// Estar com Deus

sábado, 14 de junho de 2014

O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota

Do original: https://padrepauloricardo.org/episodios/o-minimo-que-voce-precisa-saber-para-nao-ser-um-idiota#at_pco=smlwn-1.0&at_si=539cb5ed6f98d301&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1

O livro do professor Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" (Editora Record, 2013), tornou-se um fenômeno de vendas instantâneo. Mesmo sendo um livro compendioso, de 615 páginas, a obra figurou em todas as listas dos mais vendidos da Internet, desde a semana de lançamento. Isso mostra o quanto o público brasileiro está sedento de informações – e informações verdadeiras.

O professor Olavo de Carvalho é um filósofo, no sentido genuíno da palavra. Além de possuir um pensamento filosófico próprio, ele procura a verdade de forma "cruel", com uma sinceridade destemida, de quem sai em sua busca sem medo do que irá encontrar ao final da investigação. Além de ter uma vasta obra filosófica – elaborada em livros como "A nova era e a revolução cultural", "O jardim das aflições" e "O imbecil coletivo" –, ele também dá a conhecer ao grande público algumas de suas reflexões e análises da realidade política, econômica e cultural do dia a dia brasileiro.

O trabalho intelectual do Padre Paulo Ricardo foi profundamente influenciado por Olavo de Carvalho. Como sacerdote fiel à Tradição e ao Magistério da Igreja, Padre Paulo tinha dificuldades para entender por que havia tantos empecilhos, fora e até dentro da Igreja, para transmitir a fé e a moral católicas. A partir de 2002, quando entrou em contato com o professor Olavo, ele começou a entender o motivo e, deste encontro profícuo com Olavo, nasceu o conhecido curso "Revolução e Marxismo Cultural".

Em "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", estão compilados 20 anos de trabalho jornalístico do professor Olavo. Sistematicamente organizada e repleta de inúmeras notas explicativas, esta edição, realizada por Felipe Moura Brasil, tem a virtude de oferecer um corpo bem organizado – e até enciclopédico, poder-se-ia dizer –, procurando introduzir o leitor no universo filosófico de Olavo de Carvalho.

O título pode parecer ofensivo a um olhar desatento, mas trata-se de um convite para que as pessoas saiam de seu mundo fechado e subam ao encontro da realidade. Como explica o próprio Olavo, "em grego, idios quer dizer ‘o mesmo’. Idiotes, de onde veio o nosso termo ‘idiota’, é o sujeito que nada enxerga além dele mesmo, que julga tudo pela sua própria pequenez"[1]. A atmosfera cultural do Brasil está tragicamente contaminada por este alheamento à própria realidade, consequência de um processo epidêmico de idiotice coletiva.

As 615 páginas desta ótima edição são apenas a superfície do pensamento de Olavo de Carvalho. A quem estiver disposto a conhecer a fundo a sua obra e aprender verdadeiramente a pensar, recomenda-se o ingresso no Seminário de Filosofia (www.seminariodefilosofia.org). Quem está acostumado com a linguagem filosófica, pode ter uma noção do pensamento do professor através do texto "Elementos da filosofia de Olavo de Carvalho"[2], escrito por Ronald Robson, um de seus alunos, que faz uma espécie de mapeamento da sua filosofia, condensando-a em oito grandes blocos e orientando os leitores de "O mínimo" para os textos correspondentes a cada um destes blocos.

Aos demais interessados no livro, mas menos afeitos à filosofia, recomenda-se a recensão do jornalista Reinaldo Azevedo, publicada em seu blog[3]. Ele comenta que os artigos presentes no livro "impactam ainda hoje e podiam ser verdadeiros alumbramentos há 10, 12, 13 anos, quando o autor, é forçoso admitir, via com mais aguda vista do que todos nós o que estava por vir".

Assim como o contato com Olavo de Carvalho mudou por completo a atividade intelectual do Padre Paulo Ricardo, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" transformará totalmente a forma como seus leitores enxergam e concebem o mundo.
Referência

Olavo de Carvalho,Professores de corrupção, Diário do Comércio, 7 de maio de 2012. In O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, p. 281.
Ronald Robson,Elementos da filosofia de Olavo de Carvalho, 24 de agosto de 2013. In Ad Hominem.
Reinaldo Azevedo,"O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", 2 de setembro de 2013. In Blog do Reinaldo Azevedo.

A noite escura da humanidade



O testemunho de Santa Teresa Benedita da Cruz, que abandonou o mundo acadêmico para confessar a paixão de Cristo no silêncio do Carmelo.
A “noite escura da alma”, uma espécie de deserto espiritual onde se experimenta o silêncio de Deus, é um tema muito frequente nas meditações dos santos da Igreja. Santa Teresa d’Ávila, a título de exemplo, diz que é próprio de quem se dedica à vida espiritual passar por uma derradeira provação de fé [1]. Trata-se de uma purificação dos sentidos e da alma, cujo objetivo principal é a total comunhão com Deus. A pessoa já não busca outra coisa senão tomar parte nas dores de Cristo crucificado, a fim de cooperar na obra da redenção.
A esse respeito, talvez não exista maior testemunho no último século do que o de Edith Stein. Entregando-se em holocausto pela salvação de seu povo, no campo de concentração de Auschwitz, a santa judia realizou na carne o que há tempo professava com os lábios: “o que nos salvará não serão as realizações humanas, mas a paixão do Cristo, na qual quero ter parte”[2]. Edith Stein havia compreendido a ciência da cruz, por assim dizer, buscando o significado da verdade [3]. Neste itinerário, a então filósofa ateia – e famosa discípula de um dos mais respeitados pensadores do século XX, Edmund Husserl – encontrou por acaso, na biblioteca de uma amiga, o Livro da Vida, de Santa Teresa. A leitura foi tão tocante, que ao seu término, Edith só pôde confessar isto: “é a verdade” [4]. A partir de então, Edith Stein lançou-se avidamente à procura de seu Amado: abandonou a vida acadêmica, para viver a espiritualidade carmelita, assumindo o nome de Teresa Benedita da Cruz. A 2 de agosto de 1942, foi brutalmente levada pelos nazistas ao campo de trabalho forçado, onde morreria como mártir, ao lado de sua irmã, Rosa.
Aos olhos do mundo moderno, um testemunho como o de Stein pode parecer loucura.Todavia, a sua heroicidade fala mais alto do que qualquer vileza. O encontro com Cristo gera uma mudança no íntimo de nosso ser – uma metanoia – que nos impulsiona a não mais satisfazer a própria vontade; pelo contrário, “aquele que visita o Senhor na sua Casa não falará sempre de si, nem de suas mesquinhas preocupações. Começará, aos poucos, a interessar-se pelas preocupações do Salvador”, a saber, a salvação do homem [5]. Essa salvação, por sua vez, só pode ocorrer no martírio diário, na noite escura da fé. Por isso Santa Teresa Benedita da Cruz, na noite escura de Auschwitz – onde a potência de Deus parecia inerme e a sua Palavra parecia muda – caminhava serena e convicta, apesar dos sofrimentos, como se estivesse a emprestar de São Josemaría Escrivá esta sua esperança: “cada dia que passa me aproximo da Vida” [6].
De fato, os santos estão longe de ser esse “fantasma que ficou petrificado – em posição quase sempre incômoda – num nicho, rodeado de velhotas de pele encarquilhada”, como tendem a pensar as almas deformadas deste século [7]. Pelo contrário, os santos são homens que sabem unir a vida cotidiana à vida sobrenatural, dando um significado divino às coisas simples do dia a dia, mormente nos períodos de angústia e solidão. Edith Stein uniu seu martírio ao sacrifício da cruz não por idealismo ou mera conveniência, porquanto “ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento” [8]. Ela simplesmente interpretou os sinais dos tempos. Não deixou de erguer a sua voz contra o nazismo, incentivando seus alunos e suas irmãs a lutarem contra a opressão do Terceiro Reich. Com efeito, diante do drama da dor, pôde repetir sem hesitação as palavras de Cristo na cruz: “tudo está consumado” [9].
A quase 70 anos do término da II Grande Guerra, vê-se mais uma vez o desenvolvimento de um paganismo selvagem, “um ateísmo militante operando em plano mundial”, tal qual aquele que vitimou Edith Stein [10]. No seio da Igreja, não obstante, assiste-se a uma desertificação desenfreada da fé, que atinge as mais altas esferas da hierarquia. O cristianismo vive cercado “por uma névoa de incerteza mais pesada do que em qualquer outro momento da história” [11]. A humanidade, por conseguinte, entra em uma noite escura. Resta-nos, então, a pergunta de Bento XVI, feita perante o memorial das vítimas do Holocausto, em Auschwitz: “Onde está Deus? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal?” [12] É uma questão que se nos impõe, e que só pode ser feita por aqueles que têm fé. Edith Stein teve a sua resposta, doando-se inteiramente até àquele instante em que “não haverá mais noite” [13]. É o caminho que todos devemos percorrer: o caminho das noites escuras até àquela “que é diferente de todas as outras” – a noite da salvação!
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Padre Paulo Ricardo, Esforçai-vos para entrar pela porta estreita, Parresía n. 63.
  2. MIRIBEL, Elisabeth de. Edith Stein: como ouro purificado pelo fogo. 4 ed. Aparecida: Editora Santuário, 1998, pág. 63.
  3. A Ciência da Cruz é o título do livro que Edith Stein escreveu a respeito da doutrina ascética de São João da Cruz. Disponível em: Livraria Loyola.
  4. MIRIBEL, Elisabeth de. Edith Stein: como ouro purificado pelo fogo. 4ed. Aparecida: Editora Santuário, 1998, pág. 64.
  5. Ibidem, pág. 148.
  6. ESCRIVÁ, Josemaria. Caminho. São Paulo: Quadrante, 2009 , n. 737.
  7. URTEAGA, Jesus. O valor divino do humano.São Paulo: Quadrante, pág. 18.
  8. Bento XVI, Carta Enc. Deus Caritas Est (25 de dezembro de 2005), n. 1.
  9. Jo 19, 30.
  10. João XXIII, Constituição Apostólica Humanae salutis (25 de Dezembro de 1961).
  11. Bento XVI, Discurso do Santo Padre durante a visita ao Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau (28 de maio de 2006).
  12. RATZINGER, Joseph. Introdução ao Cristianismo. São Paulo: Loyola, 2001.
  13. Cfr. Ap. 22, 4-5.

