, Capítulo 12 verso 31. Jesus afirma: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo...”

Mas o que de fato é: “amar ao Próximo como a ti mesmo? ”

Sobre o Texto: “a Ti mesmo...” Não se tem muito o que saber, basta entendermos que todo o amor ao próximo que damos, gostaríamos de recebe-lo na mesma medida (proporção). Mas, devemos nos amar primeiramente para depois podermos amar ao próximo. O sentimento de satisfação que temos ao ajudar o outro é realmente muito gratificante. Nos sentimos interiormente numa grande paz e o sorriso das pessoas ao nosso redor cria uma nuvem de positividade da qual nunca queremos nos afastar. Isto remete ao receber em troca, o amar a si mesmo.

Mas e quanto ao Amar? Bem, me aprofundando no texto em uma pequena exegese bíblica, encontro que para a palavra “Amarás”, do texto bíblico, o termo grego: αγαπαω agapao, talvez de agan (muito), trata de ter um enorme respeito com as pessoas, de recebe-las com alegria, acolher, gostar muito, de amar eternamente e com respeito as coisas, estar satisfeito.
Mais a fundo, encontro a relação com outra forma de amor, o Phileo: φιλεω phileo, que São Paulo cita muito forte nas escrituras, que é aquele que ama, aceita, gosta, trata carinhosamente ou cuidadosamente, que gosta de fazer tudo e nada quer em troca. Este amor, está mais relacionado com Deus, pois ele tem o maior poder para fazer isto, o ser humano ainda está aprendendo a usar o amor Phileo.

Enfim, gostamos de respeitar o outro, ajudá-lo, tentar ser seu amigo, talvez até resolver algum de seus problemas. Mas, começo a chegar a algumas conclusões. Tentar resolver os problemas dos outros pode causar muitos transtornos e ainda impedir o crescimento de quem você ama. Vejamos como cheguei a isto:

As pessoas não são iguais a min, são diferentes.
Toda vez que começo a pensar “a vida desta pessoa seria muito melhor se…”, eu lembro que essa é a vida dela e não a minha. Por mais que eu queira ajudar, a perspectiva dela sobre o mundo é diferente da minha e projetar expectativas sobre o outro não vai me ajudar nem um pouco.

Não posso resolver o problema de pessoas que não querem ter seus problemas resolvidos. 
Existem pessoas que, literalmente, cultivam seus problemas e se apegam a eles de tal maneira que já não conseguem mais se ver sem aquele algo sobre o qual se lamentar. Quanto a mim… bem, eu não posso mudar ninguém. A única coisa que eu posso fazer é compreender, aceitar e amar essa pessoa do jeito que ela é. 

Tentar “resgatar” alguém pode te fazer ir para o fundo. 
E a partir do momento que eu afundar em problemas que não são meus, eu os transformo em meus também. A gente se envolve com tanta profundidade que passa a viver em função da vida do outro, esquecendo-se de si mesmo (Amar...como a ti mesmo). Resultado? Ninguém ajuda ninguém! 

Potencial significa “poder”, não “querer”. 
Não é porque achamos incrível a maneira como determinada pessoa se expressa que vamos tentar convencê-la de que está na profissão errada. Ou então que deveria fazer um intercâmbio. Ou que poderia abrir um novo negócio. Existe uma teoria básica da Administração ao qual sugere que devemos sempre observar os nossos colaboradores para ver no que eles se encaixam melhor dentro de uma empresa. Esta pessoa pode ser muito boa em números, mas está entregando material no almoxarifado. Se pudermos realoca-la ótimo. Mas temos que ter o maior cuidado. Não é porque esta pessoa é muito inteligente que precisamos ter a “obrigação de amigo” de informá-la que ela simplesmente não pode cursar uma graduação tão simples ou abandonar o mestrado ou deixar a presidência de uma grande empresa. Mais uma vez: a vida não é nossa. Portanto, não posso cuidar dela! 

Ajudar não significa resolver. 
Podemos ajudar um amigo (a), companheiro (a) ou familiar com uma boa conversa, demonstrando como somos gratos por sua companhia, convidando-o para almoçar e até dizendo o quão especial ele (a) é na nossa vida. O que eu não posso é me sentir na obrigação de tomar as rédeas da vida da pessoa e organizá-la sozinho; mesmo que ela queira, mesmo que ela peça, mesmo que ela implore. 
Com essa atitude eu só irei desestimulá-la a acreditar no seu próprio potencial e vou torná-la dependente de mim para sempre. Se eu desejo isto creio que está na hora de procurar um psicólogo – isso pode ser carência! 

Eu não preciso que o outro seja feliz para eu ser feliz! 
Parece simples, mas pode ser que o meu desespero para ajudar as pessoas seja reflexo do depósito de expectativas que eu coloco sobre ela. Eu tenho que me lembrar: Eu não preciso que o outro seja feliz para eu ser feliz! 
É claro que compartilhar alegrias é uma forma maravilhosa de viver nossas relações, mas como já sabemos, felicidade não vem de fora: ela parte de dentro de nós. Se a pessoa a quem eu quero ajudar não consegue ser feliz, isso é um problema dela, não meu. 
Por mais que doa ler isso, devemos respirar fundo, olhar para dentro e simplesmente sorrir sinceramente para nós mesmos. (Insisto no: Amar ao próximo como a si mesmo). Se nós formos capazes disto, seremos capazes de inspirar quem a gente ama a ser feliz como nós, e isso vale muito mais do que servir de muleta aos outros. 

Cuidar de si mesmo ajuda mais do que você imagina! 
Cuidar de si mesmo exige tempo e dedicação. Podemos até subir na linha do egoísmo. Não adianta varrermos os nossos próprios problemas para debaixo do tapete e correr na casa de alguém para lhe dar conselhos. Esta hipocrisia só vai nos fazer adoecer, o nosso amigo e à nossa relação. 
Sejamos sinceros, vamos encarar as nossas dificuldades, olhar para o nosso interior e, quando tudo estiver em harmonia (não necessariamente perfeito), a nossa energia positiva será o suficiente para inspirar todos ao nosso redor. 

Problemas não são necessariamente coisas ruins. 
Eles nos ajudam a crescer e a entender que a vida não é um mar de rosas. É preciso ter o discernimento para perceber que coisas ruins acontecem e que ninguém é obrigado a ser feliz o tempo inteiro. 
A partir do momento que entendermos isso, percebemos que as dificuldades precisam acontecer para que nós amadureçamos e aprendamos a desapegar: afinal de contas, ao contrário do que a nossa sociedade consumista prega, nada é para sempre. Tem um ditado muito interessante que fala: “
Nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada. E no meio disto, brigamos por algo que não trouxemos e não levaremos”. Precisamos encarar com outra ótica os problemas que nos acontecem.

Não podemos mudar as pessoas, apenas amá-las. 
Vamos nos lembrar: “Amar ao próximo...”. Aceite isso. Consequentemente, não podemos mudar as pessoas, nem resolver seus problemas, muito menos julgar o que é bom ou não para elas. Elas mesmo vão se adaptar a nós ou ao nosso meio social, intelectual e outros. Podemos apenas direcioná-las, contar um pouco da nossa experiência, tentar ensinar o que é certo ou errado. Mas lembrando que o que pode ser certo para a minha pessoa, não necessariamente é certo para aquela pessoa. Devemos ajudar apenas se formos cogitados e mesmo assim, devemos agir com a maior cautela.
Se nos lembrarmos do ditado popular “cada macaco no seu galho”, podemos pensar apenas em dar uma passadinha no galho do colega para doar um pouquinho do nosso amor e voltar logo para o nosso próprio para não quebrar o de ninguém e acabar estrebuchado no chão!


Christo Nihil Praeponere.

domingo, 16 de outubro de 2016

AFINAL, DEUS ME AMA?

Quando comecei a fazer teologia sempre existia um vazio em minha alma. Uma pergunta que sempre incomodava: afinal o que é Deus: Porque ele existe? O que de Fato Deus quer para as nossas vidas?

Meu querido amigo e professor, padre Danilo, sempre me dizia: “Everton, estude muito, medite bastante na palavra e nas coisas de Deus, pois estou ansioso para ver você fazendo a teologia”.

Fazer a teologia, o que significava isto, o que era fazer a teologia.
"Tira as sandálias de teus pés, porque este lugar em que estás é uma terra santa" (Ex. 3:5) soa aos ouvidos de quem pensa aproximar-se do estudo da teologia. Só nessa atitude de reverência religiosa consegue-se penetrar o mundo da teologia. Nisso ela difere grandemente das outras ciências. O Círculo brilhoso (halo) sagrado envolve-a, e, se ele se desfaz, termina-se por praticar teologia secularizada. E esta, por sua vez, acaba passando atestado de óbito. 

O estudo da teologia hoje navega por mares bravios, mas fascinantes. Talvez pudesse ter sido mais fácil estudar teologia em outras épocas, em que o barco da Igreja quase parara nas calmarias da cristandade ou neocristandade. Depois que os ventos da modernidade e pós modernidade açoitam o pensamento religioso, ora ferindo-o em sua raiz, ora espalhando suas sementes por todas as partes, a teologia, ao mesmo tempo, viu-se postergada à condição de produto supérfluo da sociedade industrial burguesa e sumamente desejada por novo mercado religioso. 

Com o passar do tempo, meu amadurecimento nas coisas de Deus se tornou mais amplo e os anos de meditação e estudos filosóficos, históricos e teológicos, me fizeram entender o que é fazer teologia. Fazer teologia é entender Deus nas nossas vidas, como ele se movimenta através de seu povo, como ele nos ama de fato. Ela extrapola o dogma, confronta o mesmo para tentar elucidar a equação de Deus em nossas vidas. Ela é vida, amor ao próximo, paz e justiça.