A Trindade nos Evangelhos

Em inúmeras passagens dos Evangelhos, Cristo nos revelou o mistério da Santíssima Trindade, inacessível à mente humana, e mesmo à angélica.
Adão nunca poderia imaginar que o Messias anunciado para reparar seu pecado seria o próprio Filho do Altíssimo. Entretanto, assim foi: “Na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gal 4, 4). Numa minúscula casa de Nazaré, uma jovem humilde e pura medita sobre a antiga promessa do Criador, de enviar o Messias para resgatar o povo de seus pecados e instaurar uma nova ordem de coisas. Podemos imaginá- La lendo alguma passagem da Escritura, por exemplo, esta: “Eis que uma virgem conceberá”... (Is 7, 14).
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Com a Encarnação,os homens para os quais o pecado 
fechara as portas do Paraíso Terrestre, tinham agora 
abertas diante de si as portas do Paraíso Celeste


Adão e Eva sendo expulsos do Paraíso
Igreja São Rafael, Heredia (Costa Rica) 
Enquanto Ela tece em sua mente elevadas conjecturas sobre como seria a pessoa do Messias, uma suave luz ilumina seu quarto, e um Anjo, transido de admiração, Lhe dirige esta saudação: “Ave cheia de graça”! (Lc 1, 28). Faz em seguida o mais inesperado dos anúncios: será Ela a Mãe do Messias, a quem tanto desejava conhecer: “O Espírito Santo descerá sobre Ti, e a força do Altíssimo Te envolverá com a sua sombra. Por isso o Menino que nascer de Ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35).
Realizou-se, dessa forma, o misericordioso desígnio do Altíssimo: o Filho de Deus, “tornando-Se participante de nossa mortalidade, nos fez participantes de sua divindade”.1 E os homens, para os quais o pecado fechara as portas do Paraíso Terrestre, tinham agora abertas diante de si as portas do Paraíso Celeste!
Esse relato evangélico contém a revelação dos dois maiores mistérios da Fé. Um deles, a Encarnação do Verbo, se realizava naquele instante; o outro, a existência da Santíssima Trindade, não tem princípio. Foi esse o primeiro presente concedido ao gênero humano pelo Filho do Altíssimo. Por intermédio do celeste mensageiro, confiou-o à Virgem eleita desde toda a eternidade para ser sua Mãe. Nesse episódio São Gabriel manifesta-Lhe que tudo quanto se seguirá estará marcado pela Trindade Santíssima.2
Provavelmente, a narração bíblica registra apenas o resumo de um longo diálogo entre Maria e o Anjo. Nele, entretanto, o Espírito Santo fez constar a primeira alusão ao mistério trinitário. Com efeito, vê-se nas palavras do Arcanjo clara referência a cada uma das Pessoas Divinas. Começa por mencionar a Terceira Pessoa: “o Espírito Santo virá sobre Ti”. Em seguida, afirma: “a força do Altíssimo Te envolverá com sua sombra”, referência mais discreta à Pessoa do Pai, a qual ficará evidente na continuação da promessa: “o Menino que nascer de Ti será chamado Filho de Deus”. Se há um Filho, tem de haver também um Pai, é a conclusão lógica.
Temos, então, nesta passagem das Escrituras a primeira revelação do mistério da vida íntima de Deus. E é altamente simbólico o fato de ter sido feita Àquela na qual o Verbo Se encarnaria para operar a Redenção.
Batismo de Jesus: primeira manifestação pública do mistério trinitário
Mas, quem em Israel, ou mesmo na pequena Nazaré, teve conhecimento dessa realidade sublime, a não ser Nossa Senhora e São José? Tornava-se necessária uma manifestação pública de Cristo! Esta nos veio através de João Batista, o qual brilhou aos olhos de Israel como um facho de luz nas trevas da noite. “No meio de vós está quem vós não conheceis. Esse é quem vem depois de mim; e não sou digno de Lhe desatar a correia do calçado. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 26.29) — declarou aos sacerdotes e levitas enviados de Jerusalém para interrogá-lo.
E quando o Mestre apresentou-Se no Jordão para ser batizado por ele, exclamou o Batista, ao vê-Lo: “Eu devo ser batizado por Ti e Tu vens a mim! Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa” (Mt 3, 14-15). Cena incompreensível para quem desconhecia tratar-se do Messias. Porém, não tardou a explicação: quando Jesus saía da água, “João viu os Céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre Ele. E ouviu-se dos Céus uma voz: Tu és o meu Filho muito amado; em Ti ponho minha afeição” (Mc 1, 10-11). Daí, João não hesitar em proclamar: “Eu O vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus” (Jo 1, 34).
Aqui nos mostra o Evangelho Deus Pai manifestando Jesus aos homens como seu dileto Filho e o Messias de Israel, e pairando sobre Ele o Espírito Santo, o qual é “Deus uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza”.3
Na Transfiguração apareceu toda a Trindade
Também no relato evangélico da Transfiguração podemos observar as características de glória e beleza da Santíssima Trindade. Fato ocorrido “numa alta montanha” (Mt 17, 1): o Monte Tabor, segundo uma tradição do século IV. Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, aos quais manifestou “a clareza de sua Alma e de seu Corpo”, 4 com um objetivo claro e imediato: “Era fundamental haver algumas testemunhas da glória de Jesus para sustentarem, na prova da Paixão, os Apóstolos em suas tentações”.5
Como narra São Mateus, “seu rosto brilhou como o Sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura” (Mt 17, 2). Revelou-lhes, pois, algo que se encontrava além da figura visível de seu Corpo padecente. Embora em nada tenham participado da visão beatífica, inacessível aos olhos humanos, os três Apóstolos puderam, por assim dizer, contemplar uma centelha da glória e da divindade de Jesus transparecendo em sua santa humanidade.
Anunciação.jpg
No diálogo entre Maria e o Anjo, o Espírito Santo 
fez constar a primeira alusão ao mistério trinitário