Existe uma enorme dúvida no ser Humano. “Afinal Deus me ama? ” Se nossa vida religiosa parece um vazio e se não temos certeza do amor de Deus nos momentos em que mais precisamos, está na hora de entendermos o significado do amor divino – um amor profundo, libertador, sem limites e imposições.

Muitas pessoas acreditam que precisam viver de acordo com as Leis de Deus para receberem Seu amor. Então seguem em uma busca desesperada pela perfeição, impondo-se metas inalcançáveis, que as deixa frustradas e sem esperanças.

Outras levam para a vida religiosa a regra da “troca de favores” que aprendemos desde a infância. Ou seja, esforçam-se para agradar a Deus, acreditando que assim terão suas preces atendidas. E, quando alguma coisa não dá certo, acham que não se emprenharam o suficiente. 

E há ainda aquelas que se dedicam a atividades religiosas e à pratica do bem apenas para tentar se livrar do sentimento de culpa.

Precisamos evitar estas atitudes equivocadas e entender o que realmente Deus espera de nós.
Não é fácil, pois como tentar entender de fato o que Deus quer para nossas vidas. Somente tempo, meditação na palavra e muito estudo e discernimento. Resumindo, muita vida com Deus.

Além da palavra de Deus (Bíblia), muitos documentos e livros me ajudaram a entrar neste processo. “Existe Deus? – De Alfredo Maria Mazzei”, invoca o raciocínio que: Se cristo é divino, se Cristo é filho de Deus, então isto quer dizer que Deus existe. A admissão da divindade de Cristo levou o autor em linha reta à admissão da existência de Deus, sem necessidade de recorrer ao estudo das provas metafísicas: as provas de Santo Anselmo e Tomás de Aquino. Neste livro, o formidável problema da existência de Deus é tratado sob todos os pontos de vista, do filosófico ao científico.

“Introdução à Teologia - Perfil, Enfoques, Tarefas – De J. B. Libanio e Afonso Murad”, demonstra que todo saber tem seu mistério. E no mistério deve-se ser iniciado. O saber teológico vê-se envolvido, mais que qualquer outro, por véu misterioso, por tratar-se, em última análise, de conhecimento a respeito do mistério dos mistérios: Deus. 

E o simples e elucidativo livro de “Jung Mo Sung – DEUS: Ilusão ou realidade? ” Reconhece, ao invés de negar, os questionamentos sobre a existência de Deus e a impossibilidade que muitos sentem de experiência-lo. Falando sobre as injustiças humanas, sobre a desumanização provocada pela sociedade de consumo, o Autor chama a atenção do jovem para a necessidade de uma imagem de Deus feita de amor e solidariedade, para uma religiosidade mais consciente e aberta ao próximo.

Por vezes, ficamos tentando pedir a Deus o que julgamos mais conveniente. Mas devemos entender que, somente confiando em sua Sabedoria e deixando que Ele decida o que é melhor para nossas vidas, encontraremos o caminho para viver na plenitude de seu amor.


Christo nihil praeponere

sábado, 26 de dezembro de 2015

BEM VINDO 2016!

O ano de 2015 está passando. Coisas boas e ruins aconteceram para todos. Alguns perderam, outros ganharam, enfim, mais um ano que passa!

Entra ano, sai ano, o homem conquista cada vez mais novas tecnologias, novos comportamentos e cada vez mais se pergunta: Qual o seu verdadeiro significado nesta terra?

Todos nós, homens e mulheres deste século, fazemos parte e absorvemos resultados de experiências de uma sociedade marcada pela violência, discriminação, preconceito, crise social, política, religiosa e com isto sempre vem a pergunta: O que está de fato acontecendo? Como resolver esta situação?

Cada pessoa busca a solução que lhe parece mais acertada. Alguns correm atrás da tecnologia, outros buscam no dinheiro a saída para as dificuldades, outros procuram a solução num Deus "mágico" que age através de milagres da forma mais rápida possível.

Para muitos, e enquadra-se também os cristãos, a Palavra de Deus é hoje, apenas mais uma "palavra" e não raro, nem sequer tão pertinente como outras que disputam a atenção, o compromisso e a fé dos homens e mulheres deste tempo.

Neste dia a dia racional, o homem se esquece que é "capaz" de Deus.
O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso.

Precisamos Buscar a paz e desejar a perfeição. Poderíamos ter muita paz, se não nos quiséssemos ocupar do que os outros dizem ou fazem e que nada tem a ver conosco, que não pertencem ao nosso cuidado. Como pode ficar em paz por muito tempo aquele que se intromete em negócios alheios, que busca relações exteriores, que raras vezes e mal se recolhe interiormente? Bem-aventurados os simples, porque hão de ter muita paz!