Anunciação - Mosteiro de Nossa Senhora
do Monte Carmelo e São José, Nova York 
Mais adiante, na descrição do Evangelista, “uma nuvem luminosa os envolveu” (Mt 17, 4). Como se sabe, certos fenômenos naturais significavam para os israelitas a própria presença de Deus, o qual Se manifestava por meio de símbolos como o fogo, o vento e a nuvem. Assim, a Moisés Ele Se apresentou “na obscuridade de uma nuvem” (Ex 19, 9). Fato mais expressivo deu-se na dedicação do Templo de Salomão: “A nuvem encheu o Templo do Senhor, de modo tal que os sacerdotes não puderam ali ficar para exercer as funções de seu ministério, porque a glória do Senhor enchia o Templo” (I Rs 8, 10-11).
Portanto, sem dúvida, a “nuvem luminosa” do Tabor evidenciou para os três Apóstolos a presença divina entre eles. O Doutor Angélico no-la indica como uma figura da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. “Na Transfiguração, [...] apareceu toda a Trindade: o Pai na voz, o Filho no Homem, o Espírito na nuvem luminosa”. 6 Ensinamento acolhido no Catecismo da Igreja Católica (n.555).
Por fim, do interior dessa nuvem fez-se ouvir uma voz: “Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha afeição; ouvi-O” (Mt 17, 5). Jesus é, pois, o Filho Unigênito, o Messias prometido, consubstancial ao Pai e participante de seu Ser e de suas obras. Com essa declaração do Pai, o esplendor divino do Filho e a manifestação do Espírito Santo numa nuvem, a Santíssima Trindade Se revela de modo claro.
O que terão entendido dessa manifestação os três Apóstolos? Terão feito perguntas ao Mestre? Quais terão sido as respostas? Infelizmente, a sintética narração bíblica nada registra sobre tais detalhes. Mas ela contém o suficiente para não deixar dúvida a respeito de um ponto: aos católicos de todos os tempos, a cena da Transfiguração apresenta Jesus como o Filho Único de Deus a Quem todos devem escutar.
Por ocasião do Batismo no Jordão, a voz do Pai dirige-se a Jesus, para instituí-Lo em sua missão redentora: “Tu és o meu Filho muito amado; em Ti ponho minha afeição” (Mc 1, 11). No Tabor, dirige-se aos Apóstolos, dando-lhes a categórica ordem de prestar ouvidos à palavra de Cristo: “Ouvi-O”.
Jesus, Filho de Deus
Em diversas ocasiões Jesus chama a Deus de Pai. Na parábola dos agricultores assassinos (cf. Lc 20, 9-19), manifesta com clareza como tinha noção de sua filiação divina. Com efeito, o proprietário da vinha, símbolo do próprio Deus, enviou um após outro seus servos, os profetas, com a incumbência de receber a parte da colheita devida ao arrendador. Os agricultores desprezaram, espancaram e maltrataram todos os enviados. O senhor da vinha tomou então esta decisão extrema: “Mandarei meu Filho amado, talvez o respeitem” (Lc 20, 13). E eles o mataram! O tema desta parábola servia ao Divino Mestre para levar seus ouvintes a compreenderem o mau comportamento dos israelitas em relação aos mensageiros enviados por Deus, os profetas. Atitude levada ao último extremo pelos sumos sacerdotes, com o deicídio.
Também quando expulsa do Templo os vendilhões, Jesus fala como Filho do Senhor do Templo: “Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes” (Jo 2, 16). E com um chicote trançado por suas próprias mãos põe em fuga a multidão de comerciantes!
Mas esse Jesus que castigava com tanta energia, sabia compadecer-Se dos sofredores. Tendo subido a Jerusalém por ocasião de uma festa judaica, passou perto da piscina de Betesda, em cujos pórticos se encontravam muitos enfermos à espera da chegada de um Anjo do Senhor que de tempos em tempos descia e movimentava a água. Ansiosa expectativa, pois o primeiro a tocar a água em movimento logo ficava curado de sua enfermidade. Jesus viu deitado ali um homem que estava paralítico havia 38 anos e, num gesto de carinho e compaixão, disse-lhe: “Levanta- -te, pega tua cama e anda” (Jo 5, 8). Grande foi a surpresa de todos quantos assistiram à cena e comprovaram a alegria do miraculado.
Batismo de Jesus - Igreja de São João Batista, Halifax (Canadá).jpg
Aqui nos mostra o Evangelho Deus
Pai manifestando Jesus aos 
homens como seu dileto
Filho e o Messias de Israel
Os fariseus, porém, acusaram o Mestre de estar violando a Lei, por ter curado em dia de sábado. Deram-Lhe, assim, excelente ocasião de manifestar sua filiação divina. Para refutar a argumentação farisaica, respondeu-lhes Ele: “As obras que meu Pai Me deu para executar — essas mesmas obras que faço — testemunham a meu respeito que o Pai Me enviou. E o Pai que Me enviou, Ele mesmo deu testemunho de Mim” (Jo 5, 36-37). Mais uma vez, Jesus Se revela a todos como Filho de Deus. “Nessa relação de Deus Pai com o Filho, São João O destaca com a denominação ‘Filho Unigênito’ (monogenê, Jo 1, 14.18; 3, 16.18; I Jo 4, 9). Isto indica pelo menos três coisas: Jesus é gerado pelo Pai, é Filho Único e é igual ao Pai, pois, por meio de Jesus, Deus Se revelou como Pai”.7
“Quem Me viu, viu o Pai”
Diante dos Apóstolos, entretanto, essa revelação desvenda um aspecto novo. Quando Filipe pede a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai” (Jo 14, 8), Ele o repreende suavemente: “Há tanto tempo estou convosco e não Me conheces? Quem Me viu, viu o Pai. Como, pois, dizes ‘Mostra-nos o Pai’... Não credes que estou no Pai, e o Pai está em Mim? As palavras que vos digo, não as digo de Mim mesmo; mas o Pai, que permanece em Mim, é que realiza as suas próprias obras. Crede-Me: estou no Pai, e o Pai em Mim” (Jo 14, 9-11). Ou seja, Ele e o Pai têm a mesma natureza divina e são inseparáveis.
Não pode ser esquecido o modo, pervadido de ternura e confiança, de Jesus tratar a Deus Pai, dando-Lhe o apelativo familiar de “Aba” (“Papai”, em aramaico), no pungente episódio do Getsêmani, marco inicial de sua Paixão: “Adiantando-Se alguns passos, prostrou-Se com a face por terra e orava que, se fosse possível, passasse d’Ele aquela hora. Aba! (Pai!), suplicava Ele. Tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres” (Mc 14, 35-36).
Não deixa de ser curioso, ademais, que, quando Se reza a Deus, Jesus nunca O chama de Deus, mas sim de Pai. Usa o termo Deus quando fala d’Ele diante dos outros, mas não em sua oração pessoal. Só o faz na Cruz: ‘Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?” (Mc 15, 34). Mas aqui, como sabemos, está recitando o salmo 21.
Ao declarar-Se Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo Se identifica plenamente com a divindade. Não se trata de uma filiação simbólica ou adotiva, como a dos outros homens por Ele justificados. De tal forma está convicto de sua divindade, que chega a condicionar a salvação à fé em sua Pessoa: “Quem crê no Filho tem a vida eterna. Quem, porém, recusa crer no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele” (Jo 3, 36). Dessa forma, Jesus vai revelando a sua relação filial com Deus Pai. Mostra sua dignidade de Filho Unigênito, como Ele mesmo declara na conversa noturna com Nicodemos: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho Único” (Jo 3, 16).
O Espírito Santo, o Consolador
São numerosas no Antigo Testamento as referências ao “Espírito de Deus” e ao “Espírito do Senhor”. Por exemplo, no primeiro dia da Criação, “o espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1, 2). No cimo do Monte Fagor, o Espírito de Deus desceu sobre Balaão e o fez abençoar Israel (cf. Nm 24, 2). Em suas últimas palavras, proclama o Rei Davi: “O Espírito do Senhor fala por mim, sua palavra está na minha língua” (II Sm 23, 2). E o Livro da Sabedoria canta: “O Espírito do Senhor enche o universo” (Sb 1, 7). Todavia, estas duas expressões não significam, na Antiga Aliança, uma Pessoa distinta no seio da divindade. Nosso Senhor Jesus Cristo é Quem nos revelará a personalidade divina do Paráclito, cuja manifestação pública se patenteará com o maior esplendor na descida sobre Maria Santíssima e os Apóstolos, em Pentecostes.
Na Última Ceia, pouco antes de dirigir-Se ao Horto para iniciar a Paixão, Jesus deu-lhes uma garantia: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14, 26).
Vendo como a tristeza enchia o coração dos Apóstolos ante a perspectiva dos iminentes acontecimentos por Ele anunciados, explicou-lhes o Mestre: “Convém a vós que Eu vá! Porque, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, vo-Lo enviarei” (Jo 16, 7). E acrescentou pouco adiante: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13).
Igreja Sao Roque - Pentecostes - Mosaico.jpg
 Todas as afirmações do Divino Mestre
antes da Paixão não foram suficientes
para iluminar a mente dos Apóstolos
No dia de sua Ascensão aos Céus, Cristo prometeu comunicar aos Apóstolos um espírito de fortaleza: “Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do Alto” (Lc 24, 49). Proclama, assim, a estreita participação do Espírito Santo em sua missão redentora, conferindo, por um movimento interior e vivificador nas almas, os meios sobrenaturais necessários para os homens atingirem os gloriosos fins da Redenção.
Pentecostes, luz sobre o mistério trinitário
Entretanto, todas as afirmações do Divino Mestre antes da Paixão não foram suficientes para iluminar a mente dos Apóstolos. Arraigados às tradições de seus antepassados, era-lhes difícil admitir a existência de Três Pessoas em um Deus único.
Em sua aparição aos Onze Apóstolos na montanha da Galileia, algum tempo após a Ressurreição, o Divino Mestre referiu-Se de modo claro e inequívoco à Trindade: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai- -as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Mas só mesmo com a descida do Paráclito, em Pentecostes, tornaram-se claras para eles estas palavras do Salvador. Contêm elas a mais explícita formulação do mistério da Trindade, pois o próprio Jesus, quando manda batizar “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, afirma a existência de um Deus em três Pessoas: distintas entre Si, mas constituindo uma só unidade substancial.
Diante desse belo e misterioso panorama revelado por Nosso Senhor, cabe-nos aspirar ao convívio eterno com a Trindade no Céu, cantando a sua glória, como Santo Agostinho em sua oração: “Quando, pois, estivermos em vossa presença, cessarão ‘estas palavras que repetimos sem entender’, e sereis para sempre tudo em todos (cf. I Cor 15, 28). E Vos louvaremos por toda a eternidade, cantando numa só voz, unidos todos em Vós”.8 (Diácono Lucas Alves Gramiscelli, EP; Revista Arautos do Evangelho, Junho/2014, n. 150, pp.16 à 20)
Fonte: Arautos do Evangelho - www.arautos.org

sábado, 17 de maio de 2014

BATISMO INFANTIL! DEVEMOS OU NÃO REALIZÁ-LO?

Sem dúvida, este é um tema muito debatido na teologia.
Num lado, o catolicismo, luteranismo e outras congregações afirmam que sim, devemos batizar nossos pequenos irmãos. No outro lado, os protestantes, que durante a Reforma no século XV desenvolveram a tese de que o Batismo não pode ser ministrado às crianças. Esta novidade foi introduzida pelos Anabatistas. Note que os primeiros protestantes (Luteranos, Presbiterianos, Calvinista e Anglicanos), guardam até hoje o batismo de crianças. Os protestantes afirmam que crianças jã são herdeiras dos céus por causa da sua inocência quando crianças.
Abaixo eu retiro alguns textos de um apologeta, que explana o porque ou não do Batismo.
Cabe aqui salientar que no campo teológico, isto é um debate para muitas análises, exegéticas, hermenêuticas e históricas, não devendo ficar apenas na Sola Scriptura (somente palavra escrita). Lendo este texto, vemos refletir e pedir a direção correta para Deus para com os nossos pequeninos!

Começamos com Mateus 19.
14. Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.

Lendo esse pequeno versículo nós podemos concluir que: Jesus Cristo jamais impediu que as crianças participassem da graça Divina, sendo assim, aqueles que impedem ou não permitem que as crianças participem da graça Divina estão cometendo um sacrilégio contra Jesus Cristo.

Devemos nos ater aos sofistas, filhos da rebelião de Lutero que não permitiam que as crianças participassem da graça Divina do Batismo, ou seja, os protestantes estavam na contra mão das Leis Divinas.

Os argumentos usados pelos protestantes para justificar esse não batismo, são:
  • Uma criança não possui consciência para aceitar Jesus Cristo e receber seu Batismo.
  • Uma criança não possui pecados para serem redimidos e por isso não podem ser Batizadas.
  • A Bíblia não mostra nenhum tipo de Batismo infantil.
Aqui estamos nos atendo somente a Sola Scriptura, mas vamos começar pelo primeiro argumento, onde podemos notar um certo preconceito, se percebe que nesta ideologia protestante, Deus faz acepção de pessoas, ou seja, Deus classifica e separa aqueles que possuem o direito de receber o seu Batismo e aqueles que não possuem qualidade para recebê-lo; o que contraria todas as Escrituras Sagradas.

Eclesiástico 35
15. Nada esperes de um sacrifício injusto, porque o Senhor é teu juiz, e ele não faz distinção de pessoas.
16. O Senhor não faz acepção de pessoa em detrimento do pobre, e ouve a oração do ofendido.
17. Não despreza a oração do órfão, nem os gemidos da viúva.


Agora observem as Palavras Divinas para aqueles que fazem a acepção de pessoas.

Malaquias 2
9. Por isso, eu vos tornei desprezíveis e abjetos aos olhos de todo o povo, porque não guardastes os meus mandamentos e fizestes acepção de pessoas na aplicação da lei.

Não podemos deixar de colocar as palavras de Paulo.

Romanos 2
11. Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas.

Também Tiago Bispo de Jerusalém nos adverte sobre esse sacrilégio.

Tiago 2
9. Mas se vos deixais levar por distinção de pessoas, cometeis uma falta e sereis condenados pela lei como transgressores.


Será mesmo que Deus faz essa distinção ou acepção de pessoas “adultos e crianças” para receber o seu Batismo? Não se pode crer nisto, pois pode ser uma uma total contradição entre os preceitos Divinos.

Bem, esse digamos assim: "sacrilégio protestante" é cometido justamente por uma interpretação das Sagradas Escrituras. Uma das maiores defesas protestantes está embasada em um único versículo totalmente isolado.

Marcos 16
16. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.

Segundo os exegetas protestantes, esse versículo isolado justifica a proibição do Batismo infantil, pois nesse versículo diz: “Quem crer e depois quem for Batizado será salvo”. Então o fato do “Crer” aparecer antes do “Batismo” ninguém poderá receber o Batismo sem Crer no nome de Jesus Cristo, ou seja, na visão humana e material protestante uma criança em sua inocência não possui capacidade de “Crer” por isso está privado de seu Batismo; está ai a caracterização da "acepção de pessoas".

Vamos imaginar se Jesus Cristo tivesse dito assim: “Aquele que comer arroz, feijão e fazer exercícios terá uma boa saúde”. Nesta mesma analogia, ninguém mais poderia fazer exercícios sem antes comer arroz e feijão, até parece loucura, mas é exatamente esse tipo de interpretação que alguns desses exegetas fazem distorcendo as Escrituras Sagradas.

Então vamos levar em consideração a interpretação e mostrar que, mesmo dentro dessa interpretação algo está errado com relação as palavras de Jesus Cristo. Segundo a visão humana e materialista dos protestantes, uma criança não possui em sua inocência a qualificação necessária para crença Divina, então vamos tentar colocar a visão Espiritual dentro das Sagradas Escrituras. Observem as Palavras de Jesus Cristo sobre as “Crianças de Peito”.

Mateus 21
16. Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente, respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor (Sl 8,3)?


Aqui existe uma forte oposição que tenta contrapor com qualquer justificação protestante contra o Batismo infantil. Jesus Cristo foi bem claro ao dizer: “Das Crianças de peito tirastes o vosso louvor”. Em outra tradução está escrito assim: “Das Crianças de peito tirastes o perfeito louvor”.

Olhando do ponto de vista material e humana protestante, uma criança não possui consciência para crença Divina, porém na visão Divina, uma criança de peito possui o perfeito louvor.

Terminando o primeiro argumento concluímos então que podem existir dois erros:
  • Primeiro eles fazem acepção de pessoas (preconceito).
  • Segundo eles retiram o perfeito louvor da inocência das crianças.
No Segundo argumento, uma criança está impedida de receber o seu Batismo por não possuir pecados. Vamos analisar: Um pai e uma mãe chegando para algum pastor protestante e pedindo para esse pastor conceder a Graça do Batismo ao seu filho querido e esse pastor pregando que essa Criança teria que cometer um pecado primeiro, se não ela não teria o direito de ser Batizada?

Neste caso, deveríamos pensar em duas perguntas: Qual pecado Jesus Cristo cometeu para ser batizado? E se meu filho não cometer nenhum pecado em sua vida terrena estará privado do Batismo e da Salvação?

Cria-se uma certa intolerância dentro da sã doutrina poder imaginar Deus querendo que alguém cometa pecados para participar da Graça Divina (Batismo). Quem gosta do pecado se chama Lúcifer e não Jesus Cristo.

Vamos voltar à introdução do tópico de Mateus 19
14. Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.
Temos que observar duas coisas nesse pequeno versículo; primeiro Jesus Cristo pede para não impedir que as crianças cheguem até a ele, sabendo que o Espírito Santo é o consolador (Presença Divina) até a volta de Jesus Cristo, não podemos impedir que uma criança chegue até o Espírito Santo de Deus, isso é bem lógico. Segundo, Jesus Cristo diz que o Reino dos Céus é para aqueles que se “assemelham a uma criança”, ou seja, não é uma criança que precisa se tornar um adulto para receber o seu Batismo e sim um adulto que precisa se tornar como uma criança para assim receber o seu Batismo.