Nós, porém, nos ocupamos demasiadamente das próprias paixões e cuidados com excesso das coisas transitórias. A falta de perdão, a cobiça, a soberba, a necessidade de poder, a rejeição do próximo o sentimento de ficar inferior perante uma pessoa, o saber dizer "não sei" são problemas sérios que possuímos hoje enraizado nas nossas vidas. É raro vencermos um vício perfeitamente; não nos inflamamos no desejo de progredir cada dia; daí a frieza e a tristeza que adquirimos.

Se estivéssemos perfeitamente mortos a nós mesmos e interiormente desimpedidos, poderíamos criar gosto pelas coisas divinas e algo experimentar das doçuras da celeste contemplação. O que principalmente e mais nos impede é o não estarmos ainda livres das nossas paixões e concupi
scências, nem nos esforçamos por trilhar o caminho perfeito dos santos. Basta um pequeno contratempo para nos deixarmos abater e voltarmos a procurar consolações humanas.


Se nos esforçássemos por ficar firmes no combate, como soldados valentes, o auxílio de Deus não nos faltaria. Ele está sempre pronto a auxiliar e procura nos oferecer ocasiões de vitória e por isso está sempre preparado a ajudar aqueles que realmente confiam na sua graça.

Pois dar somente atenção às práticas exteriores não leva ninguém muito longe. Este tipo de fervor, dura muito pouco. Metamos, pois, o machado à raiz, para que fiquemos purificados das coisas que não nos levam a nada e usufruamos a paz interior. Se cada ano extirpássemos um só vício em breve seríamos perfeitos. 

Mas agora, pelo contrário, muitas vezes experimentamos que éramos melhores, e nossa vida mais pura, no princípio da nossa conversão que depois de muitos anos de profissão.

O nosso fervor e aproveitamento deveriam crescer, cada dia; mas, agora, considera-se grande coisa poder alguém conservar parte do primitivo fervor. Se no princípio fizéramos algum esforço, tudo poderíamos, em seguida, fazer com facilidade e gosto. 

Custoso é deixar nossos costumes; mais custoso, porém, contrariar a própria vontade. Mas se não vencermos obstáculos pequenos e leves, como venceremos os maiores?

Precisamos resistir o brotar das coisas ruins que querem estar conosco para evitarmos que as dificuldades cresçam cada vez mais. Mas como resolver este problema? Como ter a verdadeira Paz, perdoar as pessoas que me fizeram algo que eu não gostei, pedir perdão as pessoas que eu sem querer ou propositadamente magoei, como mudar isto?

Eu aposto e creio nesta solução: acolher e viver verdadeiramente a Palavra de Deus que é o caminho para recolocar no lugar próprio, o centro da vida do cristão. A palavra de Deus não é um depósito inerte, é uma palavra "viva", eficaz e mais penetrante que uma lâmina de uma espada, ou um projétil de uma arma.

A Palavra é um veículo de comunicação do próprio Deus que:
  • Fala e revela um designo de salvação;
  • É uma força que desperta e alimenta a nossa fé;
  • Transforma o coração daqueles que a acolhem e crem;
  • Orienta o agir humano, porque é "adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na Justiça".

A palavra de Deus é criadora de comunhão. Ela é na verdade, o próprio Cristo, Palavra encarnada como fala em (Jo 1,14). "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.". Através da Bíblia, livro da revelação, encontramos a luz para caminhar com serenidade, assumindo os compromissos que nos são propostos diante dos apelos de nossa realidade. Com certeza, a leitura atenta da Palavra de Deus, nos posicionará na trilha certa para atingirmos a meta para qual Deus nos chama. 


O sonho de Deus para a humanidade que ser revelado através desta palavra. Ela foi vivida e transmitida por gerações. Sendo assim, lendo e meditando nesta palavra, teremos a sabedoria e a força para transformarmos nossas vidas, a vida das comunidades e a vida da sociedade, uma vez que esta palavra, quando lida e meditada trazendo-a aos fatos e problemas da realidade em que vivemos, tem o dom de projetar sabedoria e luz nas situações mais adversas além de indicar caminhos para esclarecer e fazer surgir a solução dos problemas que passamos em nossas vidas.

Com isto veríamos a paz e a alegria que causaríamos aos outros se seguíssemos aos ensinamentos de Jesus e procurando sempre andar nos seus caminhos. Eu creio que nos empenharíamos muito mais para o crescimento espiritual.

Que o ano de 2016 seja um ano de muita PAZ, que as pessoas sintam o amor de Deus em suas vidas e propaguem este amor aos outros. 2016 será um ano próspero, muito melhor do que foi o ano de 2015.

Adeus ano velho, Feliz ano novo, são os meus votos e de minha Família a todos.

"Christo nihil praeponere - a nada dar mais valor que a Cristo"

sábado, 19 de dezembro de 2015

O que pensar dos dias difíceis, nas vésperas da chegada do Natal?

Prezados em Cristo.
Recebi recentemente uma carta de um Padre, o Pe. Rodrigo Hurtado que faz parte dos Legionários de Cristo.