Um adulto, que em sua infância não pode receber o seu Batismo, porque não existia o Batismo como era o caso dos primeiro Cristãos, precisam voltar a possuir a inocência e a pureza de uma criança para receber o seu Batismo, ou seja, precisas se arrepender de seus pecados.

Uma criança que já nasceu dentro do berço Cristão e por consequência da sua inocência já possui a pureza em seu coração junto de seus perfeitos louvores. Logo, ela tem todo o direito de receber o seu Batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; assim da mesma forma que Jesus Cristo pediu para deixar ir a ele as crianças também devemos deixá-las irem até o Espírito Santo de Deus que nos consola até a volta de Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo.

Observem as palavras de Pedro:

Atos 2
38. Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.

Nesse texto Pedro rebate fortemente a teoria protestante.

Primeiro ele pede para que os pais se arrependam e sejam Batizados.

Segundo ele diz que a promessa do Batismo é para os pais e seus filhos e todos aqueles que são chamados, ou seja, é para um pai de família se arrepender e voltar ter a pureza de uma criança, se Batizar, e depois Batizarem seus filhos também, pois a promessa não foi feita apenas para os adultos, a promessa foi feita para os adultos e para as crianças que também foram chamadas por Jesus Cristo.

Não podemos deixar de relatar outras grandes importâncias do Batismo, pois além de ser uma Graça Divina o Batismo é um selo da Nova Aliança, ou seja, quem é Batizado está selado como membro da Nova Aliança assim como era a circuncisão no (AT). Paulo deixa bem claro que o Batismo veio para substituir a circuncisão. 

Colossenses 2
11. Nele também fostes circuncidados com circuncisão não feita por mão de homem,mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento do nosso ser carnal.
12. Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos.


Nesse texto Paulo deixa bem claro que o Batismo no (NT) e o selo da Nova Aliança assim como era a circuncisão no (AT). Sendo assim, jamais poderemos negar o Batismo a uma criança, pois a circuncisão era concedida aos filhos dos Judeus no oitavo dia de seu nascimento.

Outra grande importância é a purificação do “pecado original ou pecado de morte de Adão”, Paulo no livro de Romanos explica que todo o gênero humano herda o pecado original de Adão no momento de seu nascimento.

Romanos 5
12. Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram...

Toda a Criança nasce pagã e herda essa mancha de pecado, isso é fato, no entanto todo o gênero humano necessita da salvação desse pecado e Paulo no próximo capitulo do mesmo livro nos ensina a como imputar esse “pecado original”.

Romanos 6
3. Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?
4. Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova.
5. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição.
6. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado.


Concluído, Paulo nesses dois textos explica que todo o homem nasce manchado pelo “pecado original”, ou seja, todo o homem nasce ADÃO privado do paraíso. Através do “Batismo” esse homem, que nasceu com a mancha de Adão e privado do paraíso, morre e renasce um novo homem, agora o homem reconciliado com Deus e não mais privado do paraíso, sem a mancha do pecado original e totalmente puro para entrar no mundo segundo a Graça Divina.

Sendo assim, uma criança sem Batismo é:
  • Uma criança manchada pelo pecado original.
  • Sem o selo da Nova Aliança.
  • Privada do paraíso.
  • Não reconciliada com Deus.
Alerta-se aqui para que o pai e a mãe pela ignorância adquirida, negam o Batismo a seus filhos. Na Bíblia Sagrada há uma condenação para esse tipo de sacrilégio e essa condenação é:

Prestem a atenção nas palavras de Jesus Cristo.

Mateus 18
6. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim,melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar.

Observem: o homem que faz uma criança cair no pecado, é melhor morrer afogado e agonizando no fundo do mar. Você pode até me perguntar: o que isso tem a ver com o Batismo? Eu respondo: o pai e a mãe que privam seus filhos do Batismo e os deixam no “pecado original” um pecado não cometido, porém é um pecado contraído, pagarão por isso; negar a Graça Divina do Batismo a seus filhos é deixá-los permanecer com esse pecado e sendo seus pais os responsáveis por seus filhos, serão os pais que receberão o castigo caso aconteça algo com seus filhos.

É exatamente por causa do “pecado original” (pecado esse que priva o homem do paraíso), que Jesus Cristo diz a Nicodemos:

João 3
3. Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.
4. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?
5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.
6. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
7. Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo.


Jesus Cristo foi bem claro, quem não nascer de novo (Água e Espírito) não poderá entrar no Reino de Deus, ou seja, está privado do paraíso. (Ele não faz aqui distinção de adultos e crianças).

Por que estará privado do Reino de Deus? Simples: por que todo o gênero humano nasce manchado pelo pecado original ou pecado de Adão.

E como renascer na Água e no Espírito? Simples: através do Batismo.

Para entrar no Reino de Deus é necessário nascer de novo, seja uma criança ou um adulto.

O terceiro argumento, os protestantes alegam que não Batizam as crianças simplesmente por que nas Escrituras Bíblicas não aparece explicitamente uma criança sendo Batizada, então eles concluíram que os Apóstolos negavam o Batismo as crianças, neste caso, mais uma vez, ficamos na Sola Scriptura (leitura morta, apenas leitura) então os protestantes não podem mais ler as suas bíblias e devem deixar de usa-las, pois não existe um versículo onde um Apostolo diz usar uma Bíblia, ou deixarão de acreditar que o Discípulo Amado era João, pois não existe um só versículo que afirme ser João o Discípulo Amado.

Bem, voltando ao assunto, para entender os Escritos Bíblicos, temos que levar em consideração a época e a cultura em que esses livros foram escritos, os Escritos Bíblicos contam a historia Apostólica até 70 D.C, é lógico que uma Igreja nascente entre 30 a 40 anos de vivencia poucas pessoas já eram Batizadas, por isso a grande quantidade de relatos dos adultos sendo Batizados, a Igreja estava nascendo, era normal que os primeiros Batizados fossem os adultos principalmente o “pai” que era a coluna da família.  Historicamente e logicamente falando, jamais os Apóstolos iriam Batizar uma criança no qual seus pais não eram convertidos e não eram Batizados, por esse motivo os primeiro relatos Bíblicos dão ênfase ao Batismo dos pais e como diz Pedro em (Atos 2-,38,39) ele pede para que os pais se Batizem e depois Batizem os seus filhos.

Outra consideração a fazer é a questão cultural no qual os livros Bíblicos foram escritos. Dentro da cultura Hebraica o “pai” era o alicerce da casa, A palavra "casa" ("domus", em latim; "oikos", em grego) designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças. Ou seja, o ênfase da família geralmente era em torno do “pai” (figura masculina) é só observar a genealogia de Jesus Cristo e ver que Mateus o fez levando em consideração a descendência dos pais (figura masculina) o mesmo se da em torno do Batismo, podemos não ler claramente na Bíblia uma criança sendo Batizada, porém encontramos nos livros Bíblicos vários textos onde diz que: “O pai foi batizado e depois TODA a sua família”.

Por ex: temos o famoso caso do carcereiro da Macedônia.

Atos 16
31. Disseram-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.
32. Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa.
33. Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas.Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.

Foi Batizado ele (o carcereiro) e TODA a sua família, meus irmãos, temos que entender melhor o significado dessa palavra (TODA).

Vamos pegar o verso 33 no grego (versão: The Greek New Testament according to the Byzantine Textform, edited by Maurice A. Robinson and William G. Pierpont, 2000 edition)

"33 και παραλαβων αυτους εν εκεινη τη ωρα της νυκτος ελουσεν απο των πληγων και εβαπτισθη αυτος και οι αυτου παντες παραχρημα".

O verbo παντες (PAS que incluí todas as formas de declinação; TDNT - 5:886,795; adj
1) individualmente 
1a) cada, todo, algum, tudo, o todo, qualquer um, todas as coisas, qualquer coisa
2) coletivamente 
2a) algo de todos os tipos
... “todos o seguiam” Todos seguiam a Cristo? “Então, saíam a ter com ele Jerusalém e toda a Judéia”. Foi toda a Judéia ou toda a Jerusalém batizada no Jordão? “Filhinhos, vós sois de Deus”. “O mundo inteiro jaz no Maligno”. O mundo inteiro aqui significa todos? As palavras “mundo” e “todo” são usadas em vários sentidos na Escritura, e raramente a palavra “todos” significa todas as pessoas, tomadas individualmente. As palavras são geralmente usadas para significar que Cristo redimiu alguns de todas as classes — alguns judeus, alguns gentis, alguns ricos, alguns pobres, e não restringiu sua redenção a judeus ou gentios ... (C.H. Spurgeon de um sermão sobre a Redenção Particular)

Reforça que TODOS, são todas as pessoas que estavam ali, naquele lugar.

Vamos pensar um pouco. Se eu possuo 20 copos e entre eles existem alguns que são grandes, outros médios e outros pequenos e digo: “TODOS os copos estão cheios de água”, é porque todos eles sem exceção estão cheios de água, é simples, tanto os grandes quando os pequenos receberam a sua quantidade de água até estarem completamente cheios; o mesmo acontece com o texto Bíblico citado, se no texto diz que TODA a família do carcereiro foi Batizada é porque todos sem exceção foram Batizados, seja adultos, crianças ou recém nascidos.

Se o Batismo infantil fosse proibido com certeza haveria alguma citação Bíblica relatando tal proibição, no texto citado, Lucas teria feito a exceção dizendo: “Foi Batizado ele e todos os adultos de sua família”.

Agora vamos aqui colocar alguns escritos dos Pais da Igreja Primitiva.

Orígenes (185-255).

Escreve: “A igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos”. (Epist. ad Rom. Livro 5,9).

Cipriano (258 d.C).

Escreve: “Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças “. (Carta a Fido)


Para conclusão final, notamos que este tema é muito debatido entre vários: cristãos de doutrinas diferentes, teólogos, exegetas, hermeneutas, ateus e outros. Mas devemos nos ater a certos fatos.
Vamos sempre analisar as escrituras no contexto histórico e hermenêutico, pois estas escrituras, conforme texto acima foram escritas há muito tempo atrás e depois de Cristo.
Não podemos apenas pegar um livro e dizer: "ESTÁ ESCRITO ASSIM E PRONTO". Isto ou é relativismo ou fundamentalismo em demasia. O que devemos fazer é sempre questionar o correto das escrituras, saber realizar uma boa interpretação da mesma. Não entrar na batalha do dogma e principalmente, deixar Deus falar aos nossos corações.

Christo Nihil Praeponere.

sábado, 3 de maio de 2014

PEDIR O AUXÍLIO DE DEUS NA CERTEZA DE RECOBRAR A GRAÇA.

Dias atrás, eu estava muito preocupado com certos acontecimentos em minha vida pessoal e profissional.
Coisas do dia a dia que abalam o ser humano. Como bom cristão, que crê que Deus está no comando, espero sempre algo do criador, afinal somos filhos do todo poderoso, do Deus da graça, da misericórdia, sabedoria e principalmente de nossas vidas.
Com isto fui meditar num livro que gosto muito e aconselho a todos que o tenham em sua biblioteca para de vez em quando passarem os olhos nele e receberem a palavra forte de Deus com enorme embasamento Bíblico. O Livro chama-se Imitação de Cristo de Tomás de Kempis. 
A imitação de Cristo é um dos livros mais expressivos da espiritualidade cristã. Escrito por Tomás Hemerken, conhecido como Tomás à Kempis (1379-1471), monge holandês dos irmãos da via comum, na região de Zwolle, Holanda, esteve presente nas mãos de vários cristãos até a metade do século passado.

A palavra me passado foi esta que compartilho com vocês agora.

1. Filho, eu sou o Senhor, refúgio nas horas mais difíceis (Naum 1,7).
Vem a mim, se não te sentes bem.
Não recorrer imediatamente à oração é um dos maiores obstáculos à consolação divina.
Na verdade, só oras depois de ter ido procurar apoio em outras pessoas ou coisas exteriores.
Mas com pouco proveito, enquanto não percebes que sou eu quem liberto os que em mim esperam e que fora de mim não há conselho válido ou útil nem remédio que cure para sempre.
Depois da tempestade, porém, desde que volta o espírito, convalesces sob a ação de minha misericórdia, pois estou sempre pronto a restaurar íntegra, abundante e completamente todas as coisas, diz o Senhor.

2. Existe alguma coisa difícil para mim? (Jr 32,27), serei daqueles que falam mas não fazem?
Onde está a tua fé?
Sê firme e perseverante!
Magnânimo e forte! A consolação virá a seu tempo.
Conta comigo, espera.
Virei te curar.
Teu mal estar é tentação e é vão o temor que te assalta.
De quem serem as preocupações a respeito do futuro incerto, senão para te trazer tristeza em cima de tristeza?
A cada dia basta o seu mal (Mt 6,34).
Que sentido tem sofrer ou se alegrar com um futuro que talvez nem aconteça?

3. É humano iludir-se com vãs expectativas, mas é também sinal de debilidade de quem se deixa facilmente enganar pela sugestão do inimigo.
É procurar discernir a verdade da ilusão enganosa e adorar mais as coisas presentes do que as eternas.
Não se perturbe, nem se atemorize o teu coração (Jo 14,27).
Crê em mim e confia na minha misericórdia.
Muitas vezes pensas que estou longe, mas estou muito perto de ti.
Pensas que tudo está perdido, no momento preciso de merecer o prêmio.
Na adversidade, nem tudo está perdido.
Não julgues segundo o teu sentimento presente, nem atribuas peso absoluto ao que te acontece ou é por ti acolhido, como se não houvesse mais nenhuma esperança de mérito.

4. Não te julgues abandonado de todo, por eu ter permitido que passes por alguma tribulação.
É assim que sevai ao reino dos céus.
Mais te convém, como aos meus outros servos, exercer-te nas adversidades em lugar de viver sempre segundo tua própria vontade.
Sei o que se passa no intimo de cada um. Para sua salvação é melhor que caminhes, às vezes sem nada sentir, para que não te glories com o próprio sucesso nem te satisfaças com o que de fato não és.
Sou livre de turar e depois restituir tudo que dei.
Dou o que é meu e não tiro do teu, pois é meu todo dom precioso e toda a dádiva perfeita (Tg 1,17).

5. Sete envio algum sofrimento ou tribulação não te impacientes nem desanime teu coração, pois posso sempre retirá-los e transformar em alegria todo sofrimento.
De todo modo, sou justo e digno de toda consideração quando te trato dessa forma.

6.  Se fores reto e tiveres sempre me mente a verdade, não haverá porque te entristecer com a adversidade, mas antes, alegra-te e agradece. A única alegria verdadeira, aliás, é estar comigo na aflição e na dor.
- Como o pai me ama, assim também eu vos amo (Jo 15,9), disse a meus diletos discípulos, os quais enviei não para alegrias terrenas, mas para grandes combates; não em busca da honra, mas do desprezo; não para o lazer, mas para o trabalho; não para a tranquilidade, mas paratudo suportar com paciência.
Lembra-te sempre, filho, dessas palavras.

Christo Nihil Praeonere.

INTERPRETAR A VIDA A PARTIR DA SAGRADA ESCRITURA

Para Base do texto, usamos as seguintes leituras: Atos 2,14a.22-33; 1Pedro 1,17-21; Lucas 24,13-35.

Existem acontecimentos que varrem para longe de nós a fé, enterram a nossa esperança e apagam o fervor do nosso coração. Existem acontecimentos que parecem destruir dentro de nós a imagem que temos de Deus, de que Ele é um Pai amoroso e misericordioso, que cuida de nós e que se importa conosco. Existem acontecimentos que nos tiram de Jerusalém e nos fazem caminhar para Emaús, isto é, que nos fazem abandonar nossos ideais e nossos sonhos, porque a presença da cruz acaba nos convencendo de que não adianta esperar por grandes mudanças ou grandes transformações em nossa vida.

Mas aquilo que apaga a nossa fé, sepulta a nossa esperança e torna frio o nosso coração não é este ou aquele acontecimento ruim, e sim a forma como nós o interpretamos. O que fez os dois discípulos deixarem Jerusalém e caminharem para Emaús foi o fato de eles não conseguirem encontrar uma explicação para o que aconteceu com Jesus. Certamente, há muitas coisas para as quais você ainda não encontrou explicação na sua vida, coisas que vão precisar de tempo para serem entendidas e assimiladas por você. Mas também é verdade que há coisas para as quais você não quer encontrar explicação porque isso acabaria revelando a sua parcela de responsabilidade no que aconteceu. 

Justamente porque a dor não é causada pelo sofrimento em si, mas pela forma como nós o interpretamos e como lidamos com ele, Jesus ressuscitado entrou na dor dos dois discípulos e os ajudou a interpretá-la à luz da Sagrada Escritura (cf. Lc 24,27). Pedro fez a mesma coisa no dia de Pentecostes: recorreu às Escrituras – especificamente ao salmo 16 – para falar da morte e da ressurreição de Jesus (cf. At 2,23-31). Qual é o seu contato com a Bíblia? Com que frequência você a lê? Existe algum aplicativo no seu celular ou no seu tablet que coloca você em contato com a Palavra de Deus? Quantos de nós precisamos daquele puxão de orelhas que Paulo deu à comunidade de Corinto, quando disse: “Alguns dentre vós tudo ignoram a respeito de Deus” (1Cor 15,34)?