Eu estava muito abatido com as coisas que estavam acontecendo esta semana comigo, inclusive minha arritmia cardíaca voltou novamente. É o meu termômetro que algo está ficando errado e eu preciso descansar urgente!

Realizei uma resenha de sua carta, pois achei interessante a sua mensagem, e vi que Cristo como sempre, estava no comando das coisas e que eu tinha que ficar tranquilo, pois ele não havia me abandonado. Então estou compartilhando com vocês.

Ele começa questionando se alguma vez, a gente teve um desses dias e que tudo deu errado? Ao contrário do que você tinha planejado? Um desses dias quando você pensa: “deveria ter ficado na cama”? Eu tive um desses dias, mais especificamente esta semana.
Ele relata que passou por muitos problemas neste dia, tais como multas de transito, ficou mal por causa de alguma coisa que comeu no almoço, seu carro quebrou, enfim um daqueles dias.
Então ele chega na sua casa pela noite e o mesmo só queria ter um momento tranquilo e não falar com mais ninguém.

Como reagimos quando as coisas que não terminam do jeito que queríamos? Inclusive, poderia ser mais que um dia ruim. Como reagimos quando nossos planos de vida mudam totalmente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

10 mandamentos do Bom Teólogo

Todo bom teólogo seguirá e entenderá esses mandamentos à risca.


1. Não tente explicar o inexplicável (Há questões que são para somente crer, não para explicar.)

2. Evite concentrar-se em especulações ou discussões em questões secundárias que não levam ninguém ao céu ou impedem de ir ao inferno (Isso é perda de tempo precioso que poderia estar sendo investido em outras questões edificantes para a Igreja, e mais, muitos por causa dessas discussões teológicas infindáveis perderam amigos e fizeram inimigos.)

3. Aprenda a dizer: “Não Sei”. (Se você não sabe, não enrole.)

4. Domine o vocabulário teológico, leia muitos livros teológicos, continue fazendo cursos, se aperfeiçoando, estude, estude, estude.

5. Não esqueça de seu momento com Deus, ore muito, leia muito a Bíblia

6. Duvide de suas dúvidas (seja um pesquisador constante, vá atrás, não se contente com as dúvidas)

7. Lembre-se que os motivos que unem os crentes são maiores do que os que os afastam (Enfatize as harmonias, as semelhanças e não os conflitos. Com exceção da apologética cristã que é útil e bíblica e milita contra heresias e seitas pseudo cristãs, não fique a criticar essa ou aquela denominação cristã por que seguem uma linha teológica diferente da sua. Seja sábio, teologia não é pra isso.)

8. Lembre que o teu conhecimento teológico deve servir para levar a salvação aos perdidos e a edificação aos salvos e não para constranger ou humilhar teus irmãos (Você estudou para ser um melhor servo, não para ser senhor da razão. Às vezes, mesmo estando certo, o melhor é ficar calado para em uma oportunidade mais edificante argumentar e até mesmo, abençoar os opositores)

9. Pregue e ensine com fervor e autoridade suas certezas e convicções e jamais as suas dúvidas (quando prega ou ensina uma questão ou tema que não possui convicção ou opinião formada, apenas causa confusão em quem o ouve)

10. Não use a teologia como vaidade ou engrandecimento pessoal, use-a para edificação do Corpo de Cristo (lembre-se que deve servir e não ser servido).

Simples assim.

O bom teólogo entende bem isso. O mau teólogo considera isso um ultraje.

O que voce pensa disso?

Deus o abençoe.

Pr. Magdiel Anselmo

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Reflexão do Livro de São Mateus; Cap. 13, Versos 1 até 9

Hoje, vamos refletir sobre Mateus 13, 1-9.

Jesus começa a ensinar por meio de parábolas.

Então perguntamos: o que de fato é necessário para que possamos entender as parábolas de Jesus? Para respondermos a esta pergunta, precisamos fazer outra: Por que Jesus ensina em parábolas?

Respondendo a esta pergunta entendemos o significado da ação de Jesus em ensinar em parábolas.

A parábola parte de uma situação da vida para mostrar os valores do Evangelho e isso nos mostra que os valores evangélicos são para serem vividos e não simplesmente entendidos.

Portanto, não é quem teoriza a fé que entende as parábolas, mas quem vive a fé.

O que é necessário para entender as parábolas de Jesus? A resposta é: unir a fé à vida.

sábado, 25 de julho de 2015

PAULO O APÓSTOLO - SUA PREOCUPAÇÃO COM O CORPO DE CRISTO

Na comunidade de Corinto, era costume reunir-se regularmente para a Ceia do Senhor: "De maneira que, cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha" (1Cor 11,26). É impossível dizer com que frequência a comunidade se reunia com este propósito .