A Sagrada Escritura não nos oferece respostas prontas para todas as nossas perguntas. Ela nos ajuda a interpretar os acontecimentos à luz do plano que Deus tem para cada um de nós, de forma que nós possamos dizer com o salmista: “Meu destino está seguro em vossas mãos... Vós me ensinais vosso caminho para a vida...” (Sl 16,5.11). Foi relembrando aos discípulos trechos da Bíblia que Jesus esclareceu que Ele devia sofrer o que sofreu para entrar na sua glória (cf. Lc 24,26). Portanto, sempre que você estiver na desolação, recorra à Palavra de Deus, para que ela o(a) ajude a interpretar corretamente o seu sofrimento e lhe dar a verdadeira consolação que vem de Deus.

O diálogo de Jesus com aqueles dois discípulos lhes devolveu o ânimo, a fé e a esperança, traduzidos nessas palavras: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32). Há muitas cinzas no coração de cada um de nós, cinzas de sonhos e de esperanças que foram aparentemente queimados, destruídos, pela forma como interpretamos o que nos aconteceu e pela forma como lidamos com aquele sofrimento. Deixemos com que o sopro do Espírito Santo, que inspirou cada profecia da Sagrada Escritura (cf. 2Pd 1,21), varra para longe as cinzas que encobrem as brasas que ardem no mais profundo de nós, para que recobremos a fé, a esperança, a alegria e o sentido de viver e de caminhar com Cristo. Hoje, o nosso pedido ao Senhor ressuscitado é o mesmo dos discípulos de Emaús: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” (Lc 24,29). Fica conosco, Senhor Jesus, quando caminhamos na vida como que cegos, sem enxergar a Tua presença junto a nós! Fica conosco, e com a luz da Tua palavra, ajuda-nos a interpretar corretamente os acontecimentos que nos atingem. Fica conosco, pois a noite se estende sobre a humanidade: a noite das guerras, dos conflitos e da violência; a noite do desemprego, da fome e da miséria; a noite da migração forçada, da inimizade e da separação das famílias. Fica conosco, Senhor Jesus, e devolva o ardor da fé ao nosso coração!

“Jesus entrou para ficar com eles”, e quando, sentado à mesa, “tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía... os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles” (Lc 24,29-31). Os mesmos discípulos, que estavam como que cegos e não reconheceram Jesus que caminhava com eles, voltaram para Jerusalém e disseram aos outros discípulos “como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão” (Lc 24,35). Nós reconhecemos Jesus na Eucaristia, ou ela se tornou um rito tão repetitivo e tão monótono, que precisamos que Jesus se manifeste de outras formas para que possamos reconhecê-Lo?

Para terminar, é urgente refletir sobre essa atitude de Jesus ser reconhecido “ao partir o pão” também a partir do ponto de vista social: “O mundo de hoje reconhece o Cristo quando os cristãos sabem verdadeiramente ‘partir o pão’, (o que significa assumir)... um compromisso de justiça, de solidariedade, de defesa daqueles cujo pão é roubado pelas injustiças dos homens e dos sistemas sociais errados”

Uma adaptação do texto do Pe. Paulo Cesar Mazzi.
Fonte: http://padrepaulomazzi.blogspot.com.br/

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Para meditarmos!

Vivemos num ciclo.

Este ciclo se comporta de acordo com a sociedade e com a sua vida monótona, com as coisas do dia a dia.

Passamos por fases na nossa vida, Infância, Adolescência, e por fim nos tornamos adultos.

Neste processo, fazemos coisas rotineiras, tipo, quando crianças, nos acordamos cedo, tomamos nosso café e vamos para a escola. De volta, ao nosso horário de almoço, fazemos as nossas refeições descansamos, estudamos e assim seguimos os nossos dias.

Quando adultos instruídos e formados, sabemos que precisamos trabalhar, crescer profissionalmente, assumir as nossas responsabilidades e dentre outras coisas, nos divertir.

Neste processo todo, criamos em nós um senso crítico, uma espécie de termômetro e relógio que começa a nos orientar para as coisas que devemos fazer.

Então, fechamos um ciclo, um ciclo que se não tomarmos cuidado, pode ser vicioso.

Acordamos, trabalhamos, interagimos, almoçamos, interagimos, trabalhamos, e por fim, interagimos e nos divertimos. No final, no outro dia recomeçarmos tudo novamente.

Como em uma indústria, cria-se um modelo de produção, totalmente viciado e metódico, passando assim por anos e anos.
Porém, cabe aqui salientar que a nossa educação, o nosso conhecimento, nos cria portas para mudarmos estes conceitos.

Somos seres livres, pensantes, criaturas de Deus, que tem afinidades, dons e pensamentos.

Não podemos nos ater a educação massiva de hoje, que começa a inflar em nós, e principalmente em nossos jovens, bobagens e imagens que simplesmente trocam todos os valores morais e sociais.

Precisamos de cultura, precisamos de educação.

Poderíamos muito bem, trazer programas educativos, que adicionam alguma coisa ao nosso intelecto. Programas educacionais, do tipo tele-curso segundo grau, para horários nobres, e não as primeiras horas da manhã onde ninguém esta assistindo, a não ser aquele trabalhador que tem que madrugar para poder chegar ao seu trabalho e necessita verdadeiramente daquela informação para aumentar o seu status em sua escalada de vida, ou as pessoas, desempregadas, desiludidas ou desamparadas, que ficam acordadas a noite, completamente sem nexo, esperando que aconteça alguma coisa em suas vidas.

Poderíamos colocar programas mais educativos em nossos meios de comunicação, ao invés de programas loucos que falam sobre fofocas de celebridades, destruição de sociedades, guerras, massacres, etc.

Devemos trocar estes programas sem conteúdo, que incitam sexo, roubo, são difamadores, produzem noticias sensacionalistas que geram dúvidas e críticas da opinião pública e se preocupam apenas com uma coisa, gerar IBOPE, por programas mais inteligentes.

A maioria dos programas de hoje, demonstram apenas as coisas ruins do dia a dia, noticias drásticas e cruéis para os olhos de uma sociedade.

Com isto, a sociedade pensa cada vez mais em vingança, se esquece de analisar o contexto social, político e humano o que está acontecendo verdadeiramente.

É mais fácil condenar alguém para a morte do que pensar realmente o que está acontecendo com a nossa sociedade.

O Brasil, por se tratar de um país com baixo índice de educação, estes falsos programas iludem as pessoas e criam fantasias nas mesmas, tirando os seus sonhos reais, criando fantasias inalcançáveis, e principalmente, destruindo as conquistas das nossas realizações.

Precisamos mudar, precisamos crescer, precisamos ter certeza de que o nosso ciclo vai mudar. Na hora do trabalho, trabalho árduo, justo, compensador e saudável. Na hora do divertimento, divertimento saudável, e na hora de aprendermos, educação e cultura sadia. Enfim aprimorar a política de qualidade de vida, tratando as pessoas como elas devem ser tratadas.

Por último, precisamos também, repensar a pressão social moderna do individualismo e do crescimento próprio, que cria a exclusão dos menos afortunados, resultando aos mesmos, indignação, responsabilidade social afetada, e inferioridade na sociedade.
Precisamos mudar este quadro, precisamos de educação e de discernimento do que realmente estamos fazendo nesta nossa sociedade.


Talvez, em próximo artigo, eu fale mais sobre as causas do individualismo moderno, de onde podemos tirar que o espetáculo não pode parar!

sábado, 7 de dezembro de 2013

O QUE SÃO FRANCISCO DIRIA AOS JOVENS DE HOJE

Meus queridos jovens, irmãos e irmãs.

Alegro-me que o Papa Francisco que leva meu nome entrá entre vocês.
Ele quer propor a toda Igreja o sonho que eu vivi em Assis há mais de 800 anos com meus companheiros e minha querida amiga Clara: uma vida segundo o evangelho de Jesus, na simplicidade, na pobreza voluntária, na sobriedade compartida, amando a todos, especialmente os mais pobres, e considerando a todos os seres da natureza como meus irmãos e irmãs.

Deixem-me que me transporte para o vosso tempo e lhes diga o que o Espírito de Deus me inspirar.

Amar e cuidar da Mãe Terra.
Em primeiro lugar lhes suplico: amem e cuidem da irmã e Mãe Terra. Ela está doente e com febre. Já há muito tempo que a estamos superexplorando. Para repor o que lhe tiramos num ano ela precisa de um ano e meio. Para vocês do Brasil a Terra lhes entregou talvez a herança mais preciosa: A Floresta amazônica, a abundancia de água doce, a diversidade dos seres vivos e a grandes extensos solos férteis. Guardai essa herança para vossos filhos e filhas e toda a humanidade.