Os problemas surgidos nos sugerem que devia ser com bastante frequência. Certamente não se pode excluir que se tratava de reuniões semanais. deste modo, a comunidade de Corinto haveria se acomodado aos costumes familiares dos habitantes da cidade. Muitos que se faziam discípulos de Jesus Cristo haviam sido anteriormente membro das associações religiosas, nas quais também consideravam importantes as reuniões par celebrar o alimento comunitário. Não há dúvida de que é necessário distinguir entre a "prática eucarística" de Corinto e a alimentação ordinária que, segundo Atos dos Apóstolos, eram características do ambiente da comunidade cristã primitiva de Jerusalém: "Diariamente frequentavam o templo em grupo; partiam o pão nas casas e comiam juntos, louvando a Deus com alegria e de todo o coração" (At 2,46).

A princípio, Paulo não estabelecia comparações nem formulava juízos. O  que o preocupava, acima de tudo, era que os coríntios tomassem consciência do que estava fazendo quando ocupavam seus lugares na mesa do Senhor: "Por conseguinte, o que come o pão ou bebe do cálice do Senhor sem dar o devido valor terá que responder pelo corpo e pelo sangue do Senhor. Examine-se cada um a si mesmo antes de comer do pão e beber do cálice, porque o que come e bebe sem apreciar o corpo, come e bebe sua própria condenação" (1Cor 11,27-19). No decorrer da historia da Igreja, estas palavras se desconectaram de seu contexto específico, na comunidade de Corinto, e chegaram a adquirir um significado independente. Durante séculos, especialmente no âmbito do protestantismo reformado, elas funcionaram como uma séria advertência, e em alguns círculos ainda são entendidas dessa maneira. Eram muitos os que não se atreviam a aproximar-se da Ceia do Senhor e, desse modo, terminavam por evitar a mesma. Preferiam estar seguros em vez de sofrer a insegurança de não saber se estavam bebendo sua própria condenação. As palavras de Paulo foram adquirindo, pouco a pouco, um tom sombrio, ameaçador e macabro, e ficaram "gravadas" na memória de muitas gerações: "Porque o que como e bebe sem apreciar o corpo, come e bebe sua própria condenação" (1Cor 11,29).

Será que Paulo quis dizer algo parecido com isto? A questão merece uma resposta muito imediata. O rumo que tomou o protestantismo reformado teria assombrado Paulo. Porém, isto não significa que, para ele, "comer a Ceia do Senhor" não trouxesse algum risco. Certamente, as frases citadas tinham, em sua intenção, o valor de uma advertência, mas também é verdade que, em seu sentido, o ponto de referencia essencial não era a vida de fé interior e pessoal, mas sim a prática cotidiana dos fiéis da comunidade e o fato de que alguns viviam prosperamente, enquanto outros passavam necessidades. Nesta passagem, a imagem do "corpo" tem um significado ambíguo. Novamente, reconhecemos que Paulo era um pensador original. O corpo de Cristo, o pão e o vinho, está sobre a mesa do Senhor, porém a comunidade cristã está reunida ao redor dessa mesma mesa, como corpo do Senhor. A demanda de Paulo de "dar seu valor ao corpo" não se refere unicamente ao que há sobre a mesa, mas faz referência a algo mais, ao corpo reunido ao redor da mesa. Esta "ambiguidade" era essencial ao pensamento de Paulo. Isso é deduzido uma vez mais de uma sentença que nos parece claríssima: "É por isso que muitos de voces estão doentes e fracos, e alguns já morreram" (1Cor 11,30). Não sabemos como esse verso acusatório foi recebido na comunidade de Corinto. Podemos supor que essa observação de Paulo não pareceu agradável e que até mesmo possa ter sido uma das causas das dificuldades que não demorariam a surgir.

Para completar essa discussão sobre os problemas surgidos por causa da celebração da Ceia do Senhor, Paulo formulou o seguinte aviso: " Portanto, meus irmãos, quando voces se reunirem para comer, esperem uns pelos outros. E, se alguem estiver com fome, que coma em casa para que Deus não castigue voces por causa dessas reuniões. Os outros assuntos, eu resolverei quando chegar ai" (1Cor 11,33-34). Depois de tanta tensão, o tom se torna surpreendentemente sereno. Definitivamente, Paulo procurava não intensificar o conflito que parecia pior do que temia. No entanto, dessa correspondencia com a comunidade, deduz-se que seus esforços em prol da reconciliação terminaram por provocar novoa agravos, por causa das diferenças de opinião. Até a própria celebração da Ceia do Senhor via-se obscurecida pelas grandes diferenças sociais entre ricos e pobres, que não desapareciam de cena quando a comunidade de reunia (1Cor 11,17-22).