Devemos urgentemente fazer uma aliança global e cuidar da Terra e uns dos outros, caso não quisermos conhecer grandes dizimações que afetarão toda a comunidade de vida. Corremos, portanto, grande risco. Mas se assumirmos uma responsabilidade solidária em um comportamento de cuidado com tudo o que existe, poderemos escapar desta tragédia. E vamos escapar.

Estar do lado dos pobres e oprimidos.
Muitos filhos e filhas da Mãe Terra, irmãs e irmãos de vocês, são pobres e passam fome. Milhões foram tirados da pobreza e podem ter uma vida minimamente digna. Mesmo assim, há tantos caídos nas estradas, por causa das doenças, das drogas, da falta de um teto. Sejam o bom samaritano que se curvou diante deles e os ajudou a se levantar. Jesus continua crucificado nos crucificados deste mundo. Precisamos baixá-lo da cruz e faze-lo ressuscitar.

Resgatar os direitos do coração.
Há uma coisa que me vem do fundo do meu coração e que preciso dizer-lhes: temos que mudar a nossa mente e o nosso coração.

Mudar a mente para olhar a realidade com outros olhos. Os estudiosos hoje nos comprovam que a Terra é viva e não apenas algo morto e sem propósito, uma espécie de baú de recursos ilimitados que podemos usar como queremos. Eles são limitados, como a energia fóssil do carvão e do petróleo, a fertilidade dos solos e as sementes. Precisamos poupar estes bens e serviços para que sejam suficientes para nós e para as futuras gerações.

Os astronautas, lá da lua ou de suas naves espaciais, nos testemunharam: Terra e Humanidade são inseparáveis; formam uma unica entidade, indivisível e complexa. Por isso, nós seres humanos, somos aquela porção da Terra que sente, que pensa, que ama e que venera. Somos Terra e tirados da Terra como nos dizem as primeiras páginas da Bíblia. Mas recebemos uma missão unica, a de cuidar e guardar todas as bondades naturais. Somos os guardiães da herança que Deus e o universo nos confiaram para que possam durar e atender as nossas necessidades e as de nossos filhos e netos.

Além da mente devemos mudar também o nosso coração. O coração é o lugar do sentimento profundo, do afeto caloroso e do amor sincero. O coração é o nicho de onde crescem todos os valores. Precisamos resgatar os direitos do coração.

Junto com a razão intelectual que vocês tanto exercitam na escola, no trabalho e na condução da vida, existe a inteligencia cordial e sensível. Só com a razão intelectual sem a razão cordial não vamos sentir o grito dos pobres, da Terra, das florestas e das águas. Sem a razão cordial não nos movemos para ir ao encontro dos que gritam e sofrem para socorre-los, oferecer-lhes um ombro e salva-los.

Por isso, meus queridos jovens, vocês que naturalmente são sensíveis para os grandes sonhos e para o voo da águia na direção das alturas, cultivem um coração que sente, que se comove, que não tem vergonha de chorar diante do demasiado sofrimento de muitos irmãos e irmãs.

Aprender a habitar de maneira diferente a Terra.
Mais uma coisa gostaria de dizer-lhes confiadamente: importa inaugurarmos uma nova maneira de habitar o planeta Terra. assim como estamos, não podemos continuar. Até agora habitávamos dominando com o punho fechado e submetendo tudo ao nosso interesse. Sonhávamos comum progresso ilimitado. Hoje estamos conscientes de que a Terra, pequena e limitada, não aguenta um projeto ilimitado. Encostamos nos seus limites. Porque continuamos a forçar estes limites, a Terra responde com tufões, enchentes, secas, terremotos e tsunamis. Temos que mudar, se quisermos sobreviver.

No lugar do punho fechado devemos ter a mão aberta para o cuidado essencial, para o entrelaçamento dos dedos numa aliança de valores e princípios que poderão sustentar um novo ensaio civilizatório. Nele, o centro será ocupado pela vida da natureza, pela vida humana e pela vida da terra. A economia e a política estarão a serviço mais da vida do que do mercado e do lucro.

A mudança começa por vocês.
Caros jovens: sejam vocês mesmo a mudança que querem para os outros. Comecem vocês mesmos a viver o novo, respeitando cada um dos seres da natureza, cada planta, cada animal, cada paisagem, porque eles possuem um valor em si mesmo, independente do uso racional que fizermos deles, São nossos irmãos e irmãs. Com eles fundaremos uma convivência de respeito, de reciprocidade e de mutua ajuda para que todos possam continuar vivos neste planeta, também os mais vulneráveis para os quais devotaremos mais cuidado e amor.

Resistam à cultura da acumulação e do consumo. Vivam uma sobriedade compartida; façam a experiência de que com menos poderão ser mais, livres e felizes.

Mantenham sempre viva dentro de vocês a chama sagrada.
Por fim, caros jovens, irmãos e irmãs meus queridos: nada disso tudo que refletimos terá eficácia, se não misturarmos Deus em todos os nossos empreendimentos. Dentro de cada um de vocês queima uma brasa viva e arde uma chama sagrada: é a presença misteriosa e amorosa de Deus. Ele emerge de forma sensível no fenômeno do entusiasmo, tão forte na idade de vocês. Entusiasmo significa ter um Deus dentro: é o Deus interior, Deus companheiro e amigo, Deus de amor incondicional.

Reservem cada dia um momento para pensar nele, conversar com ele, queixar-se com ele e chorar diante dele e dirigir-lhe uma súplica. Às vezes não digam nada. Coloquem-se apenas em silêncio diante dele. Ele poderá lhes falar e lhes suscitar bons sentimentos e luminosas intuições. Nuca abandonem Deus, porque Ele nuca os abadona e abandonará. Vivam como quem se sente na palma de sua mão.

Deus é o "soberano amante da vida" e o nosso grande aliado.
Desde que o Filho de Deus por Jesus assumiu a nossa humanidade, ele assumiu também uma parte do cosmos, da Terra e dos elementos do universo. Portanto, estes já foram divinizados e eternizados. Nunca mais serão ameaçados. Mas nós podemos colocá-los em risco de extinção. Consolam-nos, entretanto, as palavras da revelação que nos dizem que Ele, Deus, é "o soberano amante da vida" (Sab, 11,24). Ele sempre ama tudo o que um dia criou. Não se esquece de nenhuma criatura que nasceu do seu coração. Por isso, confiemos todos, que Ele vai aliviar a vida dos pobres, atender o grito da nossa querida Mãe Terra e garantir o futuro da vida que é o futuro de vocês todos.

Não desperdicem o tempo, porque ele é urgente. Desta vez não podemos chegar atrasados nem cometer erros, pois corremos o risco de não termos volta nem forma de correção dos erros cometidos. Mas não percam o entusiasmo nem esmoreça a alegria do coração. A vida sempre triunfa porque Deus é vivo e nos enviou Jesus que disse: "Eu vim para trazer vida e vida em abundancia".

Era o que queria, do fundo de meu coração, lhes falar.

Por fim, faço-lhes um pedido muito especial: rezem, apoiem, colaborem com o Papa que leva o meu nome, Francisco. Ele vai restaurar a Igreja de hoje como eu tentei restaurar a Igreja do meu tempo. Sem a ajuda de vocês, se sentirá fraco e terá grades dificuldades. Mas com o entusiasmo e o apoio de vocês, nos seus grupos e movimentos, ele vai cumprir a missão que Jesus lhe confiou: de confirmar a todos na fé e na esperança e de conferir um rosto confiável a nossa Igreja. Com vocês ele será forte e irá conseguir.

Agora, antes de nos despedirmos, lhes darei a benção que um dia dei ao meu intimo amigo Frei Leão, a ovelhinha de Deus:

Que Deus vos abençoe e vos guarde.
Que Ele mostre a sua face e se compadeça de vós.
Que devolva o seu rosto para vós e vos dê a paz.
Que Deus vos abençoe.
Paz e Bem.

Francisco,
O Poverello e Fratello de Assis.

Leonardo Boff *
C.P. 92144
25750-970 Petrópolis, RJ
e-mail: lboff@leonardoboff.com


* Por muitos anos o Autor foi professor de teologia na atual Faculdade de Teologia do Instituto Teológico Franciscano, de Petrópolis, e é autor de: Francisco de Assis: ternura e vigor (Vozes-CEFEPAL/1981) e Francisco de Assis e Francisco de Roma (Mar de Ideias/2013), de onde foi tirado este texto.
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