Paulo se incomodava com tudo aquilo, pois estava em flagrante contradição com sua idéia do que deveria ser comunidade cristã. Não era um "clube" livre nem uma associação de pessoas que pensavam da mesma forma, nem um grupo de indivíduos que não se interessavam pelo bem estar dos demais membros. Tudo parece indicar que as concepções de Paulo iam se desenvolvendo conforme ele escrevia. A celebração da Ceia do Senhor, em particular, faz com que a comunidade se reforçe como uma unidade indissolúvel: "Como há um só pão, ainda sendo muitos, formamos um só corpo , pois todos e cada um participam desse único pão" (1Cor 10,17). Segundo Paulo, pode-se dizer que este "único corpo" é o corpo de Cristo (1Cor 12,27)*.
*Há uma real divergência de opinião sobre o contexto dessa imagem na história da religião: ela seria veterotestamentária, helenística ou gnóstica? Cf., por exemplo, J.J. Meuzelaar, Der Leib des Messias. EIne exegetische Studie über den Gedanken Vom Leib Cristi in den Paulusbriefen [O Corpo de Messias. Um estudo exegético dos pensamentos nas cartas de Paulo] (Assen, 1961).
Unidade e divisão: estes são os termos que regem as concepções de Paulo em relação à comunidade: "Os Dons são variados, porém o espírito é o mesmo; as funções são variadas, ainda que o Senhor seja o mesmo; as atividades são variadas, porém é o mesmo Deus que opera tudo em todos" (1Cor 12,4-6). Paulo não era contrário às diferenças, contanto que elas não constituíssem uma ameaça à unidade da comunidade. A unidade precede a diferença, não o contrário. O apóstolo ilustrou a sua ideia de unidade que há de reger na comunidade com a ajuda da imagem do corpo, o qual tem muitas partes. E todas as partes, mesmo sendo muitas, formam um só corpo. Assim, também, todos nós, judeus e pagãos, escravos e livres, fomos batizados pelo mesmo Espírito para formar um só corpo. E a todos nós foi dado beber do mesmo Espírito. Pois o corpo não é feito de uma só parte, mas de muitas" (1Cor 12,12-14). O corpo é formado por muitos membros, mas é um único corpo. Nenhuma de suas partes pode pretender ser mais importante que as demais separadamente: "Se o corpo todo fosse olho, como poderíamos ouvir? E, se o corpo todo fosse ouvido, como poderíamos cheirar?" (1Cor 12,17-18). Evidentemente, Paulo atribuía grande importância a metáfora do corpo. Parecia-lhe difícil escapar dessa metáfora e nunca se cansava de repetir suas concepções: "De fato, existem muitas partes, mas um só corpo. Portanto, o olho não pode dizer à mão: 'Eu não preciso de voce'. E a cabeça não pode dizer aos pés: 'Não preciso de voces'. O fato é que as partes do corpo que parecem ser mais fracas são as mais necessárias, e aquelas que achamos menos honrosas são as que tratamos com mais honra. E as partes que parecem ser feias recebem um cuidado especial, que as outras mais bonitas não precisam. Foi assim que Deus fez o corpo, dando mais honra às partes menos honrosas" (1Cor 12,20-24).

Nas ultimas frases, Paulo desenvolve a imagem ao extremo, de tal modo que começa a parecer embaraçoso. Paulo não era nada humilde. Os "sábios" e distintos membros da comunidade de Corinto escutariam aquelas palavras com crescente irritação e é de se supor que entenderiam a insinuação. Na opinião do apóstolo, não combina com o espírito de Cristo crucificado - "segui meu exemplo, como eu sigo o de Cristo" - olhar uns aos outros com desdem e desprezar os demais por estes possuírem menos dinheiro ou influencia, ou porque possuem menos "sabedoria". O fundamento da unidade na comunidade de Cristo é o Amor. Pela maneira como estruturou 1 Coríntios 12-14, deduz-se claramente que Paulo via as coisas dessa forma. Ele interrompe abruptamente sua argumentação sobre a unidade para introduzir um surpreendente hino de louvor ao amor (1Cor 13). Segundo todos os indícios, esse hino paulino de louvor não é criação do próprio Paulo.*
*Cf. Conzelmann, Firts Corinthians (hermeneia; Philadelphia, 1975) ad locum.
O apóstolo utilizou livremente um teto que ja existia anteriormente. Fazia isto com frequência (por exemplo, 1Cor 15,3-4; Fl 2,6-11).

O hino de louvor tem um caráter "tradicional", pré-paulino. Isso explica o notável fato de que não se estabeleça conexão alguma entre o amor e Cristo, e isso é um indício de que Paulo não se inspirou em uma fonte especificamente cristã. Em virtude de seu amplo contexto cultural e religioso, Paulo estava familiarizado cm os textos nos quais se exaltava a preeminência de "virtudes" como a sabedoria e a verdade. Esses textos não apareciam unicamente nos escritos helenísticos, mas também na antiga literatura sapiencial judaica. Para ilustrá-lo, é suficiente este texto extraído do livro deuterocanônico da Sabedoria de Salomão. Ele foi composto pouco antes do começa de nossa era, em ambiente da Diáspora do judaísmo alexandrino, no Egito, que tinha um contexto helenístico;* 
*B.L. Mack, Logos und Sophia. Untersuchugen zur Weisheitstheologie im hellenistische Jüdentum [Logos e Sophia. Estudos sobre a teologia em sabedoria helenística e Judaica] (Gotinga, 1973)
"Porque é emanação do poder divino, emanação puríssima da glória do Onipotente; por isso nada imundo o contamina. É reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem de sua bondade. Sendo uma só, tudo pode; sem mudar em nada, renova o universo e, entrando nas boas almas de cada geração, vai fazendo amigos de Deus e profetas; pois Deus ama só quem convive com a sabedoria. É mais bela que o sol e que todas as constelações; comparada à luz do dia, é mais bela, pois este lhe revela a noite, enquanto a sabedoria nem o mal pode com ela. Alcança com vigor extremo  a extremo e governa o universo com acerto" (Sb 7,25-8,1).

Paulo tinha um contexto religioso e cultural bem heterogêneo. Isso se deduz uma vez mais o "hino de louvor" ao amor que lhe serviu de base para sua defesa da unidade na comunidade. É tipico da perspicácia criadora do apóstolo recorrer, nesse momento da carta, a um texto que poderia soar familiar a seus leitores de Corinto, tão amantes da sabedoria. Desta vez, no entendo, o tema central não é a sabedoria oua verdade, mas o amor: "Por isso se esforcem para ter os melhores dons. Porém eu vou mostrar a voces o caminho que pe o melhor de todos" (1Cor 12,31). Hpa muitas coisas importantes na vida humana, porém uma se destaca sobre todas as outroas: "Portanto, agora existem três coisas, a fé, a esperança e o amor. Porém a mais valiosa é o Amor" (1Cor 13,13).

O hino de louvor ao amor não deixa de ter seu efeito. Ele lança uma nova luz sobre o que antecede e situa o que segue no ambito "do amor" Paulo sabia bem o que estava fazendo . As divisões prejudicam a comunidade e Paulo lutou muito para combater este problema.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

HOJE: A HORA É AGORA!

Uma adaptação do Texto de José Antonio Pagola.

Este texto tem como base o Livro de Lucas, capítulo 2, versos de 16 à 21.

Lucas conclui seu relato do nascimento de Jesus, indicando aos leitores que "Maria" conservava todas as coisas meditando-as em seu coração. "Não conserva o que aconteceu como uma recordação do passado, mas como uma experiencia que atualizará e reviverá ao longo de sua vida.

Não é uma observação gratuita. Maria é modelo de fé. Segundo este evangelista, crer em Jesus Salvador, não é recordar acontecimentos dos outros tempos, mas experimentar hoje sua força salvadora, capaz de tornar mais humana a nossa vida.

Por isso, Lucas utiliza um recurso literário muito original. Jesus não pertence ao passado. Intencionalmente, [Lucas] vai repetindo que a salvação de Jesus ressuscitado nos está sendo oferecida HOJE, agora mesmo, toda vez que nos encontramos com Ele. Vejamos alguns exemplo.

Eis como ele anuncia o nascimento de Jesus: "Hoje nasceu para vós na cidade de Davi um salvador." Hoje Jesus pode nascer para nós. Hoje ele pode entrar na nossa vida e mudá-la para sempre. Com Ele podemos nascer para uma vida nova.

Numa aldeia da Galileia, trazem até Jesus um paralítico. Jesus se comove ao vê-lo bloqueado por seu pecado e o cura, oferecendo-lhe o perdão: "Teus pecados te são perdoados." O povo reage louvando a Deus: "Hoje vimos coisas admiráveis." Também nós podemos experimentar hoje o perdão, a paz de Deus e a alegria interior, se nos deixarmos curar por Jesus.

Na cidade de Jericó, Jesus se hospeda na casa de Zaqueu, rico e poderoso arrecadador de impostos. O encontro com Jesus o transforma: devolverá o que roubou a muitos e repartirá seus bens com os pobres. Jesus lhe diz: "Hoje entrou a salvação nesta casa." Se deixarmos Jesus entrar em nossa vida, hoje mesmo podemos começar uma vida mais digna, fraterna e solidária.

Jesus está agonizando na cruz entre dois malfeitores. Um deles dirige-se a Jesus: "Jesus, lembra-te de mim quando chegares no teu reino." Jesus reage imediatamente: "Hoje estarás comigo no paraíso." Também o dia da nossa morte será um dia de salvação. Finalmente escutaremos de Jesus essas palavras tão esperadas: fique tranquilo, confia em mim, hoje estarás comigo para sempre.

Hoje, começamos um ano novo. Porém,  o que pode ser para nós algo realmente novo a bom? Quem fará nascer em nós uma alegria nova? Que psicólogo nos ensinará a ser mais humano? De pouco servem os bons desejos. O decisivo é ficar mais atentos ao melhor que desperta em nós. A salvação nos é oferecida cada dia. Não é preciso esperar nada. Hoje mesmo pode ser para mim um dia de salvação.
